Alterações de regras para 2013/14

Com uma nova época da NHL, chegam também novas regras. O jogo não pára. Está em constante evolução e as regras têm que acompanhar as mudanças rápidas que se dão no gelo. Para não sermos surpreendidos nos primeiros jogos da temporada, vamos ver quais são as alterações mais significativas para este ano e que implicações podem ter.

Proibido pôr a camisola dentro das calças

Não é uma regra nova, mas foi reforçada. A partir de agora, os jogadores são avisados à primeira infracção e são punidos com 2 minutos de penalidade à segunda. A regra não proíbe explicitamente a camisola por dentro das calças. Proíbe que as peças de protecção fiquem expostas. Ora, o que é que acontece às peças de protecção das calças quando se põe a camisola por dentro? Exacto.

Quem não ficou nada contente foi Alex Ovechkin. “Eu sou aquele tipo de pessoa que adora estas coisas. Estou um bocado chateado, mas o pior é que ninguém nos perguntou nada, aos jogadores. Eles acham que pode ser um perigo para alguém. Eu acho que isso é estúpido” disse o Russo. “A peça de protecção fica sempre um bocado afastado do meu corpo. Mesmo que eu não ponha a camisola por dentro ela vai lá parar.” Ovechkin não foi o primeiro a ter esta mania. Era a imagem de marca de Wayne Gretzky.

Não acredito que seja de propósito para chatear o Ovechkin, mas também não compro os argumentos da liga. Que eu saiba nunca ninguém se magoou com gravidade numa peça de protecção. Espero que isto não seja a preparação para porem publicidade nas camisolas. European hockey style!!

Visores obrigatórios

A partir desta época, todos os novos jogadores da NHL serão obrigados a usar visores. Os veteranos continuam a ter direito de opção, o que reduz os anticorpos que a regra poderia causar. Na AHL passam a ser obrigatórios para todos os jogadores.

Não há muito a dizer. É uma regra necessária para evitar acidentes como o de Marc Staal. O jogo está cada vez mais rápido e é muito difícil evitar este tipo de situação sem recorrer a mais material de protecção.

Não será uma mudança assim tão grande. Cerca de dois terços dos jogadores já usa visor e os jovens chegam habituados a essa realidade. Na CHL os visores são obrigatórios e na NCAA os jogadores têm mesmo que usar máscaras completas. Não resolve tudo e hipoteticamente até pode ser mais perigoso se o visor se desfizer, mas é mais um passo dado na protecção dos jogadores.

Icing híbrido

O icing híbrido está a ser testado durante os jogos de preparação e será tomada uma decisão por votação dos jogadores. A ideia é simples de perceber. Uma equipa despeja o disco antes da linha do meio-campo e inicia-se uma corrida pelo disco. No icing normal, se o defesa chegar primeiro ao disco o jogo pára e reinicia com um face-off do outro lado da pista. No híbrido, o defesa apenas tem que chegar primeiro a uma linha imaginária que passa no meio dos círculos de face-off para o icing ser assinalado, afastando os jogadores das bordas.

É pouco provável que a regra seja aplicada já esta época. 7 jogos não são suficientes para os jogadores se adaptarem a uma mudança tão profunda no jogo. A técnica de abordar os dumps passa a ser outra, os treinadores vão querer inventar novas estratégias e até os árbitros têm que se habituar à nova regra, e isso leva tempo.

A regra do icing tem que ser mudada, nem que seja para evitar acidentes como o de Joni Pitkanen. A regra mais segura seria o no touch icing, onde o icing é assinalado mal o disco passe a linha de golo. Será difícil convencer os jogadores, mas a liga espera conquistá-los aos poucos. Uma meia-medida, bem há moda da NHL.

Redução do equipamento de protecção dos guarda-redes

Mesmo com performances abaixo do normal por parte de alguns notáveis, como Marc-Andre Fleury e Carey Price, a percentagem de defesas em média da liga foi 91.2%, a terceira maior marca de sempre e muito longe dos 87.6% que se registavam há 20 anos atrás. Como resultado, o número de golos marcados continua baixo e praticamente estagnado durante a última década.

Os treinadores e as suas tácticas defensivas têm sido muitas vezes culpabilizados por esta realidade, mas o facto é que as equipas rematam mais agora do que na década de 80. Duas coisas têm aumentado desde essa época: o tamanho dos guarda-redes e do seu equipamento. A liga decidiu então cortar nas almofadas que eles costumam usar nas pernas.

Na antiga regra, os pads podiam ir até 55% da distância entre o joelho e a bacia. Agora só podem ir até aos 45%. Henrik Lundqvist fez o favor de tweetar uma foto para vermos a diferença. Pode não parecer muito, mas vai dificultar a vida dos guarda-redes de estilo borboleta. Este estilo utiliza muito os pads para tapar a parte inferior da baliza. Sem aquele centímetros a mais, o five-hole fica mais desprotegido. Desconfio que os números de Corey Crawford não vão ser tão bons como no ano passado.

Proíbido tirar o capacete antes de uma luta

A partir de agora, os jogadores que tirarem o capacete antes de uma luta serão penalizados com 2 minutos de penalidade, a somar aos 5 que recebem por lutar. A NHL tenta assim diminuir a probabilidade de uma lesão, protegendo-se contra futuros processos judiciais movidos por ex-jogadores, como aconteceu na NFL. A liga também quer evitar a todo o custo uma morte provocada pelo embate da cabeça desprotegida no gelo, no fim de uma luta.

É mais uma meia-medida. Mais um passo para acabar com as lutas. Eu gosto desse aspecto do jogo. Não por fazer parte da cultura, nem por achar que tem influência no desenrolar de um jogo, mas porque é divertido. Puro e simples entretenimento. No entanto, não é isso que me faz gostar de hockey. Sem lutas eu continuaria tão obcecado por este jogo como sou agora, mas acredito que muitas outras pessoas se afastem por causa delas. Se acabar com as lutas é necessário para fazer o desporto crescer, façam-no. Chega de enrolar. Até lá os goons vão arranjando soluções criativas para passarem entre os pingos da chuva.

Clarificação da Regra 48

A famosa regra 48 sofreu uma pequena alteração de texto. Antes a regra dizia “uma placagem que resulta em contacto com a cabeça de um adversário, onde a cabeça é alvejada e o principal ponto de contacto, não é permitida”. O que dificultava a decisão dos árbitros era avaliar se a cabeça era alvejada, ou seja, se o jogador que placou tinha intenção de acertar na cabeça do adversário.

Para retirar esse elemento de dúvida, a regra agora lê-se “uma placagem que resulta em contacto com a cabeça de um adversário, onde a cabeça é o principal ponto de contacto e em que esse contacto seja evitável, não é permitida”. É claro que saber se uma coisa é evitável também é subjectivo, mas é mais fácil de avaliar.

Os árbitros irão ter em atenção 2 aspectos essenciais. O comportamento do jogador que placou: se foi fora de tempo, se o ângulo da placagem foi perigoso, se saltou no momento do contacto. E o comportamento do adversário: se estava numa posição vulnerável, se houve mudança repentina de posição. No fundo, coloca maior responsabilidade ao jogador que placou, e isso é bom.

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4 thoughts on “Alterações de regras para 2013/14

  1. Parece que a NHLPA aprovou o Hybrid Icing, e quando é a associação de jogadores a aprovar, é porque eles acham que vai trazer benefícios. Menos lesões acontecerão, apesar de eu já ter lido que não são assim tão frequentes as lesões devido ao antigo formato do Icing. Não acho piada a esta alteração mas aceito.

    Quanto aos equipamentos dos GR acho que será bom, veremos se acabam os 0-0 e 1-0 que acontecem a tantas vezes a Oeste. Por outro lado, é provável que as médias dos GR baixe e vai ser interessante ver em que valores é que se vai fixar, quais os GR que vão adaptar-se melhor e se não vamos ter uma mudança entre os GR que considerávamos (no passado) e consideraremos (no futuro) de topo.

    Proteções oculares concordo, a regra das camisolas melhorará o aspecto de um grande jogador como o Ovechkin, o que me fazia uma certa confusão.

    As lutas são importantes e fazem parte e história dos capacetes, para mim, é estupida.

    Quanto a “famosa” Regra 48, que eu nao conhecia, acho que é uma melhoria, não vem em nada condicionar a intensidade de jogo e protege os integridade dos jogadores. Vamos ver se vai resultar num numero inferior de concussões. Na minha opinião não vai mudar nada apenas as sanções aplicadas pelos árbitros, os jogadores vão jogar como até aqui.

    1. Tens razão. Só agora é que vi. Estou um bocado surpreendido pelos jogadores terem aprovado já a regra. Nunca pensei que os jogos de preparação chegassem para eles ficarem convencidos. O problema destas lesões não é tanto a frequência, é mais a gravidade. Já houve um jogador que teve que terminar a carreira por uma lesão destas, e o Pitkanen parece ir pelo mesmo caminho.

      Bom argumento em relação às camisolas. É normal que a liga queira que os jogadores estejam apresentáveis, uma vez que no fundo estão a tentar vender um produto, e o aspecto conta muito. Eu só não quero publicidade nas camisolas. Já me chega a que está no gelo e não deixa ver o disco.

      Quanto à regra 48, de facto há um estudo que diz que o número de concussões não diminui desde a implementação da regra. E não é esta alteração que o vai fazer. Isto só esclarece algumas dúvidas. Tu disses-te tudo. Os jogadores não vão mudar. Para fazer alguma diferença têm que começar por baixo, nas camadas jovens.

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