A ameaça da KHL

A reacção imediata ao anúncio de Kovalchuk foi choque. Depois veio a aceitação e uma pergunta: será que Kovalchuk estabeleceu um precedente? Será este o início de um êxodo de jogadores para a KHL?

Kovalchuk deixa na mesa $77 milhões de dólares durante os próximos 12 anos, mas irá provavelmente receber uma quantia muito maior da sua nova equipa, o SKA S. Petersburgo. A KHL tem mais poder económico do que a NHL, ou pelo menos menor regulação do sistema financeiro da liga, e a sua táctica para tentar pescar mais jogadores à NHL será atirar-lhes com baldes cheios de dinheiro. Mas é isso suficiente para atraí-los?

Segundo alguns agentes, os jogadores que representam são assediados quase constantemente com propostas milionárias da KHL, algumas na ordem dos $10 milhões por ano. O lockout foi uma altura propícia a esse tipo de assédio, com quantidades loucas de dinheiro a serem prometidas aos jogadores para eles ficarem na Rússia. No entanto, nenhum ficou, e até agora apenas Kovalchuk se arrependeu.

O dinheiro é bom, mas o nível competitivo ainda é fraco comparado com a NHL. Só assim se explica o facto de Malkin ter terminado na 3ª posição da lista de melhores marcadores, mesmo tendo jogado apenas 37 jogos. Kevin Dallman não se conseguiu afirmar na NHL, mas é o melhor defesa da KHL da última década.

Pavel Datsyuk também esteve tentado a regressar a casa, e é fácil perceber a tentação. Se eu pudesse fazer aquilo que gosto, por mais dinheiro e ainda estar mais perto de casa, porque é que não o faria? Acho que qualquer pessoa, em qualquer profissão iria seriamente considerar esta opção.

Datsyuk acabou por renovar contrato com os Red Wings, e também é fácil perceber porquê. Os atletas profissionais são pessoas altamente competitivas e que querem estar sempre entre os melhores. Para isso, Datsyuk sabe que tem que ficar na NHL e lutar pela Stanley Cup.

A situação de Kovalchuk está cheia de circunstâncias especiais e que dificilmente se repetirão. Os Devils estão a passar por algumas dificuldades financeiras e até ficam aliviados por se verem livres do contrato de Kovalchuk. A perda do seu melhor jogador vai prejudicá-los no curto prazo, mas sem o peso do contrato de Kovalchuk vai ser mais fácil encontrar investidores.

Qualquer outro jogador que tente fazer o mesmo, o mais certo é ver o seu contrato suspenso e ser impedido de jogar no próximo ano. O próprio Kovalchuk arrisca nunca mais jogar na NHL, uma vez que o seu regresso tem que ser aprovado pelos Devils e pelas outras 29 equipas.

A verdadeira ameaça da KHL são os rookies. Cada vez são mais os jogadores a adiarem a sua chegada a NHL. Evgeni Kuznetsov foi escolhido no Draft de 2010 e ainda não se apresentou nos Washington Capitals. Vladimir Tarasenko foi seleccionado no mesmo ano e apenas na época passada se estreou ao serviço dos St. Louis Blues. O 10º jogador seleccionado este ano, Valeri Nichushkin já avisou os Dallas Stars que se não entrar directamente para a equipa principal, volta para a KHL.

É neste campo que a batalha se irá travar, e não nos jogadores já estabelecidos. Quanto a Kovalchuk, ele irá provavelmente dominar a KHL, mas só iremos voltar a ouvir falar de tal pessoa nos Jogos Olímpicos de Socchi.

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Alain Vigneault e o zone matching

Ao contrário das habituais enfadonhas conferências de imprensa, a apresentação de Alain Vigneault como novo treinador dos New York Rangers foi bastante entretida e informativa. Vigneault confirmou que iria trazer o zone matching para Nova Yorque, deixando os fãs a perguntarem-se quais seriam as implicações dessa decisão.

Apesar de a origem ser discutível, Alain Vigneault foi o primeiro a aplicar os conceitos do zone matching em grande escala na NHL com Manny Malhotra nos Vancouver Canucks. Malhotra chegou aos Canucks assinando um contrato de 3 anos por $2.5 milhões de dólares, o que é algo elevado para um centro de 4ª linha. No entanto, Malhotra começou a fazer algo que mais ninguém fazia na NHL: disputava face-offs exclusivamente na zona defensiva.

Malhotra não fazia parte de uma linha defensiva habitual, cujo o papel seria defender e anular uma linha em particular (line matching). Os Canucks começaram a combinar linhas de acordo com a localização do face-off, e não de acordo com os jogadores da outra equipa que estavam no gelo. Nasceu aí o conceito de zone matching.

A principal razão de existir desta estratégia é óbvia: atribuir a grande maioria dos minutos defensivos a uma linha secundária para que os melhores jogadores não tenham que o fazer. É claro que os jogadores a quem é confiado este papel vão na maioria dos jogos passar um mau bocado. O seu +/- vai ser horrível. Mas o benefício para a produtividade dos jogadores do topo do alinhamento supera claramente os riscos.

Em 2011, Manny Malhotra começou 86.2% dos turnos na zona defensiva, o valor mais alto registado até hoje. Nesse ano, Daniel Sedin venceu o Art Ross Trophy com 104 pontos e Henrik Sedin fez 75 assistências. 2010/2011 foi a melhor época dos irmãos Sedin e também dos Canucks, que ganharam o Presidents’ Trophy e estiveram a um jogo de levar a Stanley Cup para Vancouver.

À medida que Malhotra foi progressivamente sucumbindo a uma lesão ocular contraída em 2011, Maxime Lapierre tomou o seu lugar e acabou esta época com 73.6% de turnos começados na zona defensiva.

No entanto, nem todos os treinadores aceitam esta estratégia. Uma das principais fraquezas apontadas é tornar a escolha das linhas muito previsível para o adversário. Normalmente, quando se joga fora, como não tem a última escolha de linhas, o treinador tem que adivinhar o que o seu colega vai fazer. Contra uma equipa que utiliza o zone matching torna-se mais fácil saber que linhas estarão no gelo em determinado momento e colocar os jogadores que pretende. Uma solução para este problema será utilizar o zone matching nos jogos fora, já que não se tem a vantagem de ser o último a escolher, e em casa usar o mais tradicional line matching.

Outro problema é que já não existe o factor surpresa. A partir de 2012, várias equipas começaram a seguir o exemplo dos Canucks e curiosamente o mais rápido foi Jonh Tortorella e os New York Rangers. No fim da época 2011/2012, Brian Boyle tinha começado 71.2% dos seus turnos na zona ofensiva, apesar de esse número ter diminuído um pouco este ano (61.7%).

Por isso, as mudanças nos Canucks não serão muitas em termos da utilização dos jogadores. John Tortorella disse também na sua apresentação que não se irá coibir de usar os irmãos Sedin no penalty kill, mas o alinhamento em 5-contra-5 não deverá ser muito diferente do que Vigneault fazia, apesar de existirem dúvidas sobre quem será o substituto de Lapierre, que assinou pelos St. Louis Blues.

Nos Rangers é de esperar o aumento do papel defensivo de Brian Boyle para dar mais liberdade à dupla Brad Richards e Rick Nash, tal como acontecia com os Sedin em Vancouver. Não me surpreendia se a próxima época fosse a pior da carreira de Brian Boyle e a melhor de Rick Nash.

Grabovski, Bozak e o contexto

Prometo que é a última vez que falo nisto. Como disse há uns dias, a comparação entre Grabovski e Bozak não é nada favorável ao último. Qualquer pessoa que veja os jogos dos Leafs com mais atenção não precisa de mais nada para perceber a diferença entre estes dois. Contudo, os números validam aquilo que os olhos vêem e são argumentos mais fiáveis do que a nossa memória.

Mikhail Grabovski chegou aos Maple Leafs depois de 2 anos problemáticos nos Montreal Canadiens. Na altura, os Leafs conseguiram ver em Grabovski um centro com qualidade nos dois momentos de jogo. Essa capacidade de atacar e defender ao mesmo nível mereceu cada vez mais a confiança de Ron Wilson.

Quando Randy Carlyle chegou, tudo mudou. Grabovski passou a jogar cada vez menos minutos, acabando mesmo por ser despromovido para a 3ª linha. Pelo contrário, Tyler Bozak ganhou mais protagonismo com Carlyle, reclamando de vez o estatuto de centro de 1ª linha, ao lado de Phil Kessel.

Um dos argumentos para a permanência de Bozak na 1ª linha sempre foi a química que existe entre ele e Kessel. Parece que eles são muito amigos fora do gelo, mas lá dentro será que Kessel joga melhor quando está ao lado de Bozak? Vamos ver.

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Tabela 1: TOI (time on ice) – tempo de jogo; GF%= golos marcados/ (golos marcados+golos sofridos); CF% – igual ao GF% mas para tentativas de remate

Esta tabela compara o desempenho de Kessel quando joga com Bozak e quando joga com Grabovski. Existe uma grande vantagem para Grabovski, quer na percentagem de golos, quer na percentagem de tentativas de remate. Ou seja, os Leafs marcam mais golos e fazem mais remates do que o adversário quando Grabovski e Kessel estão ao mesmo tempo em jogo.

Incomoda-me muito que Grabovski nunca tenha tido oportunidade para jogar com Kessel. Kessel é um jogador muito particular. Ele tem uma capacidade inata para marcar golos, mas perde-se um bocado na zona defensiva, apesar de ter melhorado muito nos últimos dois anos. Kessel precisa de um centro que assuma as responsabilidades defensivas e lhe dê liberdade para arriscar. Bozak ainda consegue ser pior a defender. Grabovski podia ter dado essa segurança a Kessel, mas em 5 anos apenas jogou a seu lado durante 345 minutos, equivalente a cerca de 14 jogos.

Se compararmos directamente a performance de Grabovski e Bozak, mais uma vez a vantagem é do Bielorrusso.

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Tabela 2: TOI/J – tempo de gelo por jogo; G – golos; A – assistências; Pts – pontos; Pts/60 – pontos por 60 minutos; GF% – ver tabela 1; CF% – ver tabela 1
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Tabela 3

A produção de Grabovski foi sempre superior à de Bozak, durante os 5 anos que esteve em Toronto. Marcou mais golos, mais pontos e equilibrou isso com um jogo defensivo eficaz, e tudo isto jogando com jogadores de muito menor qualidade.

Os críticos de Grabovski apontam a fraca performance na época passada, e acusam o jogador de não ter marcado golos suficientes numa altura em que a equipa jogava bem. Já aqui disse que a equipa não jogava assim tão bem. Era dominada quase todos os jogos e dependia de uma insustentável eficácia nos remates e das exibições de James Reimer.

Apesar disso, é verdade que os números de Grabovski caíram no ano passadp, mas foram só 48 jogos, meia época. O próprio Bolland teve um ano péssimo a nível individual, e não foi por isso que os Leafs não o foram buscar. Adquirir um bom jogador depois de meia época má é esperteza. Dispensar um bom jogador depois de meia época má é estupidez. Fazer as duas coisas num espaço de uma semana é loucura.

Mas a queda dos números de Grabovski pode ser explicada. Um dos perigos de usar dados para testar hipóteses é não ter em atenção o contexto. Os números que eu apresentei nas tabelas em cima não valem nada se não conhecermos o contexto em que eles aparecem. O contexto dá-nos o significado ao números, permite-nos interpretá-los. A próxima tabela tenta mostrar o uso que Randy Carlyle deu a Grabovski e a Bozak no ano passado.

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Tabela 4: PP TOI – tempo de jogo no powerplay; OFZ% (ofensive zone starts) – início de turnos na zona ofensiva; QoC – quality of competion

O uso de um jogador pode ser avaliado por três vertentes: tempo de jogo (TOI), % de turnos iniciados na zona ofensiva (OFZ%) e qualidade de competição (QoC). O tempo de jogo é óbvio e a OFZ% é fácil de entender. Quanto mais turnos um jogador começar na zona ofensiva, mais probabilidade tem de marcar golos ou fazer assistências. A QoC do jogador x é basicamente uma média da CF% (percentagem de remates tentados pela equipa enquanto um jogador está no gelo) de todos os adversários que o jogador x enfrentou.

Na tabela 2 e 3 pudemos ver que Grabovski joga quase menos 5 minutos por jogo, e mais de um minuto dessa diferença é feita no powerplay. Em 2010-11, o melhor ano da carreira de Grabovski, ele jogou 3 minutos e 8 segundos por jogo no powerplay. Passados 3 anos estava reduzido a 1 minuto e 42 segundos. O tempo de powerplay é essencial para um jogador poder acumular pontos.

Grabovski também teve uma OFZ% muito baixa. Bozak acabou por ter um número abaixo dos 50%, mas isso parece ser comum a toda a equipa dos Leafs, o que é mais um indício que a equipa era dominada pelos adversários, acabando os turnos sempre enfiada na sua zona defensiva. O valor mais alto é de 50.3% pertencente a Colton Orr.

Para terem uma ideia do impacto que tem começar o turno na zona defensiva, aqui está uma tabela com os jogadores que começaram menos turnos na zona ofensiva do que Grabovski (e prometo que é a última).

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Tabela 5

Não é a fina nata da NHL, não senhor. Nenhum destes jogadores conseguiu quebrar a barreira dos 20 pontos, sem ser Nikolai Kulemin, que passou grande parte do seu tempo ao lado de Grabovski. Deste grupo, apenas Kulemin e Boyd Gordon enfrentaram melhor qualidade de competição (QoC). Nenhum destes jogadores, excepto Kulemin e Sean Couturier, é metade do jogador que é Grabovski.

O que eu quero dizer com isto é que o Grabovski não foi usado da maneira correta, tal como Kulemin. É um desperdício utilizar jogadores como eles para fazer este tipo de minutos. Se virem os outros nomes na lista são tudo jogadores medianos e especializados num papel defensivo. Grabovski tem muito mais para oferecer, mas precisa de ser colocado numa posição que lhe permita ter sucesso. Estou a pensar escrever um artigo sobre Alain Vigneault e o zone matching e aí vou desenvolver melhor esta ideia.

Concluindo, os Leafs dispensaram um jogador por ele ter tido uma época menos produtiva, mas esqueceram-se de ter em conta a maneira como ele foi utilizado. Grabovski nunca ia conseguir marcar muitos pontos com todas estas condicionantes: menos tempo de jogo, menos tempo de powerplay, menos OFZ% e maior qualidade de competição.

Dave Nonis e a sua equipa não avaliaram o contexto, e números sem contexto são só isso, números.

Quem ganhou e quem perdeu

O primeiro dia da free agency é um dos dias mais movimentados do ano. É um dia onde se gasta muito dinheiro e se cometem muitos erros. Erros que mais tarde levam à desgraça os GM’s em questão.

Mesmo sabendo que todas as equipas pagam demais aos jogadores neste dia, existem sempre aquelas que conseguem fazer os melhores negócios e ao mesmo tempo suprir as suas principais necessidades. Também existem aquelas que nem fazem uma coisa nem outra (cof, cof, Leafs, cof).

Vencedores: Ottawa Senators

O dia começou da pior maneira para os fãs dos Senators com a notícia da partida do seu Capitão para os Detroit Red Wings. Poucos minutos depois, o desespero passou a esperança com o anúncio da troca de Bobby Ryan. A chegada de Ryan não ficou barata aos Sens, com Jakob Silfverberg, Stefan Noesen e uma 1ª ronda em 2014 a fazer o caminho contrário para Anaheim. Os Sens ainda conseguiram assinar Clarke MacArthur por $3.5 milhões de dólares, durante 2 anos, um contrato razoável para um jogador muito versátil. Para terminar o dia ainda garantiram a renovação do treinador Paul MacLean por 3 anos.

Derrotado: Daniel Alfredsson

Sendo um dos poucos fãs dos Leafs que entendeu a saída de Mats Sundin em 2008 para os Vancouver Canuck, não posso criticar Alfredsson por tentar tudo para ganhar uma taça. O problema que eu acho que os Senators não estão tão longe da Stanley Cup como isso. Eles já eram uma equipa muito boa que dependia do contributo de todos para marcar golos. Agora em Bobby Ryan têm um jogador capaz de marcar 30 golos por época, a juntar a um dos melhores guarda-redes dos últimos anos e a uma defesa muito boa. Os Red Wings são candidatos eternos aos Playoffs. À Stanley Cup? Já não tenho tanta a certeza.

Vencedor: Jim Nill

O novo GM dos Dallas Stars não perdeu tempo e reconstruiu o centro do ataque em apenas um dia. Seguin, Horcoff e Peverley juntam-se a Jamie Benn para formar um belo quarteto de centros. Existe ainda a possibilidade de Benn passar para uma ala e jogar ao lado de Seguin, que é visto pelos Stars como centro. Na free agency, Nill foi mais contido mas conseguiu encontrar um bom guarda-redes suplente a um bom preço (Dan Ellis, $900 mil por 2 anos). Para além da melhoria do visual, os Dallas também estão a melhorar no gelo.

Derrotados: Toronto Maple Leafs

Confirmou-se. Grabovski foi dispensado para haver espaço para dar $4.5 milhões de dólares a Tyler Bozak. Não vou comparar os dois jogadores aqui, isto merece um artigo só por si, mas não é preciso investigar muito para perceber que isto é um erro. Não tenho nada contra David Clarksson. Ele é um bom avançado que evoluiu bastante nos últimos anos e até pensei que ia ficar mais caro, mas dar 7 anos a um jogador com 29 anos que já passou o auge da carreira nunca é boa ideia. E desde quando é que os Leafs precisam de avançados? Os Leafs acabaram no top-10 das equipas com mais golos nos últimos dois anos. A defesa é a verdadeira necessidade da equipa e nada foi feito para a melhorar. Actualização: o dia termina com a renovação do contrato de Jonathan Bernier. $2.9 milhões de dólares por 2 anos. Reimer ganha $1.8 milhões. O Bernier vai ser o titular, não vai? Jesus…

Vencedores: New York Islanders

Garth Snow, o GM dos Islanders é muito subvalorizado. Ele conseguiu construir uma equipa competitiva com John Tavares rodeado por jogadores adquiridos nos waivers. Com o orçamento muito apertado, Snow não tem dinheiro para fazer asneiras. Todos os passos têm que ser bem medidos. A renovação de Travis Hamonic foi o melhor contrato do dia. O contrato no valor de $3.8 milhões de dólares por 7 anos segura um bom defesa durante os seus melhores anos. Os Islanders também renovaram o contrato de Nabokov (à falta de melhor), adquiriram Pierre-Marc Bouchard e Peter Regin. São pequenas adições, mas que juntas fazem a diferença. Não me surpreendia ver esta equipa outra vez nos Playoffs para o ano.

Derrotados: Montreal Canadiens

Depois de falharem a contratação de Vicent Lecavalier (outra vez…), os Canadiens viraram a atenção para Daniel Brière e assinaram um contrato no valor de $4 milhões de dólares durante 2 anos. Briére pode ser um jogador útil na 3ª linha e principalmente no powerplay, mas é pouco provável que justifique o investimento. Nas últimas 3 épocas, Brière passou de 0.69 pontos por jogo para 0.29. Dada a sua idade, não é expectável que ele recupere o nível de outros tempos. Para além de perder Michael Ryder para os New Jersey Devils, os Canadiens ainda adquiriram George Parros aos Florida Panthers, não sei bem para quê. Deve ser por causa do bigode.

O adeus de Grabo

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Desde da troca de Dave Bolland que eu temia por este dia. Quando Nonis veio dizer que ele seria mais do que um simples centro de 3ª linha, eu no fundo sabia o que isso queria dizer, mas preferi ignorar.

Hoje tudo fez sentido, sem sentido nenhum. Os Leafs dispensaram Mikhail Grabovski e toda a esperança que eu tinha nesta equipa desapareceu. Não é o fim do mundo, mas anda perto e comprova a incompetência das pessoas que gerem esta equipa.

Dave Nonis disse há uns dias que ia fazer tudo para adquirir um centro de 1ª linha. Qual é a primeira coisa que ele faz? Dispensa o Grabovski, o único jogador que tem capacidade nesta equipa para jogar entre Kessel e Lupul e que nunca chegou a ter oportunidade de o fazer.

Todas as justificações que possam ser dadas não justificam nada. Se dispensaram o Grabovski para libertar espaço salarial, havia outras maneiras de o arranjar. Ele ganha $5.5 milhões de dólares. Se o Sr. Nonis não tivesse retido $500 mil na troca do Bernier, não tivesse gasto $900 mil no Colton Orr e tivesse usado o buyout no Liles ($3.8 milhões), tinha poupado o mesmo.

Se foi para abrir lugar para outro centro que vem aí, qual D. Sebastião a aparecer do nevoeiro, nenhuma das opções disponíveis no mercado é melhor do que o Grabovski. Se for para renovar o Bozak, ainda pior.

Mesmo jogando ao lado de dois alas que marcam a um ritmo de 1 ponto por jogo, Bozak nunca fez mais do que 50 pontos numa época. Eu podia dizer mais, mas vou guardar as comparações para o artigo que vou escrever quando se perceber onde é que este dinheiro vai ser gasto.

O sucesso deste ano não me iludiu. Os números não mentem e, apesar do apuramento para os Playoffs, os Leafs não foram uma boa equipa. Gozaram de muita sorte e de um guarda-redes muito bom.

A eliminatória com os Bruins deu-me esperança. Com um alinhamento aperfeiçoado, a equipa mostrou aquilo que pode ser capaz. Mas Carlyle foi obrigado a fazer essas alterações, não foi uma escolha. Carlyle não mudou nada no seu sistema e não aprendeu nada com a boa resposta que a equipa deu contra os Bruins.

É difícil dizer isto como adepto dos Leafs, mas não sei se vou conseguir apoiar esta equipa para o ano. Não me identifico com esta gestão e já só estou à espera que o Nonis e o Carlyle sejam despedidos, o mais cedo possível de maneira a não prejudicarem mais o futuro dos Leafs.

A única coisa que posso fazer agora é desejar as melhores felicidades ao Grabo onde quer que ele vá e recordar os bons momentos que passamos juntos.

Tim Thomas de regresso?

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Segundo o seu agente Bill Zito, Tim Thomas está a estudar a hipótese de regressar à NHL. Os New York Islanders detêm os direitos do guarda-redes que termina contrato esta época. Os Islanders podem suspender o fim do contrato, porque Thomas não se apresentou esta época, mas já admitiram não estarem interessados em fazê-lo.

Depois de ganhar a Stanley Cup, o Vezina e o Conn Smythe em 2010, Thomas e os Bruins foram derrotados na primeira ronda pelos Washington Capitals e o guarda-redes decidiu refugiar-se durante um ano num bunker qualquer no Colorado a preparar-se para o Apocalipse Zombie.

Não há certezas de nada para já, mas os Flyers perfilam-se como um dos candidatos. Depois de o destino de alguns guarda-redes ter sido decidido nos últimos dias (Smith, Bobrovsky, Bernier, Backstrom, Luongo e Schneider) o mercado parece cada vez mais escasso. Thomas será um boa opção para uma equipa que procure uma solução de curta duração para a baliza.

Pode haver alguns receios quanto à forma física de Thomas depois de um ano fora do activo, e também quanto à controvérsia que envolveu a sua saída dos Bruins. No entanto, são dois problemas fáceis de resolver e o risco é pouco, considerando que da última vez que o vimos, Thomas era um dos melhores guarda-redes da NHL.

Principais histórias do Draft de 2013

O Draft é o dia em que as equipas definem o seu futuro e escolhem os jogadores que um dia virão a vestir a sua camisola. Apesar das milhares de horas gastas a observar todos o jogadores elegíveis para o Draft, a escolha é sempre subjectiva e nunca 100% certa.

O potencial é isso mesmo. Nada garante que estes miúdos cumpram as expectativas que são colocadas nos seus ombros. Todos terão que passar por um processo de aprendizagem, mesmo aquele que tiverem a oportunidade de entrar directamente para a NHL.

O Draft é também a concretização de sonhos e uma ocasião especial onde se conhecem histórias especiais. Aqui ficam algumas delas.

Palavra de Sakic

Vários dias antes do Draft, os Colorado Avalanche admitiram que iriam escolher um avançado, mais precisamente Nathan MacKinnon. Apesar de alguns adversários terem ficado desconfiados que se tratava de um bluff, isso não fazia sentido, e o anúncio precose acabou mesmo por se cumprir.

Em termos estratégicos, Sakic não ganhava nada em revelar a sua escolha antecipadamente. Provavelmente, os Avalanche quiseram preparar os fãs. O entusiasmo era muito à volta de Seth Jones, o rapaz da casa, e  Sakic quis evitar uma decepção no dia do draft.

Quanto a MacKinnon, os Avalanche não se irão arrepender. É um excelente centro, muito rápido, da mesma cidade onde nasceu Sidney Crosby e com muitas outras características em comum. Não digo que seja tão bom quanto ele, mas os olheiros dizem que é o melhor centro desta geração.

A surpresa Finlandesa

Com a 2ª escolha no Draft, os Florida Panthers escolheram Aleksander Barkov. O choque inicial foi grande, tendo em conta que Jonathan Drouin e Seth Jones ainda estavam disponíveis.

Mas quanto mais pensava nesta escolha mais ela fazia sentido. Os Panthers precisam de ajuda no meio do ataque com a saída de Stephen Weiss. Barkov junta-se a Jonathan Huberdeau na ala, Erik Gudbranson na defesa e Jacob Markstrom na baliza para formar o núcleo da equipa para os próximos anos.

Nick Bjugstad é um centro promissor que deve integrar a equipa principal dos Panthers na próxima época, mas os olheiros acreditam que Barkov tem mais potêncial que Bjugstad. Os números comprovam. Barkov marcou mais pontos na liga principal do seu país do que Malkin, Kopitar e Sundin. Os únicos jogadores provenientes da Europa com mais pontos do que ele foram Peter Forsberg e os irmãos Sedin, que eram um ano mais velhos que Barkov.

Seth Jones cai nas mãos dos Nashville Predators

Com a 3ª escolha, os Tampa Bay Lightning seleccionaram Jonathan Drouin e deixaram Jones à mercê dos Nashville Predators. David Poille não deixou passar a oportunidade de adicionar mais um defesa excepcional à sua equipa. A queda de Jones foi uma surpresa para todos, especialmente para Poille que apareceu radiante nas entrevistas.

David Poille é um excelente GM. Ele consegue sempre apresentar uma equipa competitiva, mesmo não tendo os recursos de outras equipas. Ele merece. Depois de perder Ryan Suter, os Predators encontraram o seu substituto da maneira que menos esperavam.

Para Jones esta só pode ser uma boa notícia. Vai para uma equipa conhecida por desenvolver defesas de grande qualidade e vai puder aprender com um dos melhores, Shea Weber. Com Weber, Jones e Rinne os Predators vão ganhar muitos jogos por 1-0.

O fim da novela (ou talvez não)

O drama em Vancouver acabou. A situação embaraçosa que perseguia a equipa época atrás de época foi finalmente resolvida, talvez não da maneira que se esperava. Os Canucks trocaram Cory Schneider para os New Jersey Devils pela 9ª escolha do draft. Com a 9ª escolha, os Canucks seleccionaram Bo Horvat, um centro com potencial para ser 1ª/2ª linha.

Depois de entregar as chaves do carro a Schneider, Mike Gillis foi obrigado a mudar de rumo e acabou por ficar com Roberto Luongo. O contrato de Luongo ficou intransferível com o novo CBA e foi muito mais fácil trocar Schneider. O retorno pode parecer pouco para um jogador que mostra tanto potencial, mas uma escolha no top-10 é historicamente um bem muito valioso e difícil de obter.

Luongo, que já estava de malas feitas para sair de Vancouver, é assim obrigado a ficar e não está nada contente com a situação. Francisco Aquillini, o dono dos Canucks, deslocou-se pessoalmente à Florida para falar com ele. O envolvimento de Aquillini diz-me que ele não estaria disposto a pagar o dinheiro a Luongo, no caso de este ser dispensado, o que reduziu ainda mais o espaço de manobra de Gillis.

O erro de Gillis foi não ter resolvido este imbróglio no ano passado, evitando os problemas causados pelas regras do novo CBA.

Blackhawks criam espaço para Bickell

Brian Bickell foi uma peça fundamental na conquista da Stanley Cup e com o fim do seu contrato era esperado um aumento significativo do ordenado. No entanto, para ganhar alguma folga salarial os Blackhawks tiveram que se desfazer de David Bolland e Michael Frolik.

Bolland, o marcador do golo decisivo no Jogo 6 da Final da Stanley Cup, é o novo jogador dos Toronto Maple Leafs em troca de três escolhas no draft (um 2ª ronda e duas 4ª). Os Leafs ganham assim mais profundidade na posição de centro, o que provavelmente significará o adeus a Tyler Bozak ou a Mikhail Grabovski.

Frolik foi trocado para os Winnipeg Jets por duas escolhas, uma na 3ª e outra na  5ª ronda. Os Jets terminaram a época no 24º lugar no penalty kill (79.7%) e Frolik vai ajudar a colmatar essa lacuna da equipa.

Depois destas movimentações, os Blackhawks não perderam tempo a renovar o contrato de Bickell por $4 milhões de dólares durante 4 anos.

O último dos Subban

Jordan Subban, irmão mais novo de P.K. e Malcolm Subban, foi seleccionado na 4ª ronda pelos Vancouver Canucks. Jordan segue as passadas dos seus irmãos e conquistou a oportunidade jogar na NHL. Defesa como P.K., Jordan ainda está muito longe da fisicalidade  do seu irmão e ainda têm que ganhar uns quilinhos.


Brodeur escolhe Brodeur

No fim da noite, os Devils deram mais uma prenda aos seus fãs. Com uma escolha na 7ª ronda conseguida nos últimos minutos através dos Los Angeles Kings, Martin Brodeur teve a oportunidade de escolher o seu filho, Antony Brodeur. Foi um gesto bonito de Lou Lamoriello e dos Devils para com Brodeur e demonstra bem o significado que ele tem para a organização.