Blackhawks vencem Jogo 5 num dos melhores OT de sempre

Chicago Blackhawks 5 – 4 Los Angeles Kings (2OT)
Kings lideram a série por 3-2

Peço desde já desculpa, porque este não vai ser o meu habitual resumo do jogo conciso e informativo. Ontem foi uma noite especial.

Para ser fã deste desporto no nosso país é preciso ter um nível de paixão que a maioria das pessoas não compreende. Dormir 4 horas por noite, deixar de fazer coisas que gosto, envolver-me emocional com um desporto que já por mais do que uma vez me desiludiu, acompanhar um desporto que provavelmente nunca irei praticar. São sacrifícios que muita gente não entende. Mas ontem à noite, eu fui recompensado por tudo.

Duas equipas com vontades contrárias, os Kings a tentarem dar o último passo para a final da Stanley Cup, os Blackhawks a tentarem não ser eliminados. Ambas a saberem que qualquer segundo poderia ser o último da eliminatória. As equipas trocaram oportunidades de golo a um ritmo alucinante. No meio, iam tentando respirar. Contabilizadas as paragens, os 20 minutos do prolongamento só demoram 27 minutos a serem jogados. Durante 8 minutos consecutivos não houve paragens, só o clamor das bancadas. Este foi o melhor prolongamento que eu alguma vez vi.

O jogo acabou aos 2 minutos do segundo prolongamento. Michal Handzus – o mais velho jogador em campo com 37 anos, o homem que foi despromovido do lugar de centro de 2ª linha porque já não tinha velocidade para acompanhar os colegas – forçou um turnover na zona neutral. Arrastou as pernas até à baliza, enquanto Patrick Kane e Brandon Saad trocavam o disco entre si. Ficou à espera, recebeu o passe de Saad, passou o disco para a sua backhand e bateu Jonathan Quick. O United Center explodiu.

É por isso que eu adoro hóquei, especialmente os Playoffs. São uma caixinha de surpresas. Os Kings ainda têm uma vantagem de 3-2 e podem acabar com a eliminatória já amanhã. Mas tudo pode acontecer. Este é um duelo entre os dois últimos vencedores da Stanley Cup e não há guião. Só talento, determinação e sorte.

No primeiro jogo e meio, os Blackhawks pareciam que tinham a eliminatória no saco. Ganharam o Jogo 1 por 3-1 e estiveram a vencer no Jogo 2 por 2-0. Mas os Kings tiveram um golpe de sorte, conseguiram marcar 6 golos sem resposta e venceram o jogo por 6-2. Viriam a vencer o Jogo 3 por 4-3 e o Jogo 4 por 5-2.

As duas equipas são conhecidas por nunca desistirem e por conseguirem recuperações históricas. É algo que está impresso na personalidade destes jogadores. A derrota não os afecta, têm memória curta que apagam no início de cada jogo. Os Blackhawks recuperaram de uma desvantagem de 2-0 contra os Blues, os Kings de uma de 3-0 contra os Sharks. Nenhuma destas equipas vai desistir. A única maneira de as derrotar é pelo cansaço.

Joel Quennville mexeu nas linhas para o Jogo 5. Formou uma 2ª linha inédita, para tentar reanimar Patrick Kane. Handzus foi despromovido, com Andrew Shaw e Brandon Saad a jogarem ao lado de Kane. Resultou. Saad foi o melhor jogador em campo e Kane, que tinha apenas 1 assistência nesta eliminatória, fez 4. Os Blackhawks partiram cedo para uma vantagem de 3-1, mas Corey Crawford borrou a pintura e permitiu que os Kings empatassem. Tanner Pearson fez o 3-4 e silenciou o United Center. No terceiro período, acabaria por ser Ben Smith a enviar o jogo para prolongamento.

Com 11 minutos e 19 segundos para jogar no prolongamento, o jogo parou quando o disco ficou preso nas redes de uma das balizas. Não voltou a parar até faltarem 3 minutos e 23 segundos. No meio existiram 17 remates, 6 placagens e o melhor hóquei que se pode ver no mundo.

Os Kings queriam desesperadamente chegar à final e estiveram perto de o conseguir. Os Blackhawks queriam desesperadamente adiar as férias por mais um jogo. Handzus queria desesperadamente contribuir para a vitória da sua equipa. Ele manteve o seu lugar no alinhamento graças à sua eficácia no penalty kill, mas o penalty kill dos Hawks tem estado mal nesta eliminatória e Handzus já não tem a importância que tinha no plantel. Mas Quennville deu-lhe 20 segundos de jogo, num duplo prolongamento e ele marcou o golo da vitória.

That’s hockey, baby!

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