Antevisão: Panthers – Bruins

Tim Thomas regressa a Boston para tentar derrotar o clube que recuperou a sua carreira, depois de ele ter andado perdido em algumas ligas europeias. Mas a conversa em Boston é outra. Brad Marchand parece revitalizado e faz parte da linha mais temível da NHL nas últimas semanas.

Com 5 golos nos primeiros 34 jogos, o nome de Marchand começou a aparecer nos rumores de transferências. A atitude do jogador também foi motivo de conversa, causando algum desconforto no balneário dos Bruins. Peter Chiarelli foi rápido a desmentir todos os rumores e deu um voto de confiança ao jogador.

Nos últimos 6 jogos, Marchand marcou 12 pontos e parece ter encontrado os parceiros perfeitos: Patrice Bergeron e Reilly Smith. Marchand e Bergeron jogam juntos há vários anos, na 2ª linha dos Bruins. São dois jogadores muito bons na zona defensiva e que têm a velocidade necessária para lançar contra-ataques perigosos. Reilly Smith é a chave desta nova combinação.

Visto apenas como um peça adicional na troca de Tyler Seguin para os Dallas Stars, Reilly Smith tem sido a revelação da época dos Bruins, com 39 pontos em 51 jogos. Devido a consecutivas lesões, Louie Eriksson ainda não foi capaz de mostrar tudo aquilo que pode fazer, e até que isso aconteça, Reilly Smith será a melhor contra-partida que os Bruins obtiveram na troca de Seguin.

Apesar de se encontrarem em penúltimo lugar da Divisão Atlântico, os Panthers estão apenas 8 pontos de um lugar de apuramento para os Playoffs. Parece muito, mas com 30 jogos pela frente ainda há tempo para recuperar. A vitória por 5-4 frente aos Detroit Red Wings pode ser moralizadora, uma vez que os Panthers tiveram que recuperar de uma desvantagem de dois golos.

Alinhamento dos Panthers

Shawn Matthias  – Nick Bjugstad – Scottie Upshall
Sean Bergenheim – Scott Gomez – Brad Boyes
Jonathan Huberdeau – Marcel Goc – Jesse Winchester
Tomas Fleischmann – Drew Shore –  Krys Barch

Brian Campbell – Tom Gilbert
Dylan Olsen – Ed Jovanovski
Dmitry Kulikov – Mike Weaver

Tim Thomas

Aleksander Barkov ficou de fora nos últimos dois jogos e está em dúvida para hoje à noite.

Alinhamento dos Bruins

Milan Lucic – David Krejci – Jarome Iginla

Brad Marchand – Patrice Bergeron – Reilly Smith
Carl Soderberg – Chris Kelly – Loui Eriksson
Daniel Paille – Gregory Campbell – Shawn Thornton

Zdeno Chara – Dougie Hamilton
Matt Bartkowski – Johnny Boychuk
Torey Krug – Kevan Miller

Tuukka Rask

Chris Kelly pode regressar hoje à competição. Kelly falhou os últimos 21 jogos devido a uma fractura na fíbula.

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Rangers goleiam Devils no 2º jogo da Stadium Series

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A neve caiu sobre o estádio dos New York Yankees, para contentamento dos mais de 50 mil fãs que testemunharam a vitória dos New York Rangers sobre os New Jersey Devils. Mais de 100 mil fãs assistiram aos primeiros dois jogos da Stadium Series, num fim de semana histórico para a modalidade.

Os Rangers tentaram impôr o físico logo de início, mas foram os Devils a começar melhor. O golo de Travis Zajac colocou a sua equipa a vencer por 3-1, ainda no 1º período. Passados apenas 52 segundos, Marc Staal reduziu a diferença, num golo que Martin Brodeur vai querer esquecer rapidamente.

O 2º período foi completamente dominado pelos Rangers, com 4 golos sem resposta. Dois golos seguidos de Mats Zucarello colocaram os Rangers pela primeira vez na frente do marcador. Passado pouco tempo, Carl Hagelin aproveitou uma série de desvios para fazer o 5-3. O golpe de misericórdia foi dado por Rick Nash, a 29 segundos do fim do período, deitando por terra as aspirações dos Devils.

Martin Brodeur já não voltou para o 3º período, tendo sido substituído por Cory Schneider, que acabou por sofrer o 7-3 final numa grande penalidade cobrada por Derek Stepan.

Com esta vitória, os Rangers são a primeira equipa da NHL a vencer dois jogos ao ar livre, depois de terem derrotado os Philadelphia Flyers por 3-2, no Winter Classic de 2012. Na quarta-feira, os Rangers vão ter a hipótese de somar a terceira vitória ao ar livre, quando defrontarem os New York Islanders no Yankee Stadium.

Outros resultados de ontem

Detroit Red Wings 4 – 5 Florida Panthers
O departamento médico dos Red Wings não tem descanso este ano. A poucos minutos do início do jogo, Henrik Zetterberg foi retirado do plantel, depois de ter tido uma recaída de uma lesão antiga. Os Red Wings estiveram a vencer 4-2, mas permitiram que os Panthers empatassem no 3º período. Tom Gilbert praticamente deu a vitória à sua equipa, ao evitar o golo dos Red Wings no prolongamento. Nick Bjugstad marcou o único golo no shootout.

Chicago Blackhawks 1 – 3 Winnipeg Jets
Os guarda-redes têm sido o pesadelo dos Jets, mas o habitual suplente, Al Montoya, brilhou frente à melhor equipa da NHL. Montoya fez 34 defesas e foi essencial durante o 1º período, impedindo que os Blackhawks alargassem a vantagem. Andrew Ladd, antigo jogador dos Blackhawks, marcou o golo da vitória dos Jets.

Edmonton Oilers 5 – 1 Nashville Predators
No dia em que Wayne Gretzky fez 53 anos, uma vitória dos Oilers é mais do que apropriado. Com a vitória, os Oilers puseram fim a uma série de 6 derrotas consecutivas. Ben Scrivens registou a sua 1ª vitória pelos Oilers, com 34 defesas. Ryan Smyth foi o homem do jogo, com um golo e uma assistência.

Vancouver Canucks 5 – 4 Phoenix Coyotes
Antoine Vermette fez um hat-trick, mas foi insuficiente para dar a vitória à sua equipa. Kevin Bieksa marcou dois golos pelos Canucks, um dos quais decidiu a partida no prolongamento. Bieksa falhou o primeiro remate, mas conseguiu fazer um chapéu a Mike Smith, quando já estava em queda.

Publicado originalmente no blog Planeta Desportivo

Crónica: Kings – Ducks

O dia foi de festa no Dodger Stadium. 54 mil pessoas assistiram a um jogo de hockey na Califórnia, com KISS ao intervalo e muitos outros motivos de interesse, incluindo fogo de artifício, aulas de yoga e voleibol de praia. Este jogo quebrou finalmente todas as fronteiras do hóquei no gelo. O hockey é um desporto global e que pode ser apreciado em qualquer ponto geográfico, mesmo que seja na solarenga Califórnia ou no nosso pequeno Portugal.

Para as equipas, o jogo era a sério. Mesmo com o ambiente único à sua volta, os jogadores sabiam que os dois pontos em disputa eram reais e a sua dedicação mostrou-se do início ao fim. Os Ducks acabaram por vencer por 3-0, aumentando a sua vantagem na liderança da Divisão Pacífico.

Os Ducks aproveitaram melhor as condições especiais do jogo. O gelo estava bom, mas não permitia uma patinagem tão rápida como é habitual dentro dos pavilhões. O próprio atrito causado pelo vento chega para diminuir a velocidade do jogo. Tiro o chapéu a Bruce Boudreau, o treinador dos Ducks, que à última hora trocou Matthieu Perreault e Jakob Silfverberg por Daniel Winnik e Tim Jackman, aumentando a capacidade física do seu plantel. Perreault e Silfverberg são dois patinadores muito rápidos que seriam irrelevantes num jogo como este.

Para além da superioridade física, os Ducks contaram com uma performance incrível do suíço Jonas Hiller. O guarda-redes dos Ducks fez 36 defesas, sem sofrer qualquer golo. Foi um jogo de afirmação para este jogador, pois da última vez que foi titular, Hiller sofreu 3 golos em pouco mais de 30 minutos na derrota por 3-2 frente aos Winnipeg Jets. Os golos dos Ducks foram marcados por Corey Perry, Matt Beleskey e Andrew Cogliano, e o seu penalty kill esteve em destaque, não permitindo qualquer golo em powerplay aos Kings.

O legado de Wayne Gretzky é enorme, mas teve particular relevância no dia de ontem. A troca de Gretzky dos Edmonton Oilers para os Los Angeles Kings em 1988 foi o primeiro momento de verdadeiro mediatismo da NHL. Na sua passagem por LA, Gretzky plantou as sementes do que agora é o hockey na Califórnia: 3 equipas candidatas à Stanley Cup e uma base de fãs cada vez maior.

Antevisão: Kings – Ducks

Para além do anual Winter Classic, a NHL vai realizar 4 jogos ao ar livre numa iniciativa intitulada de Stadium Series. O primeiro jogo desta série será disputa esta noite, por volta das 2:30, com transmissão em directo na SportTv Live. Os Anaheim Ducks vão receber os Los Angeles Kings, no estádio dos Los Angeles Dodgers, naquele que será o primeiro jogo de hockey ao ar livre a ser disputado no estado da Califórnia.

As duas equipas defrontaram-se na quinta-feira, com a vitória por 2-1 dos Ducks, com golos de Dustin Penner e Patrick Marron. A juntar a isso, os Ducks encontram-se no 1º lugar da Divisão Pacífico, com 81 pontos. Até há bem pouco tempo, os Ducks não tinham qualquer derrota em casa, o que mostra bem o momento de forma da equipa de Bruce Boudreau.

A motivação no balneário dos Kings é bem diferente. A equipa não tem feito boas exibições ultimamente e a derrota na quinta-feira não veio melhorar em nada o estado de ânimo. Os Kings atravessam uma série de 3 derrotas consecutivas e apenas venceram 4 dos seus últimos 15 jogos. Mesmo assim, a equipa de LA mantém o 3º lugar na Divisão Pacífico, mas já a 17 pontos do adversário de hoje.

O gelo vai estar em condições quase perfeitas, mas jogar ao ar livre traz sempre dificuldades adicionais. Os jogadores cansam-se mais rapidamente, por isso os treinadores vão tentar manter os turnos o mais curtos possível. O controlo do disco não vai ser tão fácil e os reflexos das luzes do estádio podem dificultar a visibilidade dos jogadores.

Apesar de nunca serem os melhores jogos em termos de qualidade, os jogos ao ar livre valem pelo espectáculo fora do gelo. O ambiente é de festa e o estádio vai certamente encher. A todo o momento se vão puder ver imagens fantásticas que ilustram a paixão dos adeptos por este desporto.

Alinhamento dos Kings

Dwight King – Anze Kopitar – Trevor Lewis
Matt Frattin – Mike Richards – Jeff Carter
Dustin Brown – Jarret Stoll – Justin Williams
Kyle Clifford – Colin Fraser – Jordan Nolan

Jake Muzzin – Drew Doughty
Slava Voynov – Willie Mitchell
Robyn Regehr – Alec Martinez

Martin Jones

Alinhamento dos Ducks

Dustin Penner – Ryan Getzlaf – Corey Perry
Patrick Maroon – Matthieu Perreault – Teemu Selanne
Jakob Silfverberg – Saku Koivu – Andrew Cogliano
Matt Beleskey – Nick Bonino – Tim Jackman

François Beauchemin – Hampus Lindholm
Cam Fowler – Ben Lovejoy
Mark Fistric – Bryan Allen

Jonas Hiller

Crónica: Canadiens 1 – 4 Red Wings

Os Montreal Canadiens têm estado em queda livre nos últimos jogos. A equipa que esteve na luta pelo 1º lugar da Divisão Atlântico, está agora numa espiral de maus resultados, com 6 derrotas nos últimos 10 jogos. Para já ainda se encontram em lugar de apuramento para os Playoffs, mas a este ritmo isso pode mudar rapidamente.

O plantel é bom, constituído por jovens com grande potencial, como Brendan Gallagher, Max Pacioretty e Alex Galchenyuk, para além de contar com um dos melhores defesas da NHL, P.K. Subban. Mas há qualquer coisa de errado nesta equipa. Eles não conseguem tomar conta de um jogo como faziam na época passada e as críticas começam a ser dirigidas ao treinador, Michel Therrien.

Therrien está na sua 2ª passagem pelos Canadiens e é conhecido por ser um treinador de métodos rígidos e muito focado no lado defensivo do jogo. Toda essa preocupação com a defesa parece ter minimizado a principal arma desta equipa: a velocidade no contra-ataque. Os jogadores estão demasiado recuados no terreno e têm dificuldade em lançar os ataques rápidos que aterrorizaram a Conferência Este no ano passado.

Mesmo com um posicionamento mais conservador, os Canadiens cometem erros defensivos primários, e isso custou-lhes o jogo frente aos Red Wings, ontem à noite.

Um dos momentos mais importantes num jogo de hóquei no gelo é a troca de linhas. Se não for feito com toda a precisão pode dar mau resultado. Normalmente, o treinador grita o nome do centro da linha que vai entrar, e os alas dessa linha já sabem que vão entrar também. Quando os jogadores que estão no gelo se preparam para sair, os que vão entrar gritam o nome do jogador com quem vão trocar. Se houver falha de comunicação do treinador ou dos jogadores, a equipa pode ser penalizada por ter demasiados homens na pista.

Outro factor importante a ter em conta na troca de linhas é quando a fazer. Nunca se faz um troca quando o adversário tem a posse do disco na nossa zona defensiva. O ideal é fazer a troca quando o disco está na zona defensiva do adversário, ou a ir nessa direcção. O mais seguro é despejar o disco para trás da baliza contrária, obrigando a equipa adversária a ir buscá-lo e dando tempo para se proceder à troca.

Pois os Canadiens não fizeram nada disso no golo que pôs um ponto final no jogo de ontem. Três jogadores decidiram trocar quando o disco estava a ser recuperado pelos Red Wings na zona neutral. Rapidamente a jogada se desenvolveu num 3 para 1, com o resultado que seria de esperar.

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Mesmo sem Pavel Datsyuk, os Red Wings aproveitaram muito bem os erros dos Canadiens e venceram confortavelmente por 4-1. Michel Therrien tem que fazer qualquer coisa, se não quer ver a sua equipa cair para fora dos lugares de apuramento, ou até mesmo ser despedido antes disso.

Antevisão: Canadiens – Red Wings

Os Canadiens já não visitam o Joe Luis Arena há muito tempo. Da última vez que a equipa de Montreal se deslocou até Detroit, Nicklas Lidstrom transpirava classe na defesa dos Red Wings, Scott Gomez era jogador dos Canadiens e Bin Laden estava vivo.

Depois de um início de época auspicioso, os Habs passam por uma fase de maior dificuldade. Há um mês atrás, parecia que os Habs podiam dar luta aos Bruins, mas 6 derrotas nos últimos 10 jogos fizeram com que fossem ultrapassados pelos Tampa Bay Lightning, colocando mesmo o 3º lugar na Divisão Atlântico em risco.

O plantel é bom, em todas as posições. Marc Bergevin conseguiu construir uma equipa jovem e competitiva, apesar de alguns flops. Os olhos da crítica viram-se agora para Michel Therrien, que nunca foi um treinador unânime entre os adeptos dos Canadiens. A verdade é que os números confirmam as suspeitas colocadas sobre Therrien. Os Canadiens foram a 5ª equipa com mais posse do disco na época passada, este ano são a 26ª. Como não houve grandes alterações no plantel, o treinador tem que ser o principal responsável.

Para recuperarem alguns dos pontos perdidos, os Canadiens têm que vencer hoje os Detroit Red Wings. Na baliza da equipa da casa vai estar Jonas Gustavsson e a sua exibição pode ser mais importante do que aquilo que se poderia pensar. Apesar de ser um equipa talentosa e bem orientada, os Red Wings enfrentam uma crise de lesões nunca antes vista. Apenas 3 dos seus habituais avançados ainda não faltaram nenhum jogo por lesão e a lista de indisponíveis para o jogo de hoje é impressionante: Pavel Datsyuk, Jimmy Howard, Johan Franzen, Stephen Weiss, Cory Emmerton e Joakim Andersson. Pelo menos não há nenhum defesa lesionado.

Boas notícias para os Red Wings: Daniel Alfredsson está recuperado e deve voltar à competição no jogo de hoje. Em princípio será Todd Bertuzzi a ficar de fora.

Alinhamento dos Canadiens

Lars Eller – Tomas Plekanec – Brian Gionta
Max Pacioretty – David Desharnais – Brenden Gallagher
Rene Bourque – Danny Briere – Brandon Prust
Travis Moen – Michael Bournival – Louis Leblanc

Andrei Markov – P. K. Subban
Nathan Beaulieu – Josh Gorges
Douglas Murray – Alexei Emelin

Carey Price

Alinhamento dos Red Wings

Gustav Nyquist – Henrik Zetterberg – Justin Abdelkader
Tomas Jurco – Riley Sheahan – Tomas Tatar
Danny Cleary – Darren Helm – Daniel Alfredsson
Drew Miller – Luke Glendening – Patrick Eaves

Niklas Kronwall – Jonathan Ericsson
Kyle Quincey – Dan DeKeyser
Brian Lashoff – Brendan Smith

Jonas Gustavsson

A cultura do goon

Ao longo da história da NHL muitas coisas têm mudado, mas a cultura do goon continua quase inalterada. Nos tempos mais tenebrosos da liga, quando as regras eram leves e os jogadores morriam na pista, nasceu a figura mítica do goon.

O goon é um jogador que tem lugar na equipa, não graças há sua habilidade com o stick, mas à sua destreza com os punhos. O principal papel do goon é intimidar o adversário, tentando demovê-lo de qualquer atitude menos correcta para com os seus colegas de equipa. Muitas equipas têm um ou mais jogadores dedicados apenas a este papel. Jogar, jogam muito pouco e não é raro terem mais minutos de penalidade do que de jogo.

O hóquei é um jogo extremamente físico, onde as emoções andam à flor da pele. A luta serve para aliviar alguma tensão e evitar que alguém se aleije a sério, para além de ser uma fonte de motivação para a equipa. O papel protector que o goon assume tornou-o numa figura mítica e, apesar de não serem os jogadores mais habilidosos, são muitas vezes os líderes emocionais das equipas.

Se quiserem ter uma ideia melhor de todo este imaginário, o filme Goon é uma excelente caricatura.

Tudo o que eu disse até agora é a posição de quem acredita na utilidade do goon. Eu não acredito. Não está provado que o goon tenha qualquer efeito sobre a segurança dos seus colegas de equipa. Uma equipa com goons sofre tantas lesões como qualquer outra. Também não se verifica que uma equipa marque mais golos depois de uma luta, antes pelo contrário, por isso o efeito motivador também não é significativo.

Disto isto, eu não me importo com as lutas. Quando 98% dos jogadores da NHL se declara a favor das lutas, quem sou eu para dizer o contrário? Mas se me perguntarem se eu preciso que haja lutas para gostar da NHL, eu respondo não. Gosto das lutas quando têm história, quando se nota que os dois jogadores têm ódio genuíno um pelo o outro, mas a paixão que tenho é pelo jogo e não pelo espectáculo que se monta à sua volta.

O que se passou no sábado no jogo entre os Vancouver Canucks e os Calgary Flames é um exemplo do que pode acontecer quando a cultura do goon é levada ao extremo. Normalmente, são as melhores linhas que começam o jogo. Quando um treinador coloca a linha dos goons (normalmente a 4ª) logo de início é visto como um acto de provocação à outra equipa. Aqui o outro treinador tem duas opções: ou deixa estar os seus melhores jogadores, correndo o risco de serem atacados pelos goons; ou coloca os seus próprios goons e temos aquele lindo espectáculo.

John Tortorella, o treinador dos Canucks, é useiro e vezeiro nestas situações. Já no ano passado aconteceu exactamente o mesmo, ainda ele treinava os New York Rangers, num jogo contra os New Jersey Devils. O treinador dos Flames, Bob Hartley, decidiu vingar-se de tricas antigas e fez-lhe o mesmo. Nenhum dos dois saiu bem visto desta história e foram mesmo penalizados pela liga. Hartley foi multado e Tortorella vai ficar 15 dias suspenso, devido à confusão que causou nos balneários.

Como tudo na vida, a cultura do goon tem os seus pontos positivos e negativos. Se queremos o bom, também vamos ter que levar com o mau. Não sei se isto afasta muitas pessoas do desporto. Espero que não. Mas por outro lado, também acredito que desperta a curiosidade, nem que seja só por um momento. Um momento chega para perceber que o hóquei no gelo é muito mais do que isto.

Publicado originalmente no blog Planeta Desportivo