Antevisão: Capitals – Panthers

Backstrom, guardado de perto pelo rookie Gudbranson, no jogo de sábado

Depois de 3 derrotas consecutivas, duas das quais em casa, os Capitals conseguiram finalmente uma vitória incontestável, com uma exibição a condizer.

Talvez tenha sido o desespero. Talvez tenha sido a fragilidade do adversário. Talvez tenha sido sorte. Qualquer que seja a razão, os Caps foram capazes de dominar todas as zonas do gelo na vitória frente aos Florida Panthers por 5-0, no sábado. Pela primeira vez, os Capitals marcaram mais do que 3 golos, o guarda-redes não cometeu erros e a equipa manteve o nível durante os 60 minutos de jogo.

Hoje, as duas equipas voltam a encontrar-se, desta vez na Florida, e os Panthers tiveram 3 dias para lamber as feridas do jogo de sábado. Todos os jogadores querem mostrar que a derrota expressiva foi uma casualidade. Mas nenhum mais do que Tomas Fleischmann. Ele é a metáfora perfeita para a actual situação dos Capitals.

Em 2009/10, os Capitals dominavam a liga. Com 121 pontos, a equipa de Washington, então comandada por Bruce Boudreau (que está a fazer um belo trabalho em Anaheim, just saying…), venceu o President’s Trophy. Um ataque explosivo composto por Ovechkin (50-59-109), Backstrom (33-68-101) e Semin (40-44-84), muito bem apoiada por um elenco secundário de luxo, com 7 jogadores a marcarem mais do que 20 golos. Fleischmann era um deles.

Mas os Caps acabaram por ser eliminados pelos Montreal Canadiens na 1º ronda dos Playoffs, às mãos de Jaroslav Halak, que passava pela melhor forma da sua vida. A partir daí tudo foi diferente. A equipa foi tentando forçar um tipo de jogo que não era o seu, nem nunca seria, e foi perdendo a sua identidade a cada jogo que passava. Ovechkin passou de 50 para 38 golos, Semin foi trocado, tal como Fleischmann, e os Capitals entraram numa espiral emocional.

Há quatro anos que a equipa muda de sistema todos os anos. Primeiro com Boudreau. Depois, ainda com Boudreau mas mais defensivo. Depois, o estilo “vamos deixar o nosso melhor jogador a secar no banco” de Dale Hunter, naquela que foi uma das mais estranhas experiências que eu alguma vez vi. E agora, numa época encurtada onde quase não houve pré temporada, vamos começar tudo do zero com Adam Oates, que alguns dizem ser demasiado sofisticado para os jogadores dos Washington Capitals.

Adam Oates foi um jogador extraordinário, com uma inteligência para o jogo fora do normal. Mas Alex Ovechkin, Nicklas Backstrom, Mike Ribeiro são jogadores acima da média e que devem estar preparados para interpretar qualquer sistema. Talvez por ser mais complicado demore mais tempo, mas tempo é coisa que este ano não há.

Por vezes basta um momento para uma equipa se unir e acreditar no seu valor. Uma segunda vitória consecutiva sobre os Florida Panthers pode ser esse momento. Uma derrota poder ser mais um passo para o fim de uma era.

Transmissão: SportTv 3 às 00:30

Números:

números wsh-fla 12-02-13.png

Fenwick Close: “forma de estimar a posse do disco, tal como o Corsi, através do diferencial de remates direccionados à baliza, sem contar com os remates bloqueados, quando o marcador está no máximo a dois golos de diferença, apresentado sob a forma de percentagem”

5v5 GM/60: “golos marcados em 5 contra 5, por 60 minutos de jogo”

5v5 GS/60: “golos sofridos em 5 contra 5, por 60 minutos de jogo”

PDO: “soma da percentagem de remate com percentagem de defesa, que tende a regredir para a média e está relacionado com o factor sorte”

Equipas Especiais:

special teams wsh-fla 12-02-13.png

5v4 GM/60: “golos marcados em 5 contra 4, por 60 minutos de jogo”

5v4 RF/60: “remates a favor em 5 contra 4, por 60 minutos de jogo”

4v5 GS/60: “golos sofridos em 4 contra 5, por 60 minutos de jogo”

4v5 RC/60: “remates contra em 4 contra 5, por 60 minutos de jogo”

Alinhamento:

Os números mostram duas equipas com os mesmos problemas: ataque, baliza e penalty kill. Com powerplay acima da média, a equipa que conseguir manter a disciplina e limitar as situações de desvantagem numérica pode ter uma vantagem determinante. Não é um bom jogo para deixar os goons à solta…

No entanto, como o PDO mostra, estas duas equipas não têm sido bafejadas pela sorte, principalmente os Panthers. Com 948, a equipa da Florida é penúltima na NHL nesta estatística, apenas atrás dos Los Angeles Kings com 947. Mas um dos truques do PDO é que nem sempre regride para 1000. Uma equipa fraca pode ter uma média inferior a 1000, principalmente se estiver mal servida de guarda-redes. Com uma dupla formada por Jose Theodore e Scott Clemmensen, não é de esperar que os Panthers cheguem a 1000, mas 948 é baixo de mais para ser sustentável.

Se estas duas equipas pretendem chegar aos playoffs têm que melhorar a posse do disco. O Fenwick mostra que ambas são normalmente dominadas pelos adversários, e sem um guarda-redes de topo isso pode ser fatal. No ano passado, apenas 3 equipas chegaram aos Playoffs com um Fenwick Close inferior a 50%: os New York Rangers, os Phoenix Coyotes e os Nashville Predators. Sabemos bem que são os donos da baliza nestas equipas.

O alinhamento dos Panthers deve ser qualquer coisa parecida com isto:

Tomas Fleischmann – Stephen Weiss – Kris Versteeg
Drew Shore – Jonathan Huberdeau – Peter Mueller
Tomas Kopecky – Marcel Goc – Alex Kovalev
Jareed Smithson – Shawn Matthias – Jack Skille

Erik Gudbranson – Brian Campbell
Dimitry Kulikov – Mike Weaver
Filip Kuba – Tyson Strachan

Scott Clemmensen

E agora o dos Caps:

Jason Chimera – Mike Ribeiro – Alex Ovechkin
Wojtek Wolski – Nicklas Backstrom – Troy Brouwer
Eric Fehr – Mathieu Perreault – Joel Ward
Joey Crabb – Matt Hendricks – Jay Beagle

Karl Alzner – Mike Green
John Erskine – John Carlson
Tomas Kundratek – Jeff Schultz

Braden Holtby

Pelo gráfico do uso, que cruza qualidade de competição, offensive zone start e corsi, Kevin Dineen não gosta de combinar linhas, pelo que a qualidade de competição está bem distribuída pela equipa, mas usa claramente a 3ª e 4ª linhas mais na sua zona defensiva. Tudo indica que Dineen faz uma rotação de linhas situacional, ou seja, que depende mais da situação (zona do faceoff, resultado, tempo de jogo) do que do adversário, o que é pena. As bolas azuis de Goc e Matthias, que ilustram um corsi positivo, mostram que estas duas linhas têm capacidade para defrontar as melhores linhas dos adversários. Se Dineen começasse a combinar linhas o rookie Jonathan Huberdeau poderia ser o maior beneficiado, pois com minutos mais fáceis ia ter espaço para fazer ainda melhor do que já fez (3-3-6), à imagem do que tem feito Randy Carlyle com Nazem Kadri em Toronto.

Quanto aos Capitals, a linha de Backstrom é a única que se tem mantido constante e a produzir, sendo responsável por 30% dos golos da equipa. Adam Oates parece definir duplas e decidir o terceiro elemento da linha consoante o adversário. Backstrom-Brouwer e Ribeiro-Ovechkin (finalmente!) são as principais duplas com Chimera e Wolski a rodar entra as duas linhas, e é daqui que se espera que venham os golos. Contudo foi a linha de Ward-Perreault-Fehr que dominou o jogo de sábado, com dois golos. Com Backstrom e Ribeiro a comerem os minutos mais difíceis, esta linha pode ser mais uma vez um factor decisivo.

Como joga em casa, Kevin Dineen tem o controlo sobre as combinações das linhas. Se conseguir eliminar Backstrom, provalmente recorrendo a Marcel Goc e ao seu par defensivo Kuba-Strachan, combinar Mike Weaver com Ovechkin, que se dá bem com o Nº8, enquanto protege a linha de Jonathan Huberdeau, os Panthers podem ter uma oportunidade para ganhar.

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