Antevisão Final da Stanley Cup – Parte 2

Guarda-redes

À partida temos duas situações completamente opostas na baliza. Jonathan Quick, o jovem de 26 anos que entrou este ano no clube dos guarda-redes de elite da NHL, contra Martin Brodeur, o presidente desse clube.

Quick merecia estar na disputa pelo Troféu Hart, depois de segurar várias vitórias magras que o ataque desinspirado dos Kings não conseguiu resolver. Durante a época regular, por 9 vezes Quick sofreu apenas 1 golo e mesmo assim os Kings perderam.

Com os Playoffs, apareceu o ataque, os Kings passaram a dominar os jogos, e Quick perdeu alguma proeminência. Mesmo assim, tem 1.54 GAA e 0.946 %Def.

Brodeur está a jogar como se tivesse 26 anos (ele tem 40, não digam a ninguém). Quando parece que vai ceder ao peso da idade, Brodeur dá a volta por cima e pode conquistar a 5ª Stanley Cup da sua carreira.

Vantagem: Kings

Defesa

Ambas as equipas têm uma defesa completa, uma boa mistura de juventude e experiência, rapidez e estatura.

O líder da defesa dos New Jersey Devils tem sido o surpreendente Bryce Salvador, com mais pontos nestes Playoffs do que em toda a época regular. Ao seu lado tem Marek Zidlicky que é uma mais-valia no transporte do disco para o ataque.

Nos Los Angeles Kings, Drew Doughty é a estrela. O jovem de 22 anos já marcou 10 pontos e beneficia de jogar ao lado de veteranos com Rob Scuderi e Willie Mitchell.

A chave para defender bem nesta final será o controlo do disco, evitar erros contra duas equipas que pressionam bastante os adversários.

Vantagem: Kings

Ataque

Na final vamos ter presentes os dois melhores marcadores dos Playoffs, Ilya Kovalchuk pelos Devils, com 7 golos e 11 assistências, e Dustin Brown pelos Kings, com 7 golos e 9 assistências em menos 3 jogos.

Para além da luta pelo Conn Smythe, Kovalchuk e Brown vão defrontar-se frente a frente várias vezes, durante o powerplay dos Devils.

No extremo oposto do alinhamento, temos as duas quartas linhas mais eficazes dos Playoffs. Brad Richardson, Colin Fraser e Jordan Nolan fazem o seu papel, dão energia e mantêm o disco na zona ofensiva.

Nos Devils, a linha constituída por Stephen Gionta, Ryan Carter e Steve Bernier são um case-study, combinando para 19 pontos.

Todas as linhas dos New Jersey Devils são capazes de marcar, o que vai manter a defesa dos Kings ocupada.

Vantagem: Devils

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Antevisão Final da Stanley Cup – Parte 1

O momento chegou. A Final da Stanley Cup está sobre nós.

Depois de 8 meses, 1310 jogos, 7118 golos (já não consigo arranjar nenhum número maior), restam duas equipas. New Jersey Devils e Los Angeles Kings vão lutar pelo caneco numa série à melhor de 7 jogos.

É a primeira vez na história deste formato que o 6º e 8º classificados se encontram na final dos Playoffs da NHL. Desengane-se aquele que pensa que foi fruto do acaso.

A percepção de sorte é causada pela classificação das equipas na época regular, que, devido à atribuição dos primeiros 3 lugares aos líderes das divisões, pode ser enganosa.

Os Devils acabaram em 6º na Conferência Este, com 102 pontos, a melhor pontuação de sempre para o 6º classificado desta conferência e 8 pontos mais do que os Florida Panthers, 3º classificados por terem vencido a Divisão Sudeste.

Os Kings acabaram em 8º e ficou a percepção de que se classificaram para os Playoffs por uma unha negra. No entanto, a equipa de LA ficou a 2 pontos de vencer a divisão e, por isso, de terminar em 3º (nossa, como este sistema é estúpido).

E como eu já tinha referido no início deste mês, todos os números indicavam que os Kings melhoraram consideravelmente com a chegada de Darryl Sutter, ou seja em Dezembro.

Para além da classificação na época regular, não há nada que indicasse que esta seria uma final improvável. Improvável é que este sistema de classificação alguma vez venha a fazer sentido.

Devils contrariam a história e estão na final!

A história não se repetiu…Exactamente há 18 anos atrás, os Devils encontravam os Rangers na Final da Conferência Este. Foram para o Jogo 6 com uma vantagem de 3-2 tal como este ano, mas perderam esse jogo. No Jogo 7 os Rangers acabaram por vencerem em OT e seguiram para a final da Stanley Cup. Mas ontem o jogo foi outro e a equipa que passou à final também. Já o guarda-redes, esse, era o mesmo, Martin Brodeur que ontem fez 33 defesas na vitória por 3-2 dos Devils em OT.

No caminho para a final, os Devils tiveram que superar os Panthers, numa ronda 1 brutal que só acabou ao Jogo 7, os Flyers que eliminaram em 5 Jogos e os Rangers em 6 jogos.

Ontem destacaram-se Adam Henrique com o golo que deu a passagem à final e Martin Brodeur que tem sido fundamental para o percurso da sua equipa nos Playoffs. Há também que dar um grande mérito a DeBoer, treinador dos Devils. Ele veio trazer à equipa de New Jersey um sistema mais agressivo, a que os jogadores não estavam habituados e o seu trabalho só começou a dar frutos a meio da época regular.

Quanto aos Rangers, vêem o sonho da Stanley Cup chegar ao fim. Prometiam muito já que ficaram em primeiro lugar na conferência na época regular e têm o melhor guarda-redes do mundo, Henrique Lundqvist que, apesar da derrota, fez 26 defesas no Jogo 6. Não foi suficiente.

Melhor Golo:

No primeiro período, os Devils conseguiram uma vantagem de 2 golos, o primeiro aos 10 minutos por Ryan Carter e o segundo aos 15 minutos por Ilya Kovalchuk.

No segundo período, os Rangers conseguiram empatar, aliás tal como já tinham feito no Jogo 5 quando recuperaram de uma desvantagem de 3 golos. O primeiro golo dos Rangers apareceu aos 10 minutos, com a assinatura de Ruslan Fedotenko e o segundo surgiu 4 minutos depois com Ryan Callahan a marcar aquele que seria o último golo dos Rangers esta época.

No terceiro período não houve golos. A equipa de Nova Yorque dominou e teve algumas oportunidades mas Brodeur mostrou-se impenetrável.

Finalmente, estava jogado apenas 1 minuto do prolongamento, Adam Henrique acabou com o jogo e fez o golo de ouro para os Devils.

A equipa de New Jersey tem agora um novo desafio. E que desafio. Chama-se LA Kings e espera-se uma batalha de titãs pela tão cobiçada Stanley Cup! O Jogo 1 realiza-se na próxima quarta-feira em Newark.  Veremos se os Devils repetem a época de 2003 ou se os Kings fazem história ao tornarem-se a 1ª equipa a classificar-se para os Playoffs em 8º lugar que consegue ganhar a taça.

Canucks Renovam Contrato de Alain Vigneault

Mike Gillis, GM dos Vancouver Canucks anunciou ontem a renovação com o treinador Alain Vigneault.

“O Alain estabeleceu-se como um dos treinadores de topo da National Hockey League,” disse Gillis. “Ele demonstrou vontade de vencer que levou a dois Presidents’ Trophies consecutivos e nós acreditamos que o seu esforço e dedicação vão continuar a trazer resultados positivos.”

Depois da eliminação precoce dos Canucks, muito se falou da possível saída de Vigneault. Apesar de resultados bastante positivos, a equipa de Vancouver ainda não conseguiu atingir o seu principal objectivo, a Stanley Cup.

Vigneault fez um bom trabalho desde que chegou aos Canucks em 2006, ofertas não lhe iam faltar. Mike Gillis avaliou o mercado e acabou por manter o seu actual treinador.

Com a ideia de que afinal Luongo poderá ficar em Vancouver (ou será só uma maneira de fazer subir o preço?), os Canucks parecem estar a tomar decisões mais bem ponderadas, depois de alguma precipitação motivada pela eliminação às mãos dos Los Angeles Kings.

Carter, Gionta lideram Devils no Jogo 5

O Jogo 5 da Final da Conferência Este, entre os New York Rangers e os New Jersey Devils, foi… estranho. Os Rangers dominaram a maioria do jogo, mas perderam. Os Devils encontraram o caminho para a baliza de Lunqvist, mas através da sua 4ª linha. Chega o facto de Lunqvist ter sofrido 4 golos num só jogo para ser estranho.

Stephen Gionta, Patrik Elias e Travis Zajac colocaram os Devils na liderança por 3 golos com menos de metade do 1º período jogado. Os Rangers recuperaram a desvantagem e empataram o jogo a 3, com golos de Brandon Prust, Ryan Callahan e Martin Bro… Gaborik. Marian Gaborik.

Foi então que surgiram os heróis improváveis. A 4ª linha, mais concretamente Ryan Carter, deu a vitória aos New Jersey Devils e bateu o melhor guarda-redes do mundo para colocar a sua equipa com uma vantagem de 3-2 na eliminatória.

Esta derrota tem o potencial de voltar para assombrar os Rangers. A equipa de Nova Iorque desperdiçou uma boa oportunidade de ganhar, depois de ter recuperado de uma desvantagem de 3 golos, no primeiro jogo da eliminatória em que Brodeur vacilou.

Estrelas do Jogo

Stephen Gionta – 1 Golo, 1 Assistência

Ryan Callahan – 1 Golo, 6 Placagens

Ilya Kovalchuk – 2 Assistências

Kings Finalistas da Stanley Cup

Numa eliminatória insossa, o Jogo 5, que se veio a revelar o último, foi recheado de controvérsia, disputas verbais e emoção.

Dustin Penner passou de piada a herói, colocando os Los Angeles Kings na final da Stanley Cup, com um golo no prolongamento para selar a vitória por 4-3 sobre os Phoenix Coyotes.

Por incrível que pareça, “Dustin Penner herói no OT” não faz capa dos jornais de hoje (apesar de alguns colocarem hipóteses sobrenaturais para explicar o sucedido).

O protagonismo do dia seguinte vai todo direitinho para a placagem de Dustin Brown a Michael Rozsival, na jogada que antecedeu o golo de Penner.

Os jogadores dos Coyotes não ficaram nada satisfeitos pela jogada ter passado em claro e mostraram o seu descontentamento, quer aos árbitros, quer ao próprio Dustin Brown, durante o aperto de mãos protocolar.

Mike Smith e o capitão Shane Doan foram os mais críticos e libertaram alguma da sua raiva nos microfones dos repórteres.

“Como é que não há penalidade naquela jogada, depois do apito, joelho com joelho, é uma placagem perigosa.” disse Smith. “Se o Raffi Torres foi suspenso por 25 jogos, este sujeito devia ser banido para sempre”

O capitão foi mais contido nas palavras, mas aproveitou para cascar nos árbitros. “Eu não percebo como é que não viram. Não percebo mesmo. De certeza que tem uma boa explicação para isto. Eu sei que eles fazem o melhor que podem, e que vão errar às vezes. Mas é difícil ser prejudicado tantas vezes. Vão ver as penalidades que me foram assinaladas nos últimos jogos.”

Apesar de serem comentários exagerados, são compreensíveis, vindos dos dois jogadores mais injustiçados pela eliminação dos Phoenix Coyotes.

Smith foi eliminado às portas da final mesmo sendo quase perfeito na baliza dos Coyotes. Doan falhou o objectivo que persegue há quase duas décadas. Nenhum dos dois diria o mesmo de cabeça fria.

Estrelas do Encontro

Dustin Penner – 1 Golo, 1 Assistência

Drew Doughty – 1 Golo, 1 Assistência

Jonathan Quick – 38 Defesas

Candidatos Conn Smythe – Este

New York Rangers

Principal Candidato: Henrik Lunqvist (1.64 GAA, 0.939 %Def, 3 SO)

Arrisco-me a dizer que se os Rangers chegarem à final da Stanley Cup, Gary Bettman pode entregar o Conn Smythe a Lundqvist logo na cerimónia de abertura do Jogo 1.

O sueco carregou a sua equipa durante as primeiras rondas, disfarçando as dificuldades notórias do ataque, que não encontra outras soluções para além de Brad Richards.

Lundqvist só precisa de eliminar os Devils, para quase garantir o troféu, mesmo que seja derrotado na final. Já aconteceu antes. Em 2003, Jean-Sebastien Giguere venceu este troféu pelos Mighty Ducks of Anaheim. Curiosamente os Ducks perderam essa final para os Devils.

Segunda Escolha: Brad Richards (6 G, 8 A)

New Jersey Devils

Principal Candidato: Ilya Kovalchuck (6 G, 8 A)

Kovalchuck começa a valer os milhões que os Devils lhe pagam. Todos reconhecíamos o seu talento. Todos reconhecíamos a sua qualidade. Todos duvidávamos da sua ética de trabalho.

O russo encontrou em Jersey a situação ideal para fazer evoluir o seu jogo. Dedicou-se, trabalhou e está a mostrar as capacidades mentais que ninguém lhe reconhecia.

Ele lidera o frenético ataque dos Devils, mas não é um risco para a defesa sempre que está no gelo. Conhece o sistema da equipa, faz as compensações aos seus colegas e consegue perceber o momento ideal para libertar a sua creatividade.

Segunda Escolha: Martin Brodeur (1.98 GAA, 0.923 %Def, 1 SO)