A ameaça da KHL

A reacção imediata ao anúncio de Kovalchuk foi choque. Depois veio a aceitação e uma pergunta: será que Kovalchuk estabeleceu um precedente? Será este o início de um êxodo de jogadores para a KHL?

Kovalchuk deixa na mesa $77 milhões de dólares durante os próximos 12 anos, mas irá provavelmente receber uma quantia muito maior da sua nova equipa, o SKA S. Petersburgo. A KHL tem mais poder económico do que a NHL, ou pelo menos menor regulação do sistema financeiro da liga, e a sua táctica para tentar pescar mais jogadores à NHL será atirar-lhes com baldes cheios de dinheiro. Mas é isso suficiente para atraí-los?

Segundo alguns agentes, os jogadores que representam são assediados quase constantemente com propostas milionárias da KHL, algumas na ordem dos $10 milhões por ano. O lockout foi uma altura propícia a esse tipo de assédio, com quantidades loucas de dinheiro a serem prometidas aos jogadores para eles ficarem na Rússia. No entanto, nenhum ficou, e até agora apenas Kovalchuk se arrependeu.

O dinheiro é bom, mas o nível competitivo ainda é fraco comparado com a NHL. Só assim se explica o facto de Malkin ter terminado na 3ª posição da lista de melhores marcadores, mesmo tendo jogado apenas 37 jogos. Kevin Dallman não se conseguiu afirmar na NHL, mas é o melhor defesa da KHL da última década.

Pavel Datsyuk também esteve tentado a regressar a casa, e é fácil perceber a tentação. Se eu pudesse fazer aquilo que gosto, por mais dinheiro e ainda estar mais perto de casa, porque é que não o faria? Acho que qualquer pessoa, em qualquer profissão iria seriamente considerar esta opção.

Datsyuk acabou por renovar contrato com os Red Wings, e também é fácil perceber porquê. Os atletas profissionais são pessoas altamente competitivas e que querem estar sempre entre os melhores. Para isso, Datsyuk sabe que tem que ficar na NHL e lutar pela Stanley Cup.

A situação de Kovalchuk está cheia de circunstâncias especiais e que dificilmente se repetirão. Os Devils estão a passar por algumas dificuldades financeiras e até ficam aliviados por se verem livres do contrato de Kovalchuk. A perda do seu melhor jogador vai prejudicá-los no curto prazo, mas sem o peso do contrato de Kovalchuk vai ser mais fácil encontrar investidores.

Qualquer outro jogador que tente fazer o mesmo, o mais certo é ver o seu contrato suspenso e ser impedido de jogar no próximo ano. O próprio Kovalchuk arrisca nunca mais jogar na NHL, uma vez que o seu regresso tem que ser aprovado pelos Devils e pelas outras 29 equipas.

A verdadeira ameaça da KHL são os rookies. Cada vez são mais os jogadores a adiarem a sua chegada a NHL. Evgeni Kuznetsov foi escolhido no Draft de 2010 e ainda não se apresentou nos Washington Capitals. Vladimir Tarasenko foi seleccionado no mesmo ano e apenas na época passada se estreou ao serviço dos St. Louis Blues. O 10º jogador seleccionado este ano, Valeri Nichushkin já avisou os Dallas Stars que se não entrar directamente para a equipa principal, volta para a KHL.

É neste campo que a batalha se irá travar, e não nos jogadores já estabelecidos. Quanto a Kovalchuk, ele irá provavelmente dominar a KHL, mas só iremos voltar a ouvir falar de tal pessoa nos Jogos Olímpicos de Socchi.

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