Alterações de regras para 2014/15

Dallas Stars v New York Islanders

A NHL anunciou hoje um conjunto de alterações das regras, com efeito já no início da próxima temporada. Dentro das mais importantes, deixa de ser permitido fazer o spin-o-rama nos penalty shots e no shootout. Também deixa de ser obrigatório utilizar 3 jogadores diferentes do shootout. O trapezóide atrás da baliza que restringe a movimentação dos guarda-redes – também conhecida pela “Lei de Brodeur” – vai ser alargado por mais 60 centímetros de cada lado.

A revisão de jogadas com recurso ao video será alargado a todas as situações de possível golo. As multas por simulação vão ser mais rígidas, com a possibilidade de aplicar multas também aos treinadores. Para diminuir a possibilidade de atrasar o recomeço do jogo nos face-offs depois de um icing, se um jogador fizer duas violações consecutivas nesta situação será penalizado com dois minutos. No prolongamento, as equipas vão ser obrigadas a trocar de campo, ficando os jogadores mais longe dos bancos e tornando as trocas de linhas ainda mais perigosas. Por último, mesmo que um remate não bata em nenhum defesa antes de sair da pista, o face-off será executado na zona ofensiva. Esta alteração procura não prejudicar uma equipa que colocou o disco fora da pista enquanto tentava criar situações de golo.

São alterações positivas, agora tudo depende da forma como os árbitros as vão aplicar no terreno.

NHL: Estrutura

Desde 2000, ano da criação dos Columbus Blue Jackets e Minnesota Wild, que a NHL é composta por 30 equipas, divididas em duas Conferências: Este e Oeste. Devido à maior concentração de equipas no lado este do continente americano, algumas queixavam-se da distância que eram obrigadas a percorrer para disputarem os jogos.

A partir desta época, Detroit Red Wings e Columbus Blue Jackets vêem finalmente cumprido o seu desejo e fazem agora parte da Conferência Este, que fica assim composta por 16 equipas, enquanto que a Conferência Oeste apenas fica com 14. As Conferências estão divididas em 2 divisões cada. A Divisão Pacífico e a Divisão Central constituem a Conferência Oeste, enquanto que a Conferência Este é composta pela Divisão Metropolitana e pela Divisão Atlântica. Neste quadro podem ver a composição de cada divisão.

Tal como a grande maioria dos desportos norte-americanos, na NHL disputa-se a época regular e os playoffs. Na época regular, as equipas realizam 82 jogos que vão determinar a sua posição na classificação.

Cada equipa realiza 4 ou 5 jogos contra equipas da mesma divisão, pelo menos 3 jogos contra equipas da mesma conferência e 2 jogos contra equipas da conferência oposta, de maneira a perfazer os 82 jogos.

Na NHL não há empates. Cada vitória vale 2 pontos, mesmo que seja alcançada no prolongamento ou shootout. A derrota no tempo regulamentar não vale qualquer ponto, enquanto que a derrota no prolongamento ou shootout vale um.

Os primeiros três classificados de cada divisão têm apuramento directo para os playoffs. Os restantes dois lugares de apuramento são seleccionados através de um sistema de wild-card, perfazendo um total de 16 equipas apuradas. Os wild-card são atribuídos às equipas com melhor pontuação na Conferência, excluindo as 6 apuradas directamente.

No fim da época regular, as 16 equipas apuradas entram num torneio a eliminar para eleger os campeões de conferência, que se defrontam na grande final para lutar pela Stanley Cup. Todas as eliminatórias dos playoffs são disputadas à melhor de 7.

Publicado originalmente no blog Planeta Desportivo

Regras básicas da NHL

Como qualquer outro desporto, o hóquei no gelo tem regras, embora às vezes não pareça. Algumas pessoas tendem a achá-las um pouco complicadas, mas se as entenderem uma vez nunca mais se esquecerão.

Campo de jogo

A pista de hóquei no gelo divide-se em 3 zonas principais: zona defensiva, zona neutral e zona ofensiva. Claro que a zona defensiva de uma equipa será a zona ofensiva da outra.

Existem 5 linhas no gelo: duas linhas de golo, duas linhas azuis e uma linha vermelha. A linha vermelha marca o centro do terreno, e as linhas azuis separam a zona neutral das zonas defensivas. Tanto a linha vermelha como as azuis existem devido a duas regras muito importantes no hóquei no gelo que eu explicarei mais à frente, o icing e o offside.

Jogadores

O hockey joga-se com 6 jogadores de cada lado: 3 avançados, 2 defesas e 1 guarda-redes. Na NHL, um plantel é composto por 20 jogadores: 12 avançados, 6 defesas e 2 guarda-redes. O plantel é organizado por linhas, 4 ofensivas e 3 defensivas, que vão trocando entre si durante todo o jogo. Cada turno dura em média 45 segundos, de maneira a manter os jogadores sempre frescos.

Duração do jogo

Um jogo tem a duração de 60 minutos, separado em 3 períodos de 20 minutos cada. Se o jogo estiver empatado ao fim do tempo regulamentar, joga-se um prolongamento de 5 minutos com 4 jogadores de cada lado. Se um golo for marcado durante estes 5 minutos, o jogo termina.

Se mesmo assim o empate persistir, o desempate é feito através da marcação de grandes penalidades, onde um jogador parte do meio da pista e tentar bater o guarda-redes, um para um. A marcação de grandes penalidades é normalmente designado por shootout e decide-se à melhor de 3.

Nos Playoffs, o prolongamento tem 20 minutos e é jogado com o número normal de jogadores. Também é de morte súbita, mas não há shootout, ou seja, se um prolongamento não chegar para desempatar realiza-se outro, até que alguém marque.

Penalidades

No hóquei no gelo, quando uma equipa comete uma falta, o infractor é penalizado com um determinado período de exclusão. Durante esse período, a equipa contrária fica com um jogador de campo a mais. A equipa em vantagem numérica diz-se que está no powerplay, enquanto a que está em desvantagem diz-se estar no penalty kill.

O tempo de penalidade varia consoante a gravidade da falta. Pode ser de 2, 4, 5 ou 10 minutos e em último caso levar à expulsão do jogador. Quando a falta é feita de maneira a impedir o remate de um jogador que esteja isolado, é assinalada uma grande penalidade, ou também chamado de penalty shot.

Faceoff

O faceoff é o procedimento utilizado para retomar o jogo sempre que ele seja interrompido. Um jogador de cada equipa aproxima-se do círculo de faceoff para disputar um disco que é deixado cair pelo árbitro, com algumas semelhanças com o que acontece com a bola ao ar no basquetebol. Este método é também utilizado para dar início a cada período. A localização do faceoff depende do motivo que levou à interrupção do jogo.

Icing

O icing é quando uma equipa despeja o disco para trás da linha de golo do adversário sem ter ultrapassado a linha vermelha. Ou seja, para uma equipa puder despejar o disco para a zona defensiva do adversário tem que primeiro transporta-lo até à linha vermelha. Sempre que um icing é assinalado, o jogo pára e a equipa que o cometeu fica impedida de trocar de linhas. O jogo é recomeçado com um faceoff na zona defensiva do infrator.

Offside

Quando um jogador entra na zona do adversário antes do disco é assinalado offside, o jogo é interrompido e reinicia-se com um faceoff na zona neutral.

É claro que existem muitos pormenores que deixei de fora, mas estas são as regras essenciais para acompanhar a NHL. Se tiverem alguma dúvida, não hesitem em perguntar. Num próximo artigo, irei explicar o formato da época regular e dos Playoffs.

Publicado originalmente no blog Planeta Desportivo

Alterações de regras para 2013/14

Com uma nova época da NHL, chegam também novas regras. O jogo não pára. Está em constante evolução e as regras têm que acompanhar as mudanças rápidas que se dão no gelo. Para não sermos surpreendidos nos primeiros jogos da temporada, vamos ver quais são as alterações mais significativas para este ano e que implicações podem ter.

Proibido pôr a camisola dentro das calças

Não é uma regra nova, mas foi reforçada. A partir de agora, os jogadores são avisados à primeira infracção e são punidos com 2 minutos de penalidade à segunda. A regra não proíbe explicitamente a camisola por dentro das calças. Proíbe que as peças de protecção fiquem expostas. Ora, o que é que acontece às peças de protecção das calças quando se põe a camisola por dentro? Exacto.

Quem não ficou nada contente foi Alex Ovechkin. “Eu sou aquele tipo de pessoa que adora estas coisas. Estou um bocado chateado, mas o pior é que ninguém nos perguntou nada, aos jogadores. Eles acham que pode ser um perigo para alguém. Eu acho que isso é estúpido” disse o Russo. “A peça de protecção fica sempre um bocado afastado do meu corpo. Mesmo que eu não ponha a camisola por dentro ela vai lá parar.” Ovechkin não foi o primeiro a ter esta mania. Era a imagem de marca de Wayne Gretzky.

Não acredito que seja de propósito para chatear o Ovechkin, mas também não compro os argumentos da liga. Que eu saiba nunca ninguém se magoou com gravidade numa peça de protecção. Espero que isto não seja a preparação para porem publicidade nas camisolas. European hockey style!!

Visores obrigatórios

A partir desta época, todos os novos jogadores da NHL serão obrigados a usar visores. Os veteranos continuam a ter direito de opção, o que reduz os anticorpos que a regra poderia causar. Na AHL passam a ser obrigatórios para todos os jogadores.

Não há muito a dizer. É uma regra necessária para evitar acidentes como o de Marc Staal. O jogo está cada vez mais rápido e é muito difícil evitar este tipo de situação sem recorrer a mais material de protecção.

Não será uma mudança assim tão grande. Cerca de dois terços dos jogadores já usa visor e os jovens chegam habituados a essa realidade. Na CHL os visores são obrigatórios e na NCAA os jogadores têm mesmo que usar máscaras completas. Não resolve tudo e hipoteticamente até pode ser mais perigoso se o visor se desfizer, mas é mais um passo dado na protecção dos jogadores.

Icing híbrido

O icing híbrido está a ser testado durante os jogos de preparação e será tomada uma decisão por votação dos jogadores. A ideia é simples de perceber. Uma equipa despeja o disco antes da linha do meio-campo e inicia-se uma corrida pelo disco. No icing normal, se o defesa chegar primeiro ao disco o jogo pára e reinicia com um face-off do outro lado da pista. No híbrido, o defesa apenas tem que chegar primeiro a uma linha imaginária que passa no meio dos círculos de face-off para o icing ser assinalado, afastando os jogadores das bordas.

É pouco provável que a regra seja aplicada já esta época. 7 jogos não são suficientes para os jogadores se adaptarem a uma mudança tão profunda no jogo. A técnica de abordar os dumps passa a ser outra, os treinadores vão querer inventar novas estratégias e até os árbitros têm que se habituar à nova regra, e isso leva tempo.

A regra do icing tem que ser mudada, nem que seja para evitar acidentes como o de Joni Pitkanen. A regra mais segura seria o no touch icing, onde o icing é assinalado mal o disco passe a linha de golo. Será difícil convencer os jogadores, mas a liga espera conquistá-los aos poucos. Uma meia-medida, bem há moda da NHL.

Redução do equipamento de protecção dos guarda-redes

Mesmo com performances abaixo do normal por parte de alguns notáveis, como Marc-Andre Fleury e Carey Price, a percentagem de defesas em média da liga foi 91.2%, a terceira maior marca de sempre e muito longe dos 87.6% que se registavam há 20 anos atrás. Como resultado, o número de golos marcados continua baixo e praticamente estagnado durante a última década.

Os treinadores e as suas tácticas defensivas têm sido muitas vezes culpabilizados por esta realidade, mas o facto é que as equipas rematam mais agora do que na década de 80. Duas coisas têm aumentado desde essa época: o tamanho dos guarda-redes e do seu equipamento. A liga decidiu então cortar nas almofadas que eles costumam usar nas pernas.

Na antiga regra, os pads podiam ir até 55% da distância entre o joelho e a bacia. Agora só podem ir até aos 45%. Henrik Lundqvist fez o favor de tweetar uma foto para vermos a diferença. Pode não parecer muito, mas vai dificultar a vida dos guarda-redes de estilo borboleta. Este estilo utiliza muito os pads para tapar a parte inferior da baliza. Sem aquele centímetros a mais, o five-hole fica mais desprotegido. Desconfio que os números de Corey Crawford não vão ser tão bons como no ano passado.

Proíbido tirar o capacete antes de uma luta

A partir de agora, os jogadores que tirarem o capacete antes de uma luta serão penalizados com 2 minutos de penalidade, a somar aos 5 que recebem por lutar. A NHL tenta assim diminuir a probabilidade de uma lesão, protegendo-se contra futuros processos judiciais movidos por ex-jogadores, como aconteceu na NFL. A liga também quer evitar a todo o custo uma morte provocada pelo embate da cabeça desprotegida no gelo, no fim de uma luta.

É mais uma meia-medida. Mais um passo para acabar com as lutas. Eu gosto desse aspecto do jogo. Não por fazer parte da cultura, nem por achar que tem influência no desenrolar de um jogo, mas porque é divertido. Puro e simples entretenimento. No entanto, não é isso que me faz gostar de hockey. Sem lutas eu continuaria tão obcecado por este jogo como sou agora, mas acredito que muitas outras pessoas se afastem por causa delas. Se acabar com as lutas é necessário para fazer o desporto crescer, façam-no. Chega de enrolar. Até lá os goons vão arranjando soluções criativas para passarem entre os pingos da chuva.

Clarificação da Regra 48

A famosa regra 48 sofreu uma pequena alteração de texto. Antes a regra dizia “uma placagem que resulta em contacto com a cabeça de um adversário, onde a cabeça é alvejada e o principal ponto de contacto, não é permitida”. O que dificultava a decisão dos árbitros era avaliar se a cabeça era alvejada, ou seja, se o jogador que placou tinha intenção de acertar na cabeça do adversário.

Para retirar esse elemento de dúvida, a regra agora lê-se “uma placagem que resulta em contacto com a cabeça de um adversário, onde a cabeça é o principal ponto de contacto e em que esse contacto seja evitável, não é permitida”. É claro que saber se uma coisa é evitável também é subjectivo, mas é mais fácil de avaliar.

Os árbitros irão ter em atenção 2 aspectos essenciais. O comportamento do jogador que placou: se foi fora de tempo, se o ângulo da placagem foi perigoso, se saltou no momento do contacto. E o comportamento do adversário: se estava numa posição vulnerável, se houve mudança repentina de posição. No fundo, coloca maior responsabilidade ao jogador que placou, e isso é bom.