NHL faz alterações ao formato da Draft Lotery

A NHL anunciou hoje mudanças à anual Draft Lotery, o sistema utilizado pela liga para determinar a ordem de selecção no Draft. A mudança será faseada em dois anos, começando no Draft de 2015 e sendo concretizada em pleno no Draft de 2016.

No próximo ano, o modelo mantém-se o mesmo, mas as probabilidades serão redistribuídas. Esta alteração pretende distribuir as probabilidade de uma forma mais equilibrada e dar mais oportunidades às equipas melhor classificadas de subirem na ordem. A equipa que terminar em último lugar passa a ter 20% de probabilidade de escolher em 1º, 5 pontos percentuais abaixo do que acontecia até aqui.

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A partir de 2016, a Draft Lotery será utilizada, não só para escolher o 1º, mas também para escolher o 2º e o 3º lugar na ordem de selecção. Assim, serão realizados três sorteios, o primeiro para seleccionar a 1ª equipa a escolher no Draft, o segundo para seleccionar a 2ª e o terceiro para seleccionar a 3ª. Com esta mudança, a NHL tenta, mais uma vez, acabar com o fenómeno do tanking, aquelas equipas que propositadamente não tentam ser competitivas só para puderem escolher a próxima grande estrela no Draft. Sim, Buffalo Sabres, estamos a falar de vocês…

Com este novo formato, o último classificado da liga já não tem garantido uma das primeiras 2 escolhas no Draft. Com o top-3 a ser todo sorteado, a equipa pode cair para o 4º lugar.

Mais uma ronda na luta da NHL contra o tanking. É difícil de acreditar que estas alterações irão resolver o problema. A ordem do Draft é um dos mecanismos artificiais que a liga arranjou para promover a paridade entre equipas, permitindo que as piores equipas tenham acesso aos melhores prospects do Draft. É lógico que quem não têm hipóteses de ir aos Playoffs, nem sequer tente e fique à espera de lucrar no Draft.

Este fenómeno é comum a todas as ligas com este tipo de sistema de entrada de novos jogadores. No entanto, não me parece que seja assim um problema tão grande na NHL. Até os Buffalo Sabres têm alguns jogadores de qualidade mundial que valem o preço do bilhete. Qualquer jogo tem as condições para ser um grande espectáculo. Estas alterações não vão resolver o problema do tanking, mas a NHL também não perde muita qualidade por causa disso.

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Primeira ronda do Draft da NHL recheada de motivos de interesse

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A primeira ronda do Draft da NHL realizou-se ontem e não foi parca em acontecimentos que merecem discussão. Apesar do ponto alto da noite ser a realização de um sonho para 30 miúdos de 18 anos, que sacrificaram muito para poderem estar ali, o Draft é sempre um dia de especulação sobre o futuro das equipas. Este ano não nos pudemos queixar. Tivemos duas trocas importantes e muitos motivos de conversa.

Ryan Kesler muda-se para Anaheim

A acção começou ainda antes do Draft. Os Anaheim Ducks adquiriram Ryan Kesler aos Vancouver Canucks, em troca de Nick Bonino, Lucas Sbisa e a 24ª escolha no Draft. Os Ducks são sempre uma equipa forte todos os anos, impulsionados pela dupla Ryan Getzlaf/Corey Perry, mas falta-lhes qualquer coisa para entrarem na lista exclusiva de candidatos à Stanley Cup. Um dos problemas dos Ducks tem sido a dependência da 1ª linha e a falta de um centro de 2ª linha. Com Kesler, esse problema fica resolvido, e ainda permite retirar algumas responsabilidades defensivas a Getzlaf.

Os Canucks têm um novo GM e uma nova atitude. Jim Benning não perdeu tempo em mexer na equipa. Depois de trocar Kesler, também se livrou do contrato pesado de Jason Garrison para os Tampa Bay Lightning. Com estas duas trocas, os Canucks libertaram muito espaço salarial e espera-se que sejam uma das equipas mais movimentadas na free agency.

O Público de Filadélfia

Os adeptos de Filadélfia são dos mais aguerridos da NHL. Quando toca a defender os seus Flyers, ninguém escapa. Quem não podia sair de Filadélfia sem uma boa assobiadela era Gary Bettman. O comissário da liga é desprezado na grande maioria das cidades que acolhem as equipas da NHL, mas os adeptos dos Flyers têm-lhe um ódio especial. Mal Gary Bettman subiu ao palco para dar início ao Draft, começaram os assobios. O comissário não se mostrou incomodado, tentou brincar com a situação, perguntando se aquela não era a Cidade do Amor Fraternal, mas nada conseguiu parar os adeptos mais fervorosos.

Os apupos não se limitaram a Bettman. Na leitura da ordem do Draft, o público brindou todas as equipas, à excepção dos Flyers claro, com um apropriado “YOU SUCK”. Quando os Pittsburgh Penguins, rivais do estado da Pensilvânia, subiram ao palco para fazerem a sua escolha, a assobiadela ainda foi mais forte do que a de Bettman. É chato para os miúdos, serem assobiados num dia de festa. Mas este é o espírito dos fãs da NHL, os mais apaixonados de todos os desportos. Assim sempre se vão habituando ao ambiente do Wells Fargo Center.

Aaron Ekbald acabou mesmo por ser o 1º

Em muitas das listas, Ekblad aparecia como o melhor jogador deste Draft. Um defesa grande, com um slapshot temível e que, segundo a grande maioria dos olheiros, está pronto para a NHL. Os Florida Panthers tinham a 1ª escolha e chegaram a tentar trocá-la, mas as propostas acabaram por não serem suficientes para convencer Dale Tallon. O GM dos Panthers entrou no espírito da coisa e fez uma pausa para efeitos de suspense, antes de finalmente dizer o nome de Ekblad.

Leon Draisaitl fez história

Ao ser escolhido pelos Edmonton Oilers na 3ª posição, Leon Draisaitl tornou-se no alemão a ser seleccionado mais cedo num Draft da NHL, ultrapassando Marcel Goc que tinha sido o 20º jogador escolhido no Draft de 2001. Conhecido na Alemanha pela alcunha “The German Gretzky”, Draisaitl vê a sua entrada na NHL como uma oportunidade de fazer crescer o hockey no seu país.

Penguins despacham James Neal

Os Penguins mudaram toda a orientação da equipa. Jim Rutherford é o novo GM e quis deixar já a sua marca. Resta saber se foi pelo melhor. Os Penguins enviaram James Neal para os Nashville Predators, em troca de Patric Hornqvist e Nick Spaling. A verdade é que não se percebe muito bem o que é que os Pens ganham com esta troca. James Neal é um dos bons goleadores que há na NHL. Ele marcou 40 golos em 2010/11, ao lado de Evgeni Malkin. Vamos ver como é que os Penguins substituem esses golos.

Hornqvist também é capaz de marcar, mas não tem o remate de Neal. É um jogador que gosta de ir para a frente da baliza e encostar. Nick Spaling é jovem e polivalente. Pode ajudar a resolver o problema da profundidade das linhas secundárias dos Pens. No entanto, nenhum deles tem a qualidade de Neal e, em termos de salary cap, os Penguins ficam praticamente na mesma.

Islanders sobem no Draft para escolher jogador problemático

Os Islanders trocaram para puderem escolher Josh Ho-Sang, jogador que tinha dado muito que falar. Ho-Sang era um dos avançados mais talentosos à partida para o Draft, mas caiu nas listas devido à sua atitude arrogante. Isso levou a questões sobre a sua personalidade e capacidade de se integrar numa equipa, o que não impediu os Islanders de arriscar. Quando inquirido sobre a polémica à volta de Ho-Sang, o GM dos Islanders Garth Snow respondeu à letra.

Aaron Ekblad lidera o Top-10 do Draft de 2014

Hoje é o dia em que os fãs da NHL podem projectar o futuro da sua equipa. São muitos os jovens que anseiam pela sua entrada na melhor liga de hóquei no gelo do Mundo, e alguns deles vão mudar o destino da equipa que os escolher. O Draft é dia também de trocas e especulação, mas nunca devemos perder de vista o mais importante. Este é um dia de festa para 210 jovens jogadores, o dia em que finalmente vão realizar o seu sonho. O sonho que perseguem desde a infância e que a tantos sacrifício obrigou.

Fique a conhecer os jogadores mais bem colocados para serem os primeiros a subirem ao palco.

1 – Aaron Ekblad, Defesa, Barrie Colts (OHL)

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 58
Golos: 23
Assistências: 30
Pontos: 53

Ekblad foi o primeiro defesa a quem foi concedido o carácter de “jogador excepcional”, que lhe permitiu entrar para a OHL antes de atingir a idade mínima. John Tavares foi o primeiro jogador a quem foi concedido este estatuto especial. Considerado por muito olheiros como o melhor jogador deste Draft, Ekblad tem a capacidade de influenciar o jogo em todas as suas fases. Bom patinador, excelente técnica para um jogador com 1.93m e um slapshot que aterroriza os guarda-redes adversários. Ao contrário do costuma acontecer com os defesas, Ekblad tem tudo para competir na NHL já na próxima época.

Comparação: Shea Weber

2 – Sam Reinhart, Centro, Kootenay Ice (WHL)

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 60
Golos: 36
Assistências: 69
Pontos: 105

Ninguém ficaria surpreso de ver Sam Reinhart ser escolhido em 1º. Reinhart tem tudo aquilo que se pode pedir a um centro. Joga bem na sua zona, é muito inteligente com o disco e tem um instinto ofensivo apurado. Ele acerta na baliza de qualquer ângulo, mas é a sua capacidade de assistir os companheiros que aguça o interesse dos olheiros. Com passe e visão de jogo, Reinhart consegue ditar a velocidade do jogo a seu belo prazer.

Comparação: Patrick Marleau

3 – Sam Bennett, Centro, Kingston Frontenacs (OHL)

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 57
Golos: 36
Assistências: 55
Pontos: 91

Apesar de todo o seu potencial, um episódio caricato no Draft Combine moldou a percepção que se tem deste jogador. No Combine, Bennet só conseguiu fazer uma puxada na barra fixa, o que deixou na cabeça dos olheiros algumas dúvidas quanto à sua capacidade física. Mas a força não é a arma de Bennett. É a velocidade. Velocidade de patinagem, mas mais importante, velocidade de pensamento. Muito bom na sua zona, Bennett tem tudo para ser um centro completo, capaz de jogar em qualquer top-6 da liga.

Comparação: Paul Stasny

4 – Leon Draisaitl, Centro, Prince Albert Raiders (WHL)

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 64
Golos: 38
Assistências: 67
Pontos: 105

Draisaitl é um jogador forte, eficaz na zona defensiva e ofensiva. Apesar de todas as capacidades ofensivas, é o seu jogo defensivo que espanta os olheiros. Para além de ser uma combinação rara de técnica e força, Draisaitl têm uma intensidade a proteger o disco que já lhe valeu comparações com Jaromir Jagr. A patinagem é um problema, mas algo que pode ser resolvido quando chegar à NHL. Draisaitl tem tudo para ser o primeiro alemão a ser escolhido no Top-5 do Draft.

Comparação: Ryan O’Reilly

5 – Michael Dal Colle, Ala Esquerdo, Oshawa Generals (OHL)

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 67
Golos: 39
Assistências: 56
Pontos: 95

Em duas épocas na OHL, Dal Colle registou 143 pontos. Ele tem técnica e velocidade para bater qualquer defesa, mas também é capaz de atacar a baliza e marcar aqueles golos feios. Tem um remate colocadíssimo e forte, com um release quase imediato. Tudo o que é preciso para se ser um sniper na NHL. Talvez ainda lhe falte algum tamanho e força, mas não é difícil perceber que ele será um dos melhores goleadores da NHL nos próximos anos.

Comparação: Patrick Kane

6 – Nick Ritchie, Ala Esquerdo, Peterborough Pete’s (OHL)

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 61
Golos: 39
Assistências: 35
Pontos: 74

Há uma expressão muito utilizada pelos olheiros para descrever Nick Ritchie: he looks like a man among boys. Ele já tem a estampa fisíca para jogar na NHL, aliada a uma velocidade de patinagem acima da média, para um jogador com 1.90m e e 104 Kg. A inconsistência na última época roubou-lhe a possibilidade de alcançar os primeiros lugares desta lista. mas é difícl encontrar neste Draft a combinação de força, velocidade e explosividade que Ritchie exibe. O seu jogo físico é obviamente excelente, podendo ser uma força imparável no forecheck, mas precisa de melhorar na zona defensiva e tem a tendência de desaparecer durante grandes períodos do jogo.

Comparação: Jamie Benn

7 – Jake Virtanen, Ala Esquerdo, Calgary Hitmen (WHL)

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 71
Golos: 45
Assistências: 26
Pontos: 71

Jake Virtanen tem um dos melhores remates deste Draft, para além de ser também um dos melhores patinadores. Esta combinação torna muito provável a sua escolha nos primeiros 10. Virtanen teve um época extraordinária este ano pelos Calgary Hitmen, onde marcou 45 golos, 32 dos quais em 5-contra-5, mais do que qualquer outro jogador naquela liga. A única preocupação em relação a Virtanen é que os seus golos sejam inflacionados por ter jogado ao lado de jogadores mais velhos, um passo acima no desenvolvimento. Mesmo com tantos golos, Virtanen foi apenas o 3º melhor marcador da equipa.

Comparação: Blake Wheeler

8 – Haydn Fleury, Defesa, Red Deer Rebels

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 70
Golos: 8
Assistências: 38
Pontos: 46

Haydn Fleury é sem dúvida o 2º melhor defesa disponível neste Draft. Excelente patinador, Fleury usa muitas vezes o seu trabalho de pés para resolver as situações mais complicadas. Essa capacidade permite-lhe ser um jogador calmo quando pressionado pelos adversários, algo muito importante numa NHL onde cada vez mais se faz um forecheck intenso. Está a alguma distância do talento de Aaron Ekblad, mas o fosso entre Fleury e o próximo defesa deste Draft ainda é maior.

Comparação: Dan Hamhuis

9 – William Nylander, Centro, Sodertaje SK (Suécia)

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 57
Golos: 16
Assistências: 18
Pontos: 34

Nylander tem todas as armas que um playmaker precisa para ter impacto na NHL, mas a sua principal característica é o controlo do disco. Nylander é um dos jogador mais habilidosos deste Draft. Mais do que a técnica, é a paciência que demonstra com o disco. Juntando isso à sua visão de jogo, Nylander pode-se tornar num excelente centro, ideal para criar jogadas de perigo para ele próprio e para os seus colegas de equipa.

Comparação: Martin St. Louis

10 – Nikolaj Ehlers, Ala Esquerdo, Halifax Mooseheads (QMJHL)

Estatísticas de 2013/14
Jogos: 63
Golos: 49
Assistências: 55
Pontos: 104

Antes de se mudar para o Canadá, Ehlers jogou no EHC Biel da liga suíça na época de 2012/13, contra jogadores muito mais experientes e deu-se bem. Durante o lockout, o dinamarquês teve a oportunidade de jogar ao lado de grandes estrelas da NHL, como Tyler Seguin e Patrick Kane. Quando chegou à QMJHL, explodiu com 104 pontos em 63 jogos, vencendo o prémio de rookie do ano da CHL. Ele é o pacote completo. Rápido, boa técnica, criatividade e intensidade. Não é muito grande, mas consegue impor o seu jogo sobre qualquer adversário.

Comparação: Zach Parise