É tempo dos Leafs terem uma 4ª linha normal

Depois de terem começado a época com 6 vitórias em 7 jogos, os Toronto Maple Leafs apenas ganharam 8 dos últimos 20. O mês de Novembro foi particularmente difícil para os Leafs, que só conseguiram duas vitórias no tempo regulamentar. Dezembro não promete ser melhor. A recepção aos Sharks marcou o início de uma série de 8 jogos em que os Leafs recebem Dallas, Boston, Los Angeles e Chicago, e deslocam-se a Ottawa, St. Louis e Pittsburgh. Mais difícil não há.

Existem vários factores a contribuírem para os maus resultados recentes. Primeiro, a equipa continua a permitir muitos remates ao adversário. Já o fazia no início da época, só que agora os guarda-redes não estão a conseguir manter o nível extraordinário que tinham apresentado até aqui, como seria de esperar.

Segundo, a equipa simplesmente não consegue marcar golos. Este problema é novo. Os Leafs foram a 5ª equipa com mais golos na época passada. Agora estão em 18º, empatados com os Florida Panthers. Se olharmos para a distribuição dos golos pela equipa, percebemos qual é o problema.

Phil Kessel, James van Riemsdyk, Mason Raymond, Joffrey Lupul, Nazem Kadri e David Bolland são responsáveis por 56 golos. O resto da equipa apenas tem 16. Os Leafs são uma das 4 equipas da NHL cujo top-6 tem mais do que 2 golos por jogo, juntamente com Chicago, St. Louis e San Jose. As linhas inferiores apenas têm 0.59 golos por jogo, último lugar na NHL.

Para ver se esta diferença entre as primeiras linhas e as secundárias é tão grande noutras equipas, peguei nas estatísticas de todos os avançados com mais de 15 jogos realizados esta época, separei-os em 4 grupos segundo o tempo de jogo, representando aproximadamente as quatro linhas e fiz as médias. O objectivo é quantificar a produção média de uma 1ª linha, 2ª linha, e por aí em diante. Todos os números são em situação 5-contra-5.

Produção média das várias linhas na NHL
Produção média das várias linhas na NHL

Só para esclarecer, os remates são a soma de remates à baliza, remates falhados e bloqueados, sendo uma boa aproximação ao tempo de posse do disco na zona ofensiva. Há uma clara diferença entre as 1ª/2ª linhas e 3ª/4ª na NHL, como seria de esperar, mas será essa diferença maior nos Leafs?

Produção das linhas dos Toronto Maple Leafs
Produção das linhas dos Toronto Maple Leafs

A primeira coisa que salta à vista é a produção nula da 4ª linha. Bem que podia ser chamada linha zero. Zero golos, zero assistências, zero pontos. Mais grave do que não marcarem é não fazerem remates. 3 remates em 20 jogos é muito pouco. Jarred Smithson ainda não efectuou qualquer remate à baliza e basicamente só entra em pista para ganhar faceoffs. Notícia de última hora: o Smithson registou o 1º remate da época ontem frente aos Sharks!

O golo da vitória dos Sharks foi o exemplo perfeito da incompetência desta linha. São 90 segundos seguidos em que os Sharks trocam o disco na zona defensiva dos Leafs e fazem tiro ao alvo a James Reimer. 90 SEGUNDOS!

Outra coisa interessante é o pouco tempo de gelo que a 4ª linha tem. É uma diferença de quase 3 minutos para o tempo de jogo médio de uma 4ª linha na NHL. No 3º período, os Leafs basicamente só rodam 3 linhas e isso pode explicar a facilidade com que a equipa perde vantagens de múltiplos golos. Sobrecarregar as primeiras linhas leva a uma queda inevitável dos níveis físicos no fim do jogo.

A primeira linha tem sido acima da média. A segunda deve melhorar à medida que David Clarksson recupere a sua melhor forma. Seria uma ajuda importante se as linhas inferiores conseguissem retirar algum peso dos ombros de Phil Kessel e James van Reimsdyk. Para isso é preciso que elas sejam compostas por jogadores que tenham algum talento.

Orr, Smithson e McLaren são jogadores claramente inferiores a Peter Holland, Carter Ashton, Trevor Smith e até Troy Bodie. O próprio Jay McClement é um jogador útil, mas não é um centro de 3ª linha e está a ser demasiado utilizado por Randy Carlyle.

Carlyle nunca separa a sua 4ª linha. Trevor Smith passou de centro de 1ª linha num jogo para a AHL no próximo, o que não faz qualquer tipo de sentido. Se Smith é melhor do que Smithson para jogar na 1ª linha, porque é que não o é para jogar na 4ª?

Não resolve os problemas todos, mas ter uma quarta linha competente ajuda durante os momentos mais complicados da época, e o simples facto de puder distribuir melhor os minutos diminui a probabilidade de acontecer outro debacle no 3º período como aconteceu contra os Penguins.

O primeiro passo já foi dado. Smithson foi posto nos waivers hoje. Mas será que Carlyle vai abdicar dos seus queridos goons?

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