Ryan O’Reilly evita arbitragem, renova por 2 anos com os Avalanche

451178188_slide

Já se faziam os preparativos para dar início à audiência de arbitragem. Ryan O’Reilly, o seu agente Pat Morris, Greg Sherman e Joe Sakic estavam sentados na sala de espera, à espera para ouvir as declarações iniciais, quando olharam uns para os outros e perceberam que podiam resolver a situação de outra maneira. A sessão de arbitragem é um processo doloroso que não ia beneficiar ninguém. Antes de a juíza os chamar, as duas partes já tinham acordado um contrato de 2 anos, no valor de $12 milhões de dólares.

O’Reilly estava a pedir $6.75 milhões por ano, enquanto que os Avs só queria oferecer $5.5. Acabaram por se encontrar a meio. É um contrato justo e, como tal, todos se podem gabar de sair a ganhar desta situação. Os Avalanche conseguiram baixar as exigências do seu jogador e poupar algum dinheiro. O’Reilly conseguiu um pouco mais do que os Avs lhe estavam a oferecer e tem caminho aberto para a free agency daqui a 2 anos.

Os Avalanche têm agora um prazo definitivo para resolver uma situação que se vem arrastando no tempo. Joe Sakic e Greg Sherman têm dois anos para convencerem Ryan O’Reilly a assinar um contrato de longo termo com os Avalanche. Se não conseguirem, só lhes resta trocar o jogador. Sakic continua a afirmar que não quer trocar O’Reilly. Cada dia que passa o valor de Ryan O’Reilly diminui. Não podem haver hesitações. A decisão tem que ser tomada o mais rápido possível. Será que os Avalanche vão perder O’Reilly para a free agency, como aconteceu este ano com Paul Stastny?

 

 

Anúncios

Há uma nova força no Oeste

451864086_slide

Como se a Conferência Oeste não fosse já forte o suficiente, parece que há outra grande equipa a nascer daquele lado da NHL. Desde que chegou aos Dallas Stars, o novo GM Jim Nill tem montado aos poucos uma equipa capaz de competir com os monstros sagrados da Conferência. O objectivo é devolver à equipa a sua antiga glória, a glória dos anos de Mike Modano e da conquista da Stanley Cup de 99.

Star Power

Quando chegou a Dallas, a primeira missão de Jim Nill era encontrar um centro de 1ª linha que pudesse dar continuação ao legado de Modano. Um jogador de elite, um perigo constante para a baliza do adversário, um jogador que os outros temessem. Nill não demorou muito a encontrar o homem ideal. No verão passado, Tyler Seguin chegou dos Bruins, na troca que enviou Louie Eriksson e Reilly Smith para Boston. O jovem de 22 anos não encontrou o seu espaço no plantel dos Bruins e, tendo sido a 2ª escolha do Draft de 2010, tinha potencial para liderar o ataque dos Stars.

Juntamente com Jamie Benn, Seguin formou uma das melhores duplas da época passada. Juntos fizeram 71 golos e 92 assistências. Seguin terminou no 4º lugar da lista dos melhores marcadores da NHL, com 84 pontos. Acima dele só ficaram os 3 nomeados para MVP da época regular: Sidney Crosby, Ryan Getzlaf e Claude Giroux. Seguin, Benn e um miúdo russo com muito potencial chamado Valeri Nichushkin, asseguram que os Stars têm estrelas suficientes para venderem muitas camisolas na próxima década.

Um só não chega

A época passada foi de relativo sucesso. Os Stars qualificaram-se para os Playoffs e obrigaram os favoritos Anaheim Ducks a irem ao Jogo 7. Claro que para Jim Nill isso não chega, e por isso partiu para o Draft à procura de melhorar ainda mais o seu plantel. Olhando para a Conferência Oeste, existe um corrida para reforçar a posição de Centro. Os Ducks adquiriram Ryan Kesler, os Blues contrataram Paul Stastny, e os Blackhawks reforçaram a 2ª linha com Brad Richards. Para não falar dos actuais campeões da Stanley Cup, Los Angeles Kings, que têm Anze Kopitar, Jeff Carter, Jarett Stoll e Mike Richards, quatro centros de grande nível.

Os Stars não quiseram ficar atrás e adquiriram o antigo capitão dos Ottawa Senators, Jason Spezza. Spezza é um jogador com grandes qualidades ofensivas. Tem grande criatividade e um excelente remate. Já os seus números defensivos têm piorado nos últimos anos. Ele já não consegue manter a posse do disco como fazia nos primeiros anos da sua carreira, mas a sua eficácia na zona ofensiva é suficiente para os Stars apostarem nele.

Defesa entregue aos jovens

Para além de Spezza, os Stars acertaram contrato com Ales Hemsky, também ele um ex-Senator, que deverá jogar ao lado de Seguin e Benn na 1ª linha do ataque. Com estas duas aquisições, os Stars melhoraram substancialmente o seu ataque, mas a defesa continua sem mexidas, quando à partida seria o sector mais necessitado de reforços.  Jim Nill disse que não deve fazer grandes alterações na defesa e que confia nos jovens que tem no clube.

O 1º par defensivo está definido. Alex Goligoski e Trevor Daley registaram uma melhoria substancial no fim da época passada e serão a principal aposta do treinador Lindy Ruff. Goligoski terminou a temporada com 9 pontos nos últimos 13 jogos. Brenden Dillon, Jordie Benn (irmão de Jamie Benn) e Kevin Connauton também devem fazer parte dos planos, depois de se terem afirmado esta época. O outro lugar disponível depende do que os Stars decidirem fazer com Sergei Gonchar. O russo ainda tem a capacidade para ajudar a equipa a partir do 3º par defensivo, e principalmente no powerplay, mas são $5 milhões de dólares que podem ser melhor utilizados noutro sítio.

Decisões ainda por tomar

Os Stars já não são uma equipa que poupa nos salários. A organização quer ganhar e está disposta a gastar dinheiro para que tal aconteça. Os Stars ainda têm $7 milhões de dólares em cap space, mas existem 3 jogadores importantes à espera de renovar: Cody Eakin, Antoine Roussel e Brenden Dillon. Eakin e Roussel formaram com Ryan Garbutt uma 3ª linha muito boa na época passada. Os Stars têm a vantagem na negociação uma vez que os 3 são restricted free agents, o que significa que só podem assinar contrato com os Stars.

O plantel tem centros a mais. A juntar a Seguin e Spezza, os Stars contam ainda com Cody Eakin, Shawn Horcoff, Rich Peverley e Vernon Fiddler. Peverley teve um episódio cardíaco durante um jogo e não se sabe ainda se vai puder continuar a competir. Shawn Horcoff não parece ter lugar nesta equipa e pode ser trocado, abrindo espaço para renovar aqueles jogadores que precisam de novo contrato. Outro jogador que pode estar de saída é Erik Cole. O ala chegou a ficar na bancada em 3 jogos durante os Playoffs e o seu contrato de $4.5 milhões é bastante pesado.

São apenas algumas soluções à disposição de Jim Nill. Até aqui ele tem feito um trabalho irrepreensível, mas encontrar espaço para renovar com 3 jogadores importantes vai ser um novo desafio para o GM dos Stars. Se ele conseguir safar-se desta, cuidado Conferência Oeste! There’s a new Sheriff in town!

Leo is back!

168327870_slide

O finlandês que nasceu na Estónia, fala sueco e jogava na Rússia está de volta! Leo Komarov regressou aos Toronto Maple Leafs num contrato de 4 anos, no valor de $2.95 milhões de dólares por ano. Como fã dos Leafs e de Komarov, não podia estar mais contente. A equipa ainda tem grandes questões a resolver, mas pelo menos já tenho alguma coisa que me entusiasme para a próxima época.

Durante a sua época de estreia na NHL, Leo Komarov só marcou 9 pontos em 42 jogos, mas era utilizado num papel muito defensivo. Ele começou 37.6% dos seus turnos na zona defensiva, o 4º valor mais alto entre os avançados dos Leafs nessa época. Ele fazia aquilo que se pedia dele: acertava em tudo o que mexia. Komarov foi 5º na NHL em hits, com 176. No entanto, acabou a época apenas com 9 penalidades.

Komarov é aquele tipo de jogador que leva os adversários à loucura. Ele faz tudo para irritar, mas quando o adversário chega ao limite e quer lutar, não é nada com ele. O famoso incidente da mordidela entre o Grabovski e o Pacioretty começou com Komarov a tirar Brandon Prust do sério. Grabovski foi expulso. Pacioretty foi expulso. Prust foi expulso. Komarov? Nem 1 minuto de penalidade. Lindo.

$2.95 milhões é demasiado para um jogador com capacidades ofensivas limitadas, como é o caso do Komarov. Mas os Leafs perderam Raymond, Bolland, Kulemin e McClement. Se Komarov for utilizado na 3ª linha e na 1ª unidade de penalty kill, o preço já não parece assim tão exagerado. Agora se ele for usado na 4ª linha, sim, é estúpido.

Tirando aquilo que ele pode valer no gelo, eu sou fã do Leo pela sua personalidade provocadora. Na última época, Komarov jogou pelo Dynamo Moscow da KHL. O seu impacto foi tão grande que obrigou a equipa a criar uma regra com o seu nome. Quando chegou à Rússia, Leo orgulhosamente envergava merchandising dos Leafs para todo o lado, incluindo para os treinos do Dynamo.

Os responsáveis da equipa russa não ficaram muito satisfeitos com a situação e proibiram os seus jogadores de usar merchandising da NHL. Isto tinha resolvido o problema, se não estivéssemos a falar de um dos maiores provocadores do hockey actual. Resposta de Komarov: “Eu também joguei pelos Toronto Marlies…”

article_b70f918e-3d21-4c1a-a3a3-0641825f6160

Esta imagem não é de um treino dos Marlies. É da pré-época do Dynamo Moscow. E aquele não é Leo Komarov. Logo, Komarov não só começou a utilizar merchadising dos Marlies, como andou a distribui-lo pelo resto da equipa. Agora os jogadores do Dynamo Moscovo não podem usar merchadising de outras equipas que não seja o Dynamo Moscovo.

New York Islanders – O insucesso e a nova tentativa de reconstrução

 

nyi1
Potvin e Trottier, duas lendas da dinastia dos New York Islanders.

Pode custar a acreditar, mas os New York Islanders foram, em tempos, um dos franchises mais bem sucedidos da NHL: a maior dinastia de sempre (1980-85), com 5 finais da Stanley Cup e 4 Stanley Cups em apenas 5 anos, pertence a esta equipa. Os Islanders também detêm uma marca importantíssima na história do desporto profissional: um recorde máximo de 19 séries seguidas sem perder (!), também entre 1980 e 1985. Por esta altura, o futuro avizinhava-se brilhante e parecia que nada podia parar os rapazes de Long Island.

A verdade é que, num curto período de tempo, tudo mudou. É preciso remontar a 1993 para ver os Islanders vencerem uma série nos playoffs. Desde aí, o máximo que conseguiram foram umas míseras 6 qualificações em 20 épocas (não houve época em 2004-05) para os quartos de final da Eastern Conference. Apesar de todo o insucesso que persegue este franchise há mais de duas décadas e das múltiplas tentativas falhadas de uma reconstrução ‘com pés e cabeça’ do plantel, os Long Islanders não perdem a esperança.

Época 2014/2015 – os prós

nyi2
Jaroslav Halak, atuando pelos St. Louis Blues.

Para já, existem algumas coisas boas a retirar desta offseason. O GM Garth Snow fez, surpreendentemente e ao contrário do que tem mostrado ao longo dos últimos anos no cargo, bons negócios. As duas 1st round-picks a que teve direito este ano foram muito bem utilizadas: Michael dal Colle, o talentoso extremo-esquerdo que promete entrar na 1ª linha e jogar com Tavares e Okposo daqui a alguns anos, e Joshua Ho-Sang, o centro de 18 anos com um enorme potencial. Ho-Sang só não foi escolhido mais cedo no draft devido à polémica que se gerou em torno da sua personalidade problemática.

Para juntar ao draft bem-sucedido, um dos maiores problemas dos Islanders nos últimos tempos (o guarda-redes) aparentemente chegou ao fim, com a mais que provável saída do medíocre Evgeni Nabokov para a entrada de Jaroslav Halak. Halak, com uma SV% de 0.920 na época transacta, veio para os Isles em troca de uma 4th round-pick, o que acaba por ser um excelente negócio de Snow. Halak, alguns dias após a sua aquisição, assinou um novo contrato de 4 anos no valor de 18 milhões de dólares.

As contratações dos jovens defesas Loic Leduc e Ville Pokka também parecem ser bastante sensatas. O 1º, 4th round-pick do draft de 2012, ainda tem que evoluir bastante. Já o 2º, 2nd round-pick em 2012, fez uma excelente época na SM-liiga (principal liga finlandesa) e parece encontrar-se pronto para, pouco a pouco, ir ganhando minutos de jogo.

Época 2014/2015 – os contras

nyi3
Nassau Veterans Memorial Colliseum, em dia de jogo.

Mas, como seria de esperar de Snow, já cometeu erros: obteve Dan Boyle, um experiente defesa, por uma 5th round-pick (que passava a 4th, se Boyle assinasse um novo contrato). Até aqui, tudo bem… afinal de contas, um dos maiores problemas no plantel dos Isles era a falta de um defesa experiente. O problema é que, para além de não assinar um novo contrato para ficar em Long Island, decidiu transferir-se para os maiores rivais: os New York Rangers. Estas péssimas trocas começam a ser habituais para os adeptos, já que na última época Snow deu Matt Moulson, o até então jogador favorito dos fãs, mais uma 1st round-pick condicional e uma 2nd round-pick para adquirir a estrela austríaca Thomas Vanek, que acabou por não querer assinar um novo contrato com os Islanders.

Um dos maiores contras para a última época no Nassau Veterans Memorial Colliseum (mudança para o Barclays Center em 2015) é, por mais incrível que pareça, o presidente Charles Wang. Wang continua a não querer investir na equipa, obrigando Snow a trabalhar com poucos recursos. Um franchise como os New York Islanders tem que pagar bastante para atrair um jogador de calibre elevado, porque sejamos realistas: jogar em Long Island não é o sonho de nenhum grande jogador. Os Isles continuam a precisar de investir em defesas para o 1ª e 2ª par, mas Wang não se ‘chega à frente’. Isto faz com que Jack Capuano, o treinador principal, seja forçado a utilizar jogadores inexperientes ou em declínio na defesa. Sem uma boa defesa para toda a época, é complicado chegar longe.

A esperança

Apesar da gestão danosa e da incompetência à volta da equipa de Nova Iorque durante todos estes anos, os adeptos mantêm-se confiantes acerca do futuro. Muitos acreditam que em 2015, com a mudança para Brooklyn e com a possível venda da equipa por parte de Wang, os Islanders voltarão a ser uma presença assídua nos playoffs a médio prazo. Outros, mais esperançosos, acreditam que esta época será melhor que as anteriores e que chegarão longe nos playoffs, despedindo-se assim do seu ‘velhinho’ coliseu em grande. Este último cenário pode parecer pouco provável, mas afinal é disto que se trata ser um verdadeiro adepto, um verdadeiro aficionado, um verdadeiro Islander: ter sempre a esperança de que as coisas possam vir a melhorar e que, a longo prazo, a Stanley Cup possa voltar a passar pelas mãos dos jogadores de laranja e azul… por mais ‘negro’ que o cenário atual possa ser.

Texto da autoria de Tiago Teixeira.

nyi4
John Tavares e os seus colegas de equipa, celebrando um golo contra os Tampa Bay Lightning.