Leafs pensam em separar JVR e Kessel

James van Reimsdyk
Frank Gunn/The Canadian Pres

Os Toronto Maple Leafs têm muito problemas, mas a dupla James van Reimsdyk e Phil Kessel não é um deles. Os dois foram os melhores marcadores da equipa na época passada e participaram em 30% dos golos dos Leafs. Fizeram parte da 2ª linha mais produtiva da liga, combinando para um total de 190 pontos. Só por isso, seria de evitar mexer num dos pontos fortes da equipa. No entanto, separar a 1ª linha dos Leafs faz mais sentido do que parece à primeira vista.

No primeiro dia do training camp, Randy Carlyle, o treinador dos Maple Leafs, constatou que tem várias opções para a 1ª linha que vão para além de James van Reimsdyk, Tyler Bozak e Phil Kessel. Um dos principais problemas dos Leafs na época passada foi a produção ofensiva para lá dessa 1ª linha. Para além de van Reimsdyk e Kessel, nenhum outro jogador ultrapassou a barreira dos 50 pontos. Separar os dois pode ajudar a equilibrar melhor o alinhamento e, assim, construir um ataque mais potente.

Os Leafs têm outro jogador que se dá bem com Kessel: Joffrey Lupul. Nas últimas 3 épocas, Lupul passou sensivelmente metade do seu tempo de jogo (em 5v5) ao lado de Kessel, onde facturavam a um ritmo de 3.7 golos por 60 minutos de ice time. Nos minutos em que não estava com Kessel, esse número desceu para os 2.5 golos/60 min. Os números de van Reimsdyk também são mais baixos quando não está com Kessel, mas não tão baixos como os de Lupul. Para além disso, ele já tinha demonstrado capacidades em Philadelphia.

James van Reimsdyk também poderia ajudar a revitalizar os números de Nazem Kadri. Pode desviar mais as atenções dos defesas e dar espaço à criatividade do centro. Quem sabe se isso não será o que falta para Kadri deixar de ser um jogador de 50 pontos por época para passar a ser um de 70. Certamente o seu “casamento” com Lupul e Clarkson não está a funcionar e há que experimentar outras soluções.

Estamos ainda numa fase precoce. Daqui até ao começo da época ainda vão ser experimentadas muitas combinações diferentes. Nos Leafs e em todas as outras equipas da NHL. Este é o momento para os treinadores perceberem quais e quantas são as opções que têm à sua disposição. Nada é de pedra e cal nesta altura. Tudo pode mudar radicalmente, mas é reconfortante saber que os Leafs estão abertos à mudança e a procurar soluções para fazer evoluir a equipa.

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Giroux falha início da pré-temporada

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Com o início dos training camps começam a surgir as primeiras indicações sobre a condição física dos jogadores. Com apenas 15 minutos decorrido no 1º treino dos Philadelphia Flyers, Claude Giroux lesionou-se e teve que se retirar para os balneários. Mais tarde, o GM dos Flyers Ron Hextall confirmou que o melhor marcador da equipa na época passada vai ficar de fora durante as próximas 2 semanas. Segundo as declarações de Hextall, a lesão não vinha de trás e ocorreu mesmo naqueles 15 minutos.

“Isto aconteceu hoje. É o primeiro dia do training camp, todos os jogadores estão com vontade de mostrar trabalho e as coisas acontecem. Obviamente não é a melhor maneira de começar. Foi o que nos calhou em sorte, agora temos que lidar com isto.”

Os Flyers ainda não têm certeza sobre a extensão da lesão, mas não se espera que Giroux falhe o início da época.

Red Wings arrumam a casa antes do training camp

prohockeytalk.nbcsports.com

Enquanto tantas equipas ainda fazem braço de ferro com os seus restricted free agents, os Detroit Red Wings já puseram fim à sua principal disputa, poucos dias antes do início do training camp. Danny DeKeyser assinou um contrato de 2 anos no valor de $2.187 milhões de dólares por ano. Por resolver fica apenas a situação de Daniel Alfredsson. O veterano de 41 anos quer desesperadamente fazer mais uma época, mas as suas costas parece que não querem deixar. Alfredsson está a ser seguido por um especialista e, mesmo que recupere, precisa de um novo contrato. Com a renovação de DeKeyser, os Red Wings ficam com cerca de $3 milhões de dólares em cap space.

DeKeyser será novamente RFA no fim deste contrato, o que é uma situação excelente para os Red Wings. Podem assim utilizar estes dois anos para avaliarem melhor o valor do defesa de 24 anos. Na época passada, a sua 1ª a tempo inteiro na NHL, DeKeyser fez 23 pontos em 65 jogos. Ken Holland explicou o que os Red Wings vêem no jogador. “Ele é um defesa muito bom. Percebe bem como se deve posicionar. Tem mobilidade. Faz um bom primeiro passe. Na época passada deu indicações que pode evoluir também no ataque.”

Alterações de regras para 2014/15

Dallas Stars v New York Islanders

A NHL anunciou hoje um conjunto de alterações das regras, com efeito já no início da próxima temporada. Dentro das mais importantes, deixa de ser permitido fazer o spin-o-rama nos penalty shots e no shootout. Também deixa de ser obrigatório utilizar 3 jogadores diferentes do shootout. O trapezóide atrás da baliza que restringe a movimentação dos guarda-redes – também conhecida pela “Lei de Brodeur” – vai ser alargado por mais 60 centímetros de cada lado.

A revisão de jogadas com recurso ao video será alargado a todas as situações de possível golo. As multas por simulação vão ser mais rígidas, com a possibilidade de aplicar multas também aos treinadores. Para diminuir a possibilidade de atrasar o recomeço do jogo nos face-offs depois de um icing, se um jogador fizer duas violações consecutivas nesta situação será penalizado com dois minutos. No prolongamento, as equipas vão ser obrigadas a trocar de campo, ficando os jogadores mais longe dos bancos e tornando as trocas de linhas ainda mais perigosas. Por último, mesmo que um remate não bata em nenhum defesa antes de sair da pista, o face-off será executado na zona ofensiva. Esta alteração procura não prejudicar uma equipa que colocou o disco fora da pista enquanto tentava criar situações de golo.

São alterações positivas, agora tudo depende da forma como os árbitros as vão aplicar no terreno.

NHL faz alterações ao formato da Draft Lotery

A NHL anunciou hoje mudanças à anual Draft Lotery, o sistema utilizado pela liga para determinar a ordem de selecção no Draft. A mudança será faseada em dois anos, começando no Draft de 2015 e sendo concretizada em pleno no Draft de 2016.

No próximo ano, o modelo mantém-se o mesmo, mas as probabilidades serão redistribuídas. Esta alteração pretende distribuir as probabilidade de uma forma mais equilibrada e dar mais oportunidades às equipas melhor classificadas de subirem na ordem. A equipa que terminar em último lugar passa a ter 20% de probabilidade de escolher em 1º, 5 pontos percentuais abaixo do que acontecia até aqui.

Capturar

A partir de 2016, a Draft Lotery será utilizada, não só para escolher o 1º, mas também para escolher o 2º e o 3º lugar na ordem de selecção. Assim, serão realizados três sorteios, o primeiro para seleccionar a 1ª equipa a escolher no Draft, o segundo para seleccionar a 2ª e o terceiro para seleccionar a 3ª. Com esta mudança, a NHL tenta, mais uma vez, acabar com o fenómeno do tanking, aquelas equipas que propositadamente não tentam ser competitivas só para puderem escolher a próxima grande estrela no Draft. Sim, Buffalo Sabres, estamos a falar de vocês…

Com este novo formato, o último classificado da liga já não tem garantido uma das primeiras 2 escolhas no Draft. Com o top-3 a ser todo sorteado, a equipa pode cair para o 4º lugar.

Mais uma ronda na luta da NHL contra o tanking. É difícil de acreditar que estas alterações irão resolver o problema. A ordem do Draft é um dos mecanismos artificiais que a liga arranjou para promover a paridade entre equipas, permitindo que as piores equipas tenham acesso aos melhores prospects do Draft. É lógico que quem não têm hipóteses de ir aos Playoffs, nem sequer tente e fique à espera de lucrar no Draft.

Este fenómeno é comum a todas as ligas com este tipo de sistema de entrada de novos jogadores. No entanto, não me parece que seja assim um problema tão grande na NHL. Até os Buffalo Sabres têm alguns jogadores de qualidade mundial que valem o preço do bilhete. Qualquer jogo tem as condições para ser um grande espectáculo. Estas alterações não vão resolver o problema do tanking, mas a NHL também não perde muita qualidade por causa disso.

Lightning preparados para dar mais um passo em frente

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Depois de terem ficado em 3º lugar na Conferência Este a época passada, os Tampa Bay Lightning reforçaram-se muito bem durante o defeso. O treinador Jon Cooper já tentou diminuir as expectativas crescentes que são colocadas no ombros dos seus jogadores. Afinal é apenas a sua 2ª época na NHL e ainda está fresco na memória de Cooper a eliminação impiedosa às mãos dos Montreal Canadiens na 1ª ronda dos Playoffs. Mas, apesar da modéstia de Cooper, não há duvida que se prepara uma tempestade em Tampa Bay.

Depois das contratações que fizeram neste verão, os Lightning têm todas as condições para darem um passo em frente e para se afirmarem numa Conferência que tem sido dominada por Boston Bruins e Pittsburgh Penguins. Mas não se enganem, a evolução dos Lightning não começou no dia 1 de Julho deste ano. É um trabalho que já vem de há 4 anos para cá. É estranho pensar nos Lightning como uma equipa em evolução. A equipa da Florida ultrapassou os 100 pontos na época passada e não ficou longe de Bruins e Penguins. Jon Cooper fez um trabalho excepcional no seu primeiro ano na NHL, tendo em conta que perdeu os seus dois melhores jogadores a meio da época: Steven Stamkos por lesão e Martin St. Louis trocado para os New York Rangers.

Ainda assim, os Lightning não transportaram esse sucesso para os Playoffs, onde foram eliminados na 1ª ronda, sem qualquer vitória. Mas os Lightning não deitaram abaixo tudo o que de bom tinham feito até aqui. Mantiveram o caminho traçado e continuaram a melhorar o plantel, com o objectivo de atacar a Divisão Atlântica e, quem sabe, a Conferência Este. A janela de oportunidade dos Lightning começa agora.

Afinar a máquina

Os Lightning não apareceram agora na cena. Passaram apenas 3 anos desde a derrota na Final de Conferência às mãos dos Bruins, que viriam a vencer a Stanley Cup. Nas duas épocas que se seguiram, os Lightning deram alguns passos atrás, principalmente devido à falta de um guarda-redes de qualidade. Passaram por uma fase de reconstrução do plantel, deixando sair Vincent Lecavalier e dando oportunidade a uma fornada de jovens jogadores.

Nikita Kucherov, Ondrej Palat e Tyler Johnson são alguns exemplos de jogadores que aproveitaram esta oportunidade e fazem agora parte do plantel dos Lightning. Palat e Johnson terminaram mesmo em 2º e 3º lugar respectivamente na votação para melhor rookie do ano. Apesar da queda que registaram nas épocas que se seguiram à presença na Final da Conferência Este, os Lightning evitaram uma queda maior graças ao jovens de qualidade que foram escolhendo no Draft. As equipas que se conseguem manter no topo por mais tempo são aquelas que usam melhore o Draft. Ver Detroit Red Wings.

Um trunfo na manga

Nathan MacKinnon maravilhou toda a gente com a sua habilidade e velocidade, conquistando o Calder Trophy para melhor rookie do ano sem qualquer contestação. No entanto, o seu principal adversário na conquista desse prémio não jogou um minuto sequer na NHL. Jonathan Drouin, 3ª escolha no Draft de 2013 e antigo companheiro de MacKinnon nos Halifax Mooseheads, teve que passar mais um ano nos júniores a aprumar as suas capacidades. Ele é o principal favorito a vencer o Calder na próxima época.

Não há grandes dúvidas que Drouin está pronto para a NHL. Ele dominou a liga júnior do Quebeque (QJMHL) nas últimas duas temporadas. Em 95 jogos, Drouin marcou 70 golos e fez 143 assistências, a um ritmo de 2.24 pontos por jogo. São números muito próximos aos registados por Sidney Crosby (2.4 pts/jogo) e superiores aos de Claude Giroux (1.63) na mesma liga.  Não quer com isto dizer que Drouin será o melhor jogador do Mundo. A QJMHL é conhecida por inflacionar os números em relação às outras ligas júnior. Mas mesmo assim, são números excepcionais.

A sua inclusão no plantel será bem-vinda. Drouin tem a qualidade suficiente para ter impacto imediato, já na época de estreia. Os Lightning esperam que a longo prazo Drouin possa ocupar o lugar de Martin St. Louis, ao lado de Steven Stamkos.

O que nos traz a este verão

Antes da abertura do mercado, Steve Yzerman tratou logo dos processos que tinha pendentes, renovando os contratos de Brett Connolly, Alex Killorn, Ondrej Palat, Tyler Johnson e Richard Panik. Ryan Callahan, que foi adquirido na troca de Martin St. Louis, também renovou com os Lightning para as próximas 6 temporadas.

Não satisfeito com o sucesso da época passada, Yzerman procurou reforçar o plantel na free agency, com alguma experiência para complementar a juventude. Para a defesa chegou Anton Stralman, uma das revelações da época passada na equipa dos New York Rangers que chegou à final da Stanley Cup. Stralman será um companheiro perfeito para Victor Hedman, o gigante sueco de 23 anos que tem potencial para ser um dos melhores defesas da liga.

No ataque, a aquisição mais significativa foi de outro ex-Rangers, Brian Boyle. O centro de 29 anos liderou uma das melhores 4ª linhas da NHL na época passada. Ele ganha muitos faceoffs, joga muito bem na zona defensiva e pode ajudar bastante no penalty kill.

Com a Conferência Este à mercê

A Conferência Este está no ponto certo para se dar uma transferência de poderes. Os Bruins serão, mais uma vez, os grandes favoritos à conquista do título, basicamente com o mesmo plantel do ano passado. Mas Chara não vai para novo e com os problemas de salary cap vai ser cada vez mais difícil reforçar a defesa.

Os Pittsburgh Penguins são uma incógnita. Não é inteligente descartá-los à partida, mas vamos ver como é que lidam com a falta de Matt Niskanen e James Neal. Os Lightning já chegaram perto destas duas equipas na época passada e são decididamente a mais reforçada das três. Ben Bishop renovou o seu contrato por mais 2 anos há poucos dias. Se ele continuar a registar números estratosféricos com uma equipa sólida à sua frente, os Tampa Bay Lightning podem fazer estragos.