Leafs pensam em separar JVR e Kessel

James van Reimsdyk
Frank Gunn/The Canadian Pres

Os Toronto Maple Leafs têm muito problemas, mas a dupla James van Reimsdyk e Phil Kessel não é um deles. Os dois foram os melhores marcadores da equipa na época passada e participaram em 30% dos golos dos Leafs. Fizeram parte da 2ª linha mais produtiva da liga, combinando para um total de 190 pontos. Só por isso, seria de evitar mexer num dos pontos fortes da equipa. No entanto, separar a 1ª linha dos Leafs faz mais sentido do que parece à primeira vista.

No primeiro dia do training camp, Randy Carlyle, o treinador dos Maple Leafs, constatou que tem várias opções para a 1ª linha que vão para além de James van Reimsdyk, Tyler Bozak e Phil Kessel. Um dos principais problemas dos Leafs na época passada foi a produção ofensiva para lá dessa 1ª linha. Para além de van Reimsdyk e Kessel, nenhum outro jogador ultrapassou a barreira dos 50 pontos. Separar os dois pode ajudar a equilibrar melhor o alinhamento e, assim, construir um ataque mais potente.

Os Leafs têm outro jogador que se dá bem com Kessel: Joffrey Lupul. Nas últimas 3 épocas, Lupul passou sensivelmente metade do seu tempo de jogo (em 5v5) ao lado de Kessel, onde facturavam a um ritmo de 3.7 golos por 60 minutos de ice time. Nos minutos em que não estava com Kessel, esse número desceu para os 2.5 golos/60 min. Os números de van Reimsdyk também são mais baixos quando não está com Kessel, mas não tão baixos como os de Lupul. Para além disso, ele já tinha demonstrado capacidades em Philadelphia.

James van Reimsdyk também poderia ajudar a revitalizar os números de Nazem Kadri. Pode desviar mais as atenções dos defesas e dar espaço à criatividade do centro. Quem sabe se isso não será o que falta para Kadri deixar de ser um jogador de 50 pontos por época para passar a ser um de 70. Certamente o seu “casamento” com Lupul e Clarkson não está a funcionar e há que experimentar outras soluções.

Estamos ainda numa fase precoce. Daqui até ao começo da época ainda vão ser experimentadas muitas combinações diferentes. Nos Leafs e em todas as outras equipas da NHL. Este é o momento para os treinadores perceberem quais e quantas são as opções que têm à sua disposição. Nada é de pedra e cal nesta altura. Tudo pode mudar radicalmente, mas é reconfortante saber que os Leafs estão abertos à mudança e a procurar soluções para fazer evoluir a equipa.

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Lightning preparados para dar mais um passo em frente

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Depois de terem ficado em 3º lugar na Conferência Este a época passada, os Tampa Bay Lightning reforçaram-se muito bem durante o defeso. O treinador Jon Cooper já tentou diminuir as expectativas crescentes que são colocadas no ombros dos seus jogadores. Afinal é apenas a sua 2ª época na NHL e ainda está fresco na memória de Cooper a eliminação impiedosa às mãos dos Montreal Canadiens na 1ª ronda dos Playoffs. Mas, apesar da modéstia de Cooper, não há duvida que se prepara uma tempestade em Tampa Bay.

Depois das contratações que fizeram neste verão, os Lightning têm todas as condições para darem um passo em frente e para se afirmarem numa Conferência que tem sido dominada por Boston Bruins e Pittsburgh Penguins. Mas não se enganem, a evolução dos Lightning não começou no dia 1 de Julho deste ano. É um trabalho que já vem de há 4 anos para cá. É estranho pensar nos Lightning como uma equipa em evolução. A equipa da Florida ultrapassou os 100 pontos na época passada e não ficou longe de Bruins e Penguins. Jon Cooper fez um trabalho excepcional no seu primeiro ano na NHL, tendo em conta que perdeu os seus dois melhores jogadores a meio da época: Steven Stamkos por lesão e Martin St. Louis trocado para os New York Rangers.

Ainda assim, os Lightning não transportaram esse sucesso para os Playoffs, onde foram eliminados na 1ª ronda, sem qualquer vitória. Mas os Lightning não deitaram abaixo tudo o que de bom tinham feito até aqui. Mantiveram o caminho traçado e continuaram a melhorar o plantel, com o objectivo de atacar a Divisão Atlântica e, quem sabe, a Conferência Este. A janela de oportunidade dos Lightning começa agora.

Afinar a máquina

Os Lightning não apareceram agora na cena. Passaram apenas 3 anos desde a derrota na Final de Conferência às mãos dos Bruins, que viriam a vencer a Stanley Cup. Nas duas épocas que se seguiram, os Lightning deram alguns passos atrás, principalmente devido à falta de um guarda-redes de qualidade. Passaram por uma fase de reconstrução do plantel, deixando sair Vincent Lecavalier e dando oportunidade a uma fornada de jovens jogadores.

Nikita Kucherov, Ondrej Palat e Tyler Johnson são alguns exemplos de jogadores que aproveitaram esta oportunidade e fazem agora parte do plantel dos Lightning. Palat e Johnson terminaram mesmo em 2º e 3º lugar respectivamente na votação para melhor rookie do ano. Apesar da queda que registaram nas épocas que se seguiram à presença na Final da Conferência Este, os Lightning evitaram uma queda maior graças ao jovens de qualidade que foram escolhendo no Draft. As equipas que se conseguem manter no topo por mais tempo são aquelas que usam melhore o Draft. Ver Detroit Red Wings.

Um trunfo na manga

Nathan MacKinnon maravilhou toda a gente com a sua habilidade e velocidade, conquistando o Calder Trophy para melhor rookie do ano sem qualquer contestação. No entanto, o seu principal adversário na conquista desse prémio não jogou um minuto sequer na NHL. Jonathan Drouin, 3ª escolha no Draft de 2013 e antigo companheiro de MacKinnon nos Halifax Mooseheads, teve que passar mais um ano nos júniores a aprumar as suas capacidades. Ele é o principal favorito a vencer o Calder na próxima época.

Não há grandes dúvidas que Drouin está pronto para a NHL. Ele dominou a liga júnior do Quebeque (QJMHL) nas últimas duas temporadas. Em 95 jogos, Drouin marcou 70 golos e fez 143 assistências, a um ritmo de 2.24 pontos por jogo. São números muito próximos aos registados por Sidney Crosby (2.4 pts/jogo) e superiores aos de Claude Giroux (1.63) na mesma liga.  Não quer com isto dizer que Drouin será o melhor jogador do Mundo. A QJMHL é conhecida por inflacionar os números em relação às outras ligas júnior. Mas mesmo assim, são números excepcionais.

A sua inclusão no plantel será bem-vinda. Drouin tem a qualidade suficiente para ter impacto imediato, já na época de estreia. Os Lightning esperam que a longo prazo Drouin possa ocupar o lugar de Martin St. Louis, ao lado de Steven Stamkos.

O que nos traz a este verão

Antes da abertura do mercado, Steve Yzerman tratou logo dos processos que tinha pendentes, renovando os contratos de Brett Connolly, Alex Killorn, Ondrej Palat, Tyler Johnson e Richard Panik. Ryan Callahan, que foi adquirido na troca de Martin St. Louis, também renovou com os Lightning para as próximas 6 temporadas.

Não satisfeito com o sucesso da época passada, Yzerman procurou reforçar o plantel na free agency, com alguma experiência para complementar a juventude. Para a defesa chegou Anton Stralman, uma das revelações da época passada na equipa dos New York Rangers que chegou à final da Stanley Cup. Stralman será um companheiro perfeito para Victor Hedman, o gigante sueco de 23 anos que tem potencial para ser um dos melhores defesas da liga.

No ataque, a aquisição mais significativa foi de outro ex-Rangers, Brian Boyle. O centro de 29 anos liderou uma das melhores 4ª linhas da NHL na época passada. Ele ganha muitos faceoffs, joga muito bem na zona defensiva e pode ajudar bastante no penalty kill.

Com a Conferência Este à mercê

A Conferência Este está no ponto certo para se dar uma transferência de poderes. Os Bruins serão, mais uma vez, os grandes favoritos à conquista do título, basicamente com o mesmo plantel do ano passado. Mas Chara não vai para novo e com os problemas de salary cap vai ser cada vez mais difícil reforçar a defesa.

Os Pittsburgh Penguins são uma incógnita. Não é inteligente descartá-los à partida, mas vamos ver como é que lidam com a falta de Matt Niskanen e James Neal. Os Lightning já chegaram perto destas duas equipas na época passada e são decididamente a mais reforçada das três. Ben Bishop renovou o seu contrato por mais 2 anos há poucos dias. Se ele continuar a registar números estratosféricos com uma equipa sólida à sua frente, os Tampa Bay Lightning podem fazer estragos.

Há uma nova força no Oeste

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Como se a Conferência Oeste não fosse já forte o suficiente, parece que há outra grande equipa a nascer daquele lado da NHL. Desde que chegou aos Dallas Stars, o novo GM Jim Nill tem montado aos poucos uma equipa capaz de competir com os monstros sagrados da Conferência. O objectivo é devolver à equipa a sua antiga glória, a glória dos anos de Mike Modano e da conquista da Stanley Cup de 99.

Star Power

Quando chegou a Dallas, a primeira missão de Jim Nill era encontrar um centro de 1ª linha que pudesse dar continuação ao legado de Modano. Um jogador de elite, um perigo constante para a baliza do adversário, um jogador que os outros temessem. Nill não demorou muito a encontrar o homem ideal. No verão passado, Tyler Seguin chegou dos Bruins, na troca que enviou Louie Eriksson e Reilly Smith para Boston. O jovem de 22 anos não encontrou o seu espaço no plantel dos Bruins e, tendo sido a 2ª escolha do Draft de 2010, tinha potencial para liderar o ataque dos Stars.

Juntamente com Jamie Benn, Seguin formou uma das melhores duplas da época passada. Juntos fizeram 71 golos e 92 assistências. Seguin terminou no 4º lugar da lista dos melhores marcadores da NHL, com 84 pontos. Acima dele só ficaram os 3 nomeados para MVP da época regular: Sidney Crosby, Ryan Getzlaf e Claude Giroux. Seguin, Benn e um miúdo russo com muito potencial chamado Valeri Nichushkin, asseguram que os Stars têm estrelas suficientes para venderem muitas camisolas na próxima década.

Um só não chega

A época passada foi de relativo sucesso. Os Stars qualificaram-se para os Playoffs e obrigaram os favoritos Anaheim Ducks a irem ao Jogo 7. Claro que para Jim Nill isso não chega, e por isso partiu para o Draft à procura de melhorar ainda mais o seu plantel. Olhando para a Conferência Oeste, existe um corrida para reforçar a posição de Centro. Os Ducks adquiriram Ryan Kesler, os Blues contrataram Paul Stastny, e os Blackhawks reforçaram a 2ª linha com Brad Richards. Para não falar dos actuais campeões da Stanley Cup, Los Angeles Kings, que têm Anze Kopitar, Jeff Carter, Jarett Stoll e Mike Richards, quatro centros de grande nível.

Os Stars não quiseram ficar atrás e adquiriram o antigo capitão dos Ottawa Senators, Jason Spezza. Spezza é um jogador com grandes qualidades ofensivas. Tem grande criatividade e um excelente remate. Já os seus números defensivos têm piorado nos últimos anos. Ele já não consegue manter a posse do disco como fazia nos primeiros anos da sua carreira, mas a sua eficácia na zona ofensiva é suficiente para os Stars apostarem nele.

Defesa entregue aos jovens

Para além de Spezza, os Stars acertaram contrato com Ales Hemsky, também ele um ex-Senator, que deverá jogar ao lado de Seguin e Benn na 1ª linha do ataque. Com estas duas aquisições, os Stars melhoraram substancialmente o seu ataque, mas a defesa continua sem mexidas, quando à partida seria o sector mais necessitado de reforços.  Jim Nill disse que não deve fazer grandes alterações na defesa e que confia nos jovens que tem no clube.

O 1º par defensivo está definido. Alex Goligoski e Trevor Daley registaram uma melhoria substancial no fim da época passada e serão a principal aposta do treinador Lindy Ruff. Goligoski terminou a temporada com 9 pontos nos últimos 13 jogos. Brenden Dillon, Jordie Benn (irmão de Jamie Benn) e Kevin Connauton também devem fazer parte dos planos, depois de se terem afirmado esta época. O outro lugar disponível depende do que os Stars decidirem fazer com Sergei Gonchar. O russo ainda tem a capacidade para ajudar a equipa a partir do 3º par defensivo, e principalmente no powerplay, mas são $5 milhões de dólares que podem ser melhor utilizados noutro sítio.

Decisões ainda por tomar

Os Stars já não são uma equipa que poupa nos salários. A organização quer ganhar e está disposta a gastar dinheiro para que tal aconteça. Os Stars ainda têm $7 milhões de dólares em cap space, mas existem 3 jogadores importantes à espera de renovar: Cody Eakin, Antoine Roussel e Brenden Dillon. Eakin e Roussel formaram com Ryan Garbutt uma 3ª linha muito boa na época passada. Os Stars têm a vantagem na negociação uma vez que os 3 são restricted free agents, o que significa que só podem assinar contrato com os Stars.

O plantel tem centros a mais. A juntar a Seguin e Spezza, os Stars contam ainda com Cody Eakin, Shawn Horcoff, Rich Peverley e Vernon Fiddler. Peverley teve um episódio cardíaco durante um jogo e não se sabe ainda se vai puder continuar a competir. Shawn Horcoff não parece ter lugar nesta equipa e pode ser trocado, abrindo espaço para renovar aqueles jogadores que precisam de novo contrato. Outro jogador que pode estar de saída é Erik Cole. O ala chegou a ficar na bancada em 3 jogos durante os Playoffs e o seu contrato de $4.5 milhões é bastante pesado.

São apenas algumas soluções à disposição de Jim Nill. Até aqui ele tem feito um trabalho irrepreensível, mas encontrar espaço para renovar com 3 jogadores importantes vai ser um novo desafio para o GM dos Stars. Se ele conseguir safar-se desta, cuidado Conferência Oeste! There’s a new Sheriff in town!

New York Islanders – O insucesso e a nova tentativa de reconstrução

 

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Potvin e Trottier, duas lendas da dinastia dos New York Islanders.

Pode custar a acreditar, mas os New York Islanders foram, em tempos, um dos franchises mais bem sucedidos da NHL: a maior dinastia de sempre (1980-85), com 5 finais da Stanley Cup e 4 Stanley Cups em apenas 5 anos, pertence a esta equipa. Os Islanders também detêm uma marca importantíssima na história do desporto profissional: um recorde máximo de 19 séries seguidas sem perder (!), também entre 1980 e 1985. Por esta altura, o futuro avizinhava-se brilhante e parecia que nada podia parar os rapazes de Long Island.

A verdade é que, num curto período de tempo, tudo mudou. É preciso remontar a 1993 para ver os Islanders vencerem uma série nos playoffs. Desde aí, o máximo que conseguiram foram umas míseras 6 qualificações em 20 épocas (não houve época em 2004-05) para os quartos de final da Eastern Conference. Apesar de todo o insucesso que persegue este franchise há mais de duas décadas e das múltiplas tentativas falhadas de uma reconstrução ‘com pés e cabeça’ do plantel, os Long Islanders não perdem a esperança.

Época 2014/2015 – os prós

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Jaroslav Halak, atuando pelos St. Louis Blues.

Para já, existem algumas coisas boas a retirar desta offseason. O GM Garth Snow fez, surpreendentemente e ao contrário do que tem mostrado ao longo dos últimos anos no cargo, bons negócios. As duas 1st round-picks a que teve direito este ano foram muito bem utilizadas: Michael dal Colle, o talentoso extremo-esquerdo que promete entrar na 1ª linha e jogar com Tavares e Okposo daqui a alguns anos, e Joshua Ho-Sang, o centro de 18 anos com um enorme potencial. Ho-Sang só não foi escolhido mais cedo no draft devido à polémica que se gerou em torno da sua personalidade problemática.

Para juntar ao draft bem-sucedido, um dos maiores problemas dos Islanders nos últimos tempos (o guarda-redes) aparentemente chegou ao fim, com a mais que provável saída do medíocre Evgeni Nabokov para a entrada de Jaroslav Halak. Halak, com uma SV% de 0.920 na época transacta, veio para os Isles em troca de uma 4th round-pick, o que acaba por ser um excelente negócio de Snow. Halak, alguns dias após a sua aquisição, assinou um novo contrato de 4 anos no valor de 18 milhões de dólares.

As contratações dos jovens defesas Loic Leduc e Ville Pokka também parecem ser bastante sensatas. O 1º, 4th round-pick do draft de 2012, ainda tem que evoluir bastante. Já o 2º, 2nd round-pick em 2012, fez uma excelente época na SM-liiga (principal liga finlandesa) e parece encontrar-se pronto para, pouco a pouco, ir ganhando minutos de jogo.

Época 2014/2015 – os contras

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Nassau Veterans Memorial Colliseum, em dia de jogo.

Mas, como seria de esperar de Snow, já cometeu erros: obteve Dan Boyle, um experiente defesa, por uma 5th round-pick (que passava a 4th, se Boyle assinasse um novo contrato). Até aqui, tudo bem… afinal de contas, um dos maiores problemas no plantel dos Isles era a falta de um defesa experiente. O problema é que, para além de não assinar um novo contrato para ficar em Long Island, decidiu transferir-se para os maiores rivais: os New York Rangers. Estas péssimas trocas começam a ser habituais para os adeptos, já que na última época Snow deu Matt Moulson, o até então jogador favorito dos fãs, mais uma 1st round-pick condicional e uma 2nd round-pick para adquirir a estrela austríaca Thomas Vanek, que acabou por não querer assinar um novo contrato com os Islanders.

Um dos maiores contras para a última época no Nassau Veterans Memorial Colliseum (mudança para o Barclays Center em 2015) é, por mais incrível que pareça, o presidente Charles Wang. Wang continua a não querer investir na equipa, obrigando Snow a trabalhar com poucos recursos. Um franchise como os New York Islanders tem que pagar bastante para atrair um jogador de calibre elevado, porque sejamos realistas: jogar em Long Island não é o sonho de nenhum grande jogador. Os Isles continuam a precisar de investir em defesas para o 1ª e 2ª par, mas Wang não se ‘chega à frente’. Isto faz com que Jack Capuano, o treinador principal, seja forçado a utilizar jogadores inexperientes ou em declínio na defesa. Sem uma boa defesa para toda a época, é complicado chegar longe.

A esperança

Apesar da gestão danosa e da incompetência à volta da equipa de Nova Iorque durante todos estes anos, os adeptos mantêm-se confiantes acerca do futuro. Muitos acreditam que em 2015, com a mudança para Brooklyn e com a possível venda da equipa por parte de Wang, os Islanders voltarão a ser uma presença assídua nos playoffs a médio prazo. Outros, mais esperançosos, acreditam que esta época será melhor que as anteriores e que chegarão longe nos playoffs, despedindo-se assim do seu ‘velhinho’ coliseu em grande. Este último cenário pode parecer pouco provável, mas afinal é disto que se trata ser um verdadeiro adepto, um verdadeiro aficionado, um verdadeiro Islander: ter sempre a esperança de que as coisas possam vir a melhorar e que, a longo prazo, a Stanley Cup possa voltar a passar pelas mãos dos jogadores de laranja e azul… por mais ‘negro’ que o cenário atual possa ser.

Texto da autoria de Tiago Teixeira.

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John Tavares e os seus colegas de equipa, celebrando um golo contra os Tampa Bay Lightning.

Sam Gagner foi um Lightning por poucas horas

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Não seria uma off-season da NHL sem rumores sobre Sam Gagner. Ontem, o centro de 24 anos foi finalmente trocado para os Tampa Bay Lightning, em troca de Teddy Purcell. Esta troca veio dois dias antes da activação do no-trade clause que existe no contrato de Gagner.

A aquisição de Sam Gagner não fazia sentido no plantel dos Lightning. A equipa da Florida está bem apetrechada na posição de centro, com Steven Stamkos, Valtteri Filppula e Tyler Johnson. Alguns analistas avançaram a hipótese de Gagner passar a jogar numa ala, mas a ideia de Steve Yzerman era outra. Passadas poucas horas, Gagner foi trocado novamente, desta vez para os Phoenix Coyotes juntamente com B.J. Crombeen, em troca de uma 6ª ronda no Draft de 2015.

Não é a primeira vez que Yzerman faz este tipo de movimentações. Em 2012, fez o mesmo com Kyle Quincey. Yzerman não se ficou por aqui e ainda enviou Nate Thompson para os Anaheim Ducks, em troca de uma 4ª e um 7ª ronda no Draft de 2015. Com estas trocas, os Lightning aliviaram mais de $7 milhões de dólares na folha salarial, receberam 3 escolhas no Draft e ainda abriram espaço no plantel para os jovens jogadores que têm no sistema.

Para os Oilers, a troca faz menos sentido. Apesar dos constantes rumores, os Oilers não obtiveram aquilo que precisavam. Teddy Purcell é um bom jogador, mas, que eu saiba, ainda não joga à defesa. Com a saída de Gagner, os Oilers ficam sem centro para a 2ª linha. A menos que estejam a pensar colocar Leon Draisaitl já na equipa principal, deverão ter que recorrer à free agency para tapar este buraco.

Cinco prováveis dispensas

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A partir do dia de hoje, as equipas da NHL podem exercer o direito de dispensar um jogador sem as habituais penalizações. Normalmente, quando uma equipa dispensa um jogador é obrigada a pagar a totalidade do contrato e ainda sofre uma penalização no salary cap. Fruto do acordo alcançado no último contrato colectivo de trabalho, as equipas têm agora a possibilidade de dispensar um jogador sem pesar no salary cap.

Por diferentes razões, vários jogadores encontram-se em perigo de serem dispensados. As equipas podem utilizar esta vantagem para ganharem alguma folga salarial, na preparação para a free agency. Aqui ficam os 5 mais prováveis dispensados durante este mês.

Brad Richards – New York Rangers

Contrato: $6.66 milhões de dólares por ano até 2019/20

Brad Richards teve uma boa época ao serviço dos New Rangers, com 51 pontos em 82 jogos. Parte da sua recuperação é devida à influência do novo treinador, Alain Vigneault, que lhe deu uma liberdade que nunca lhe foi permitida durante o reinado de John Tortorella. Mesmo assim, Richard tem 34 anos e as suas capacidades diminuem a olhos vistos.

Richards terá 39 anos quando o contrato de $6.66 milhões acabar. Para os Rangers, será melhor desfazerem-se deste peso, uma vez que têm uma mão cheia de jogadores jovens para renovar. Derick Brassard, Mats Zuccarello, Anton Stralman e Chris Kreider, todos tiveram épocas de afirmação e têm o contrato a terminar.

Ville Leino – Buffalo Sabres

Contrato: $4.5 milhões de dólares por ano até 2016/17

Depois de uma época desastrosa, os Buffalo Sabres são uma equipa em reconstrução. Ville Leino foi contratado depois de um percurso incrível nos Playoffs de 2011 com os Philadelphia Flyers, mas nunca mais conseguiu atingir esse nível.

Para dizer a verdade, Leino foi um dos piores jogadores da NHL, qualquer que seja as estatísticas que se utilizem. O avançado finlandês não marcou qualquer golo em 58 jogos, foi o jogador que menos remates produziu na NHL e também um dos que menos pontos marcou por jogo. Leino é mais do que candidato. Quer seja pela situação da equipa, quer seja pela sua produção, a sua dispensa é mais do que óbvia.

Martin Havlat – San Jose Sharks

Contrato: $5 milhões de dólares por ano até 2014/15

Os San Jose Sharks já informaram o jogador que não vão contar com ele para a próxima época. Vão tentar trocá-lo primeiro, mas um contrato destes é difícil de movimentar e o mais provável será a sua dispensa. Os Sharks sofreram um enorme revés, com a derrota na 1ª ronda frente aos eventuais campeões Los Angeles Kings, e deverão executar uma autêntica revolução no plantel. Os $5 milhões vão dar muito jeito nessa reconstrução.

Havlat não é um mau jogador. Ele marcou 22 pontos em 48 jogos, fazendo parte de uma 3ª linha muito forte dos Sharks. Mas as lesões têm impedido que o checo esteja no seu melhor. Mesmo sem lesões, o contrato é muito pesado. O seu salário está ao nível de James Neal, Bobby Ryan e Jamie Benn. Ele não.

Ryan Malone – Tampa Bay Lightning

Contrato: $4.5 milhões de dólares por ano até 2014/15

Com a saída de Martin St. Louis, os Tampa Bay Lightning viraram uma página da sua história. Das estrelas que trouxeram a Stanley Cup em 2004 apenas sobra Malone. Os Lightning foram uma das grandes surpresas da época, com um contingente impressionante de jovens a apoiar o novo líder da equipa, Steven Stamkos. Desde que chegou ao cargo, o GM dos Lightning Steve Yzerman tem aplicado uma estratégia de futuro. Malone não faz parte desse plano.

Juntando a isso, Malone foi preso por posse de cocaína em Abril. Com o jovem Jonathan Drouin, que joga na mesma posição que Malone, à espera de um lugar na equipa da próxima temporada, a dispensa de Malone é mais do que certa.

Mike Richards – Los Angeles Kings

Contrato: $5.75 milhões de dólares por ano até 2019/20

Esta é uma opinião pessoal. Não existem indícios que os Kings estejam a pensar em dispensar Mike Richards, mas conhecendo o modo de actuar do GM Dean Lombardi, é bem possível. Pelo menos faz sentido.

Richards perdeu preponderância no plantel dos Kings. Apesar de uma época dentro do normal (41 pontos em 82 jogos), Richards chegou a jogar na 4ª linha dos Kings durante os Playoffs. O aparecimento de jovens como Tyler Toffoli e Tanner Pearson retiram tempo de jogo ao veterano de 29 anos. Tudo depende do que Dean Lombardi quiser fazer depois de ganhar a Stanley Cup. Manter esta equipa ou reforçar cirurgicamente algumas posições. Se escolher a última opção, os $5.75 milhões podem dar muito jeito.

Quem é o responsável por mais um colapso dos Pittsburgh Penguins?

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Este pode ser o fim dos Penguins tal como os conhecemos. Pela 5ª época consecutiva, os Pittsburgh Penguins foram eliminados dos Playoffs por uma equipa que ficou atrás de si na época regular. Desta vez os carrascos foram os New York Rangers, que venceram o Jogo 7 por 2-1, conquistando um lugar na Final da Conferência Este.

Foi a 2ª vez em 4 anos que os Penguins desperdiçaram uma vantagem de 3-1 na eliminatória, só para serem eliminados no Jogo 7, em casa. É também a 4ª vez em 5 anos que os Penguins terminam nos primeiros 3 lugares da Conferência Oeste e não conseguem passar da 2ª ronda dos Playoffs. Tudo isto aconteceu durante a chefia de Dan Bylsma e Ray Shero.

Bylsma poderá ser o primeiro a sofrer as consequências desta derrota, apesar de não ser o principal responsável. Ele é competente e não irá ter dificuldades em encontrar trabalho na NHL. Ele conseguiu levar os Penguins ao 2º lugar na Conferência Este, apesar de terem sido uma das equipas que mais sofreu com lesões durante a temporada.

O problema mais fundamental dos Pittsburgh Penguins é que, apesar de terem Crosby e Malkin, Ray Shero não conseguiu construir uma equipa forte à sua volta. O General Manager dos Pens não conseguiu identificar as falhas do seu plantel e reforçá-lo de maneira apropriada.

Apesar de dois Playoffs horríveis de Marc-Andre Fleury em 2011 e 2012, Shero confiou no seu guarda-redes. Ele não foi tão mau como no ano passado, mas foi inconsistente nesta eliminatória contra os Rangers. Jogou mal no Jogo 1. Foi fantástico no Jogo 2, 3 e 4. E não conseguiu mais do que 90% de defesas nos últimos 3 jogos.

Ray Shero iniciou-se como GM dos Penguins em Maio de 2006 e herdou uma equipa que já tinha Malkin e Crosby. As suas escolhas no draft são muitas vezes elogiadas, principalmente na defesa, mas a verdade é que ainda nenhum desses jovens faz parte do plantel principal. A sua gestão de activos deixou muito a desejar e desperdiçou os melhores anos de Malkin e Crosby.

Os Rangers são um excelente exemplo daquilo que falta aos Penguins. Profundidade é tudo nos Playoffs e os Rangers têm muita. A sua terceira linha composta por Derick Brassard, Mats Zuccarello e Benoit Pouliot, fez 6 golos e 7 assistências nesta eliminatória. O centro da 4ª linha, Brian Boyle marcou o golo inaugural do Jogo 7.

Enquanto Crosby teve apenas 1 golo em 7 jogos, a estrela dos Rangers, Rick Nash, ainda não marcou nenhum nos Playoffs. No entanto, a diferença entre as equipas está nas linhas secundárias, com os jogadores de segunda linha dos Rangers a contribuírem ofensivamente, enquanto os dos Penguins não. Se as estrelas não produzirem, os Rangers têm outras soluções.

Também ajuda que Henrik Lundqvist tenha defendido 102 dos 105 remates que os Penguins fizeram nos últimos 3 jogos. Isso é algo que os Penguins nunca vão conseguir ter em Fleury. Outro GM mais esperto tinha percebido isso.

As críticas também vão chegar a Crosby. O melhor jogador do mundo esteve abaixo do esperado e perdeu a cabeça nos momentos decisivos, mas não lhe foram dadas as melhores condições para ganhar. Se os Penguins querem tirar partido de uma das melhores duplas de sempre da NHL, vão ter que fazer mudanças. E essas mudanças têm que começar pelo topo da pirâmide.