Quem são os 10 melhores jogadores do Draft de 2013?

O Draft é já no domingo e pela primeira vez todas as ronda se realizaram no mesmo dia. Com jogadores tão jovens é preciso moderar as expectativas, mas existem sempre aqueles que já estão preparados para causarem impacto na NHL. Os olheiros dizem que este ano há muito talento e qualquer equipa com uma escolha na 1ª ronda pode sair do Draft com uma futura estrela.

Estes são os melhores 10 jogadores deste Draft, segundo a McKeen’s Hockey, uma revista especializada nos jogadores mais jovens e no Draft:

 

1. Seth Jones, Defesa, Portland Winterhawks (WHL)

 
Seleccionar um defesa com a 1ª escolha no Draft é mais arriscado do que um avançado. A curva de aprendizagem e a adaptação à velocidade e exigência da NHL demoram mais tempo. Seth Jones é diferente.

Para além de ser um vencedor nato, Jones consegue controlar o ritmo do jogo como nenhum outro defesa da sua idade. Os seus 193 cm de altura e 93 Kg de peso são acompanhados por grande equilíbrio e velocidade a patinar. Tem uma dimensão defensiva muito sólida, mas também mostra potencial ofensivo. Ele marcou 56 pontos em 61 jogos na WHL.

Jones tem grande habilidade com o disco, consegue montar o ataque, tem um primeiro passe de grande qualidade e é capaz de liderar o powerplay, onde pode tirar partido do seu remate potente. No entanto, é um jogador que ainda tem que amadurecer defensivamente.

Jones é filho de Popeye Jones, ex-jogador da NBA. Com a sua altura poderia ter seguido o caminho do pai, mas o hockey captou o interesse do jovem que passou a sua infância em Denver. Ele até recebeu incentivo pessoal de uma das maiores estrelas dos Colorado Avalanche (a mesma pessoa que agora diz que não o vai escolher em 1º no draft).

 
2. Nathan MacKinnon, Centro, Halifax Mooseheads (QMJHL)

 
Nos últimos meses MacKinnon aproximou-se de Seth Jones na luta pelo número 1 nesta lista. Com um hat-trick e duas assistências na final frente aos Winterhawks de Seth Jones, MacKinnon liderou os Mooseheads na vitória da Memorial Cup.

MacKinnon é um jogador muito completo que já foi nomeado “o próximo Sidney Crosby”. É difícil prever se MacKinnon vai corresponder a essa expectativa, mas olhando para as suas características percebe-se a comparação. Ele é um patinador rápido, forte e muito ágil que consegue ler o jogo mais rápido do que os adversários.

É creativo e tem veia goleadora, mas também sabe cumprir as suas missões defensivas. Apesar de não ter um físico imponente, MacKinnon tem muita força, protege o disco com muita tenacidade e é capaz de fazer placagens impressionantes.

 
3. Jonathan Drouin, Ala, Halifax Mooseheads (QJMHL)

 
Jonathan Drouin não fazia parte do top-10 no ano passado, mas uma época com 105 pontos ao lado de Nathan MacKinnon nos Halifax Mooseheads e excelentes exibições no Campeonato do Mundo de juniores chamaram a atenção dos olheiros.

Drouin é um jogador muito rápido, dinâmico e com grande criatividade com o disco. Apesar de ser pequeno, é muito difícil roubar-lhe o disco devido ao seu equilíbrio e centro de gravidade baixo.

Estas características têm levado a comparações com Martin St. Louis. Com os Tampa Bay Lightning a escolherem em 3º no Draft é bem possível que Drouin e St. Louis estejam a partilhar uma linha na próxima temporada.

 
4.Elias Lindholm, Centro, Brynas (Suécia)

 
Elias Lindholm é o Sueco com mais potencial neste Draft. O centro de 18 anos transitou este ano dos juniores para a equipa sénior do Brynas e marcou 30 pontos em 48 jogos na principal liga sueca.

Lindholm é um trabalhador incansável, excelente patinador e com grande atitude competitiva. A maneira como usa a sua força para criar perigo à frente da baliza faz lembrar Peter Forsberg.

 
5. Aleksander Barkov, Centro, Tappara (Finlândia)

 
Aleksander Barkov tem 17 anos, mas isso não o impediu de dominar a principal liga finlandesa com 48 pontos em 53 jogos. A sua estatura física ajudou (1.88 m, 93 Kg), mas a sua principal arma é a inteligência.

Barkov é um jogador muito criativo, com grande qualidade de passe e que realça as qualidade de todos os que jogam a seu lado. Tem excelente visão de jogo, o que faz dele o playmaker perfeito.

 
6. Valeri Nichushkin, Ala, Chelyabinsk (KHL)

 
Nichushkin pode ser o Grigorenko do ano de 2013. Mikhail Grigorenko também era um dos melhores jogadores do draft do ano passado e acabou por cair para a 12ª escolha devido ao perigo de preferir jogar na KHL. Nichushkin deitou mais achas para a fogueira durante o combine ao dizer que não estava interessado em jogar na AHL.

Os olheiros acham que ele já está pronto para jogar ao mais alto nível. Ele é grande, forte (1.93 m, 91 Kg) e é muito perigoso no ataque. A sua consistência é questionada e ele parece desaparece do jogo por longos períodos de tempo.

 
7. Nikita Zadorov, Defesa, London Knights (OHL)

 
O enorme defesa russo (1.96 m, 100 Kg) chamou a atenção numa das melhores equipas juniores do Canadá. A sua estatura impressionante não o impede de ser um patinador ágil e rápido.

Zadorov tem todos os atributos para ser uma defesa muito sólido na NHL, mas também tem capacidade de criar perigo no ataque.

 
8. Darnell Nurse, Defesa, Sault Ste. Marie Greyhounds (OHL)

 
Darnell Nurse tem sido muito comparado a Seth Jones. O seu jogo equilibrado em que faz uso da sua estatura (1.93 m, 87 Kg) é completado por grande mobilidade. Tal como Jones, Nurse vem de uma família de atletas. Ele é sobrinho de Donovan McNabb, antigo quaterback na NFL e o seu pai jogou na CFL.

Nurse é muito forte a defender, mas aquilo que os olheiros mais gostam nele é a sua atitude. Apesar de lhe ter custado alguns minutos de penalidade, a sua agressividade faz-se sentir durante o jogo e já mereceu comparações com a competitividade de Chris Pronger.

 
9. Max Domi, Centro, London Knights (OHL) 

 
Max é filho do antigo jogador dos Toronto Maple Leafs, Tie Domi, mas usa as suas mãos de um forma bem diferente do que fazia o pai. Pequeno mas forte a patinar, Max Domi pode surprender muita gente e ganhar já um lugar na NHL, à imagem do que fez Jeff Skinner há 3 anos.

Domi é muito criativo, esquivo e muito habilidoso. As suas características têm merecido a comparação com Patrick Kane. Domi é também um jogador extremamente produtivo, que acumulou 87 pontos em 64 jogos na OHL.

 
10. Sean Monahan, Centro, Ottawa 67’s (OHL)

 
Há um ano Sean Monahan estava no top-3 desta lista. No entanto, ele não melhorou substancialmente no 2º ano de juniores, ao contrário de outros jogadores que acabaram por passar à sua frente.

Não é tão dotado como MacKinnon ou Drouin, mas é um jogador completo e que cumpre muito bem as suas responsabilidades defensivas. Os olheiros acham que ele precisa de melhorar a sua patinagem se quer ser um avançado top-6 na NHL.

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Buyout Fever! Vinnie Edition

Os Tampa Bay Lightning anunciaram a dispensa de Vincent LeCavalier. No total, ele irá receber $32.67 milhões de dólares para se ir embora. A matemática é assim: LeCavalier irá receber um bónus imediato de $8 milhões e mais $24 milhões divididos pelos próximos 14 anos. Boa reforma.

“A economia e a estrutura do novo CBA obrigaram a esta decisão e nós estamos entusiasmados com as novas oportunidades que vamos ter daqui para a frente”, disse Steve Yzerman em comunicado. Claro que não foi uma decisão fácil para os Lightning, mas a equipa precisava do espaço salarial e não havia mercado para o jogador.

Não havia, disse bem. O que metia medo às outras equipas não era a qualidade do jogador, mas sim o contrato exorbitante. Agora que o contrato já não é um problema vão aparecer muitas equipas interessadas.

Ao contrário de outros jogadores já dispensados (Gomez, Redden, Bryzgalov), LeCavalier ainda produz. Esta época fez 32 pontos em 39 jogos. Não vale os $10 milhões de dólares por ano que estava a receber, mas é um jogador que pode ser útil a qualquer equipa, pelo preço certo. Entre os possíveis interessados estão Montreal, Toronto, Philadelphia, Vancouver e Washington.

A partir de 5 de Julho as equipas podem começar a negociar com os jogadores sem contrato, mas a situação de Vinnie pode arrastar-se. Existe outro peixe no aquário. Os Rangers ainda não decidiram o que vão fazer com Brad Richards e as equipas que precisam de um centro vão esperar para ver se ele fica disponível.

Qual será o próximo episódio de Buyout Fever! ? Rick DiPietro? Shawn Horcoff? Keith Ballard? Dany Heatley? Ville Leino?

Bryzgalov dispensado pelos Flyers

Depois de usarem um dos seus dois buyouts em Daniel Brière, os Philadelphia Flyers anunciaram a dispensa do guarda-redes Ilya Bryzgalov. Este é o fim de uma história que começou em 2010.

Esse ano foi de inesperado sucesso para os Flyers. Depois de muita dificuldade para se apurarem para os Playoffs, os Flyers bateram Devils, Bruins e Canadiens para chegarem à Final da Stanley Cup. Numa equipa liderada por Mike Richards, Jeff Carter e Daniel Brière, surgiu uma nova estrela em Philadelphia, chamada Claude Giroux.

Se por um lado o ataque dos Flyers estava cheio de talento, velho e novo, a baliza foi deixada a cargo de Brian Boucher e Michael Leighton. Não é propriamente uma dupla de sonho, mas deu para chegar à final. A equipa acabou por ser derrotada por 4-2 pelos Blackhawks e o dono dos Flyers, Ed Snider, meteu na cabeça que a culpa tinha sido dos guarda-redes.

Quando os Flyers foram eliminados na 2ª ronda em 2011 pelos Boston Bruins, com péssimas exibições de Brian Boucher, Snider decidiu que era tempo de alguém fazer alguma coisa. Ilya Bryzgalov vinha de quatro épocas de sucesso com os Phoenix Coyotes e tinha chegado ao fim do seu contrato. Paul Holmgren, pressionado por Snider, ofereceu-lhe um contrato milionário de $51 milhões de dólares durante 9 anos.

Quando a contratação foi feita, Ed Snider disse:

Para mim, este guarda-redes é a peça que faltava para esta equipa ser campeã.

O que o Sr. Snider se esqueceu de referir foi que os Flyers tiveram que despachar Mike Richards e Jeff Carter para alocar o contrato monstruoso de Bryz. Humongous big, like the universe.

A verdade é que tudo foi preparado para ele falhar. Claro que não propositadamente, mas ele nunca iria ser capaz de corresponder àquele contrato. Por muito que fizesse nunca ia justificar aquela quantidade ridícula de dinheiro, a não ser que se transformasse no Henrik Lundqvist.

Tenho a certeza que alguma equipa o vai querer. Se não for na NHL, será na KHL e por outra bategada de dinheiro. Enquanto isso os Flyers procuram já a próxima vítima. Depois de perderem Bernier para os Leafs (infelizmente), haverá por aí algum guarda-redes de elite disponível no mercado?

Sim. Sim. Preparem-se porque vai acontecer. Tem que acontecer! É a tempestade perfeita! Luongo em Filadélfia? O cemitério de guarda-redes? Vai acontecer, e eu vou adorar cada minuto!

O melhor dos Playoffs

Quando chegamos ao fim dos Playoffs a memória fica um pouco enevoada, as quatro rondas parecem misturar-se numa sequência contínua de imagens. Foram dois meses de alegrias e tristezas, surpresas e confirmações, glória e desespero. Dois meses de noites sem dormir.

Para não nos esquecermos tão rapidamente dos Playoffs de 2013, ficam aqui os melhores momentos compilados e editados pelo Rafael Belchior. Não se esqueçam de subscrever o canal do Rafael no youtube.

Melhores Defesas

 

Melhores Golos

 

Golos no Prolongamento

Blackhawks Campeões!

Hockey

O fim foi terrivelmente irónico para os Boston Bruins. Depois de terem recuperado de uma desvantagem de 4-1 para eliminarem os Leafs na 1ª ronda, os Bruins perderam a Stanley Cup para os Blackhawks com dois golos sofridos nos últimos dois minutos.

O 1º período só deu Boston. A equipa de Claude Julien empurrou os Blackhawks para a sua zona e criou inúmeras oportunidades de golo, que Corey Crawford foi negando. Os Bruins pareciam mais determinados e, mesmo com um gelo de má qualidade, conseguiam passar o disco de forma fluída entre os defesas de Chicago. Tyler Seguin com um grande passe ofereceu o 1-0 a Chris Kelly e materializou o domínio dos Bruins.

À entrada no 2º período, o jogo pareciam não ter mudado muito. Os Bruins continuavam por cima e gozavam agora de dois powerplays consecutivos. Mas o penalty kill dos Blackhawks fez o que tem feito todo o ano. Parou o powerplay dos Bruins. Passados poucos segundos, Jonathan Toews, que esteve em dúvida para este jogo, marcava o golo do empate. Não foi o melhor momento de Tukka Rask nestes Playoffs.

A partir desse momento o jogo equilibrou. Erros de um lado e do outro criavam oportunidades de golos, mais do que propriamente a criatividade das duas equipas. Até que, a 7 minutos do fim, Lucic empurrou o disco para o fundo da baliza de Crawford. Naquele momento tudo parecia encaixar na perfeição. Lucic, a personificação da identidade dos Bruins, a forçar um Jogo 7 através da força de vontade.

Mas a dois minutos do fim, apareceu a personificação da identidade dos Blackhawks. Patrick Kane. Só ele conseguiria controlar o disco daquela maneira, naquelas condições e criar o golo do empate a pouco mais de um minuto do fim. Os Bruins não tiverem tempo para se adaptar à nova realidade do resultado e passados apenas 18 segundos, Bolland deu de caras com uma baliza aberta, depois de um desvio de Michael Frolik que enganou Tukka Rask.

Provavelmente, os Bruins mereciam o Jogo 7. Mas o desporto não vive de justiças nem de injustiças. Vive de momentos e de quem os define. Patrick Kane definiu esta final e por isso sai de Boston com o Conn Smythe e, acima de tudo, com a tão desejada Stanley Cup.

A época acabou e nós já temos saudades. Só vamos ter os jogos de volta em Outubro, mas o hockey não vai a lado nenhum. Durante o verão as esperanças são renovadas e todas as equipas têm hipótese de vencer a Stanley Cup. Ainda nada foi decidido e tudo pode acontecer até as equipas se voltarem a defrontar no gelo. Até lá vamos sonhando.

Leafs adquirem Jonathan Bernier

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Desde Curtis Joseph que os Leafs não tinham um guarda-redes de classe mundial. Durante anos a equipa sofreu com exibições fracas entre os postes, mas finalmente encontraram a solução. Não. Não estou a falar de Jonathan Bernier. Estou a falar de James Reimer.

Apesar da época magnifica de Reimer, os Leafs trocaram Ben Scrivens, Matt Frattin e uma 2ª escolha no Draft pelo guarda-redes suplente dos Los Angeles Kings. Eu sei que Bernier não é um simples suplente. Tem potencial para mais. Mas não percebo a razão desta troca.

Se o objectivo é que Bernier seja o titular da baliza dos Leafs, é uma má ideia. Péssima, mesmo. Bernier tem 91.2% de defesas em 62 jogos. É uma amostra muito pequena para avaliara sua valia como titular. Por outro lado, James Reimer tem 91.5% de defesas em 104 jogos.

Só 6 guarda-redes conseguiram ter mais do que 92% de defesas em duas épocas consecutivas nos últimos 3 anos. Henrik Lundqvist fê-lo nas três épocas. Os outros cinco foram Tim Thomas, Jimmy Howard, Pekka Rinne, Corey Schneider e… JAMES REIMER.

Se não contabilizarmos os jogos que ele fez no regresso precipitado depois da concussão sofrida em 2011, a percentagem de defesas de Reimer em 5-contra-5 é de 93%. São números de elite.

Reimer e Bernier foram ambos seleccionados no Draft de 2006. Reimer foi escolhido na 4ª ronda, enquanto que Bernier o foi na 1ª. Será por isso? Pedigree? Ser escolhido em primeiro no Draft normalmente diz muito sobre o valor de um guarda-redes. Basta perguntar a Marc-Andre Fleury ou a Rick DiPietro.

Se a ideia é reforçar a posição para dar luta pela titularidade a Reimer, ainda é mais idiota. Tudo o que os Leafs não precisam é de drama na baliza. Nem toda a gente sabe lidar tão bem com a situação como Luongo. Aliás, Bernier pediu para ser trocado dos Kings exactamente porque não queria ser mais suplente do outro Jonathan (Quick). E agora vem para Toronto para ser suplente do Reimer?

E o que é que havia de mal com o Ben Scrivens? Ele segurou o barco esta época quando Reimer esteve lesionado e tem 91% de percentagem de defesas. Não é assim tão diferente de Bernier e era bastante mais barato, apenas 624 mil dólares por época. Sim porque ainda há mais essa.

Jonathan Bernier está em fim de contrato e os Leafs ainda precisam de chegar a acordo com ele. Isso não deverá ser um problema, mas o valor monetário ficará muito acima dos 624 mil de Scrivens e mais perto dos 1,8 milhões de Reimer.

Depois ainda há a perda de mais um avançado em Matt Frattin. Komarov está de saída para a KHL. Bozak e MacArthur não devem renovar e os Leafs estão reduzidos a 7 avançados com contrato válido para a próxima época.

A troca é má, mas não é catastrófica. Ninguém sabe ao certo o que ira dar Jonathan Bernier. Frattin e Scrivens são duas pecas dispensáveis e a 2ª ronda pode dar em nada.

No entanto, esta troca, a juntar à renovação de Korbinian Holzer e Colton Orr, são pequenos erros que vão gastando recursos que deviam ser utilizados para reforçar as verdadeiras necessidades da equipa. Um guarda-redes suplente não é uma delas.

O que é que os Blackhawks fizeram bem no Jogo 4?

Se perguntasse aos fãs da NHL quem é o principal responsável pela solidez defensiva dos Bruins, acredito que as respostas se iam dividir entre Zdeno Chara e Tukka Rask.

Chara é o melhor defesa da liga. Ele obriga equipas tão talentosas como os Pittsburgh Penguins a mudar o seu jogo só para o anular, mas se formos ver os números percebemos que ele não é assim tão influente.

Com Chara no gelo, os Bruins sofrem 2.02 golos por 60 minutos. Sem Chara, sofrem 2.04. Estes números não têm em consideração a qualidade da competição (que no caso de Chara é enorme), mas mostra que a diferença entre os Bruins com Chara e sem Chara não é assim tão grande.

A verdadeira força dos Bruins está no seu sistema e na forma como toda a equipa o adopta durante o jogo. Claude Julien aplica um conceito de defesa em “camadas”. A ideia é ter sempre um defesa pronto para cobrir um erro de um colega. Numa defesa tradicional, cada defesa tem a responsabilidade de marcar um avançado. Se ele for batido o avançado fica com caminho livre para a baliza.

Normalmente, o papel dos alas é marcar os defesas adversários e prevenir os remates da linha azul. Os Bruins preferem dar esses remates de barato e colocar os alas mais perto dos defesas. Assim eles podem servir de cobertura a qualquer erro dos seus colegas.

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Quando o disco está nos cantos a ideia é a mesma: criar camadas. Um dos defesas pressiona activamente o portador do disco, enquanto que o outro se coloca um pouco recuado, pronto para reagir ao desenvolvimento da jogada.

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Nesta imagem vemos Seidenberg a marcar Michael Handzus em cima, enquanto que Brad Marchand se afasta do centro da jogada e se coloca na melhor posição para reagir. Se porventura Handzus batesse Seidenberg, ainda tinha que passar por Marchand para chegar à baliza, conferindo mais uma camada à defesa dos Bruins.

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Neste caso, Handzus passou o disco a Kane, Marchand avançou para pressiona o avançado dos Blackhawks e Seidenberg recuou para passar à cobertura, mantendo sempre a camada extra.  Apesar deste sistema ser altamente eficaz, os Blackhawks têm o que é preciso para o derrotar, e fizeram-no no Jogo 1, mas principalmente no Jogo 4.

Primeiro: entrar na zona ofensiva com velocidade, para não deixar que os Bruins montem a sua estrutura defensiva. A fraqueza mais evidente da defesa dos Bruins é a velocidade.

Segundo: manter os jogadores próximos. Isto contradiz os conceitos básicos do ataque. Numa situação normal uma equipa deve afastar os jogadores para aproveitar o espaço livre nas costas da defesa. Mas contra os Bruins a lógica tem que ser invertida.

Os Blackhawks têm atacado com velocidade em todos os jogos, mas só se limitaram a correr pelos corredores laterais e nunca conseguiram levar o jogo para o meio, onde se cria o verdadeiro perigo.

Para bater Tukka Rask, os Blackhawks têm que criar remates de posições com maior probabilidade de sucesso. Para isso precisam penetrar no meio da defesa dos Bruins. Já que fintar Zdeno Chara não é uma opção, restam passes curtos de apoio para tentar desestabilizar os defesas dos Bruins.

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No 3º golo dos Blackhawks no Jogo 4, Patrick Kane entrou em velocidade na zona ofensiva e Bryan Bickell ofereceu um apoio curto no meio. Este passe curto abriu um espaço enorme na defesa, que Bickell atacou. Segundos mais tarde, Kane aproveitou a desorientação da defesa dos Bruins para marcar golo num ressalto.

Se Bickell não desse o apoio curto, a única opção de Kane seria despejar o disco. O mesmo conceito funciona também nos cantos, como se viu no golo de Brandon Saad no Jogo 1.

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Toews bate o primeiro jogador dos Bruins. Quando o 2º avança para pressionar, Toews tem a opção de fazer um passe curto para Saad, batendo as camadas dos Bruins.

A grande diferença do Jogo 3 para o Jogo 4 foi a proximidade dos jogadores dos Blackhawks. Com maior apoio ao portador do disco, os Blackhawks conseguiram afastar o jogo das bordas e trazê-lo para o meio, onde podem fazer a vida negra a Tukka Rask.