Dion Phaneuf e a estupidez de usar o +/- para avaliar um jogador

O início de época dos Toronto Maple Leafs tem sido desapontante. Não tanto pelos resultados, mas principalmente pelas exibições. Mesmo nas vitórias a equipa parece ser sempre dominada pelo adversário, e curiosamente até tem sido James Reimer a evitar desastres maiores.

Depois de uma vitória encorajadora em Pittsburgh, as derrotas consecutivas contra Islanders e Rangers trouxeram os Leafs de volta à realidade. A facilidade com que os Rangers recuperaram de uma desvantagem de dois golos, tal como os Islanders tinham feito dois dias antes, mostra que os Leafs ainda têm um longo caminho a percorrer.

A satisfatória performance de Reimer em Nova Iorque desviou as atenções para outros sectores da equipa, particularmente para a defesa. O novo alvo dos críticos é o capitão Dion Phaneuf, que segundo estas almas iluminadas deve ser dispensado no próximo defeso porque tem o pior +/- da NHL, com -8.

O +/- é muito provavelmente a pior estatística para avaliar um jogador. Eu acredito que os números são uma excelente fonte de conhecimento, mas têm que ser utilizados com honestidade intelectual, pesando todos os factores que podem influenciar uma determinada estatística.

Por isso, é essencial perceber que o +/- tem muito pouca relação com a qualidade individual de um jogador. É uma estatística muito influenciada pela qualidade global da equipa. Só assim se percebe que o top 5 da época passada tenha sido Patrice Bergeron, Tyler Seguin, Zdeno Chara, Chris Kelly e Brad Marchand. O que é que estes 5 jogadores têm em comum? Jogam todos nos Boston Bruins.

Quando se sofre ou quando se marca um golo há muitos factores que ultrapassam a individualidade, principalmente no caso particular de um defesa. De que vale limitar os remates do adversário se o guarda-redes deixar entrar os poucos que passam? De que vale criar jogadas de perigo se os avançados não as transformarem em golos?

Dion Phaneuf tem sido afectado por ambos os males. Quando Phaneuf está no gelo a percentagem de remate da equipa é de 4.65% (média da liga – 7.84%) e a percentagem de defesas 82.7% (92.16%).

O +/- também é influenciada pela qualidade da competição. Quando se joga 32 minutos e 38 segundos num jogo, 15 dos quais contra a linha de Gaborik, Richards e Nash, é difícil ter um +/- positivo. O seu Corsi Rel QoC é de 3.957, o quarto maior entre defesas em toda a liga.

Para além de jogar mais tempo do que devia e contra as melhores linhas do adversário, Phaneuf tem a seu lado um rookie de 27 anos que nunca tinha jogado na NHL.

Phaneuf e Carl Gunnarsson são os únicos defesas dos Leafs capazes de aguentar os minutos difíceis. No ano passado eles formaram o primeiro par defensivo que foi o grande pilar da equipa.

No entanto, para enfrentar as equipas de topo da NHL, com capacidade de rodar 3 ou até mesmo 4 linhas é preciso mais um par defensivo que seja isso mesmo, defensivo. É preciso alguém para jogar ao lado de Phaneuf (e que o ajude, efectivamente) ou para jogar no segundo par, permitindo restituir a dupla Phaneuf-Gunnarsson.

Os Maple Leafs precisam de mais um defesa como Dion Phaneuf, não menos.

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