Blackhawks lamentam oportunidades perdidas

 
Uma das mais importantes regras dos filmes de mafiosos diz que se temos um corpo para enterrar, o melhor é fazê-lo rápido antes que alguém apareça. Os Chicago Blackhawks foram muito melhores que os Boston Bruins no início do Jogo 2 da Final da Stanley Cup. Foram mais rápidos, mais fortes, dominantes. Podia ter sido uma goleada, podia ter sido fácil. Mas não foi.

Os Blachawks dominaram completamente o primeiro período. A rapidez de Kane, Sharp e Hossa pelos corredores laterais causou grandes dificuldades aos defesas dos Bruins. Torey Krug voltou a cometer um turnover na zona neutral que só não deu golo porque o arbitro apitou cedo demais. Mas não era só o rookie. Nenhum dos jogadores de Boston conseguia tirar o disco da sua zona sem o perder. Os Blackhawks aproveitaram bem para fazerem transições rápidas sempre que possível, tentando apanhar a defesa dos Bruins em contra-pé.

Claude Julien também não conseguiu responder rapidamente às mudanças que Joel Quenneville trouxe para o Jogo 2. Ao contrario do que aconteceu no Jogo 1, o treinador dos Blackhawks combinou a linha de Toews com a de Krejci, de longe a mais perigosa destes Playoffs. Bolland jogou muitos minutos contra Bergeron, enquanto que a linha de Kane e Sharp tentava aproveitar a terceira linha dos Bruins.

No primeiro período, a estratégia resultou na perfeição. Os Blackhawks tiveram 13 oportunidades de golo contra 2 dos Bruins, a linha Horton-Lucic-Krejci não fez nenhum remate à baliza e Patrick Sharp tinha mais remates do que toda a equipa dos Bruins, um deles acabou mesmo por entrar na baliza de Tukka Rask e fazer o 1-0.

Mas Julien mexeu na sua equipa ao intervalo, e mexeu bem. Tyler Seguin, que tinha estado a jogar com Rich Peverley e Kaspars Daugavins, passou para o lado de Chris Kelly e Daniel Paille. Esta nova terceira linha começou a criar oportunidades de golo sucessivas, principalmente contra a linha de Kane, até que Chris Kelly marcou o golo do empate, depois de uma excelente jogada de Paille por trás da baliza.

No terceiro período jogaram-se os piores 20 minutos desta final, com as duas equipas a tentarem minimizar os erros ao máximo, à espera de mais um prolongamento. Mas este não seria tão prolongado. Passados pouco menos de 14 minutos, a linha de Seguin voltou a fazer estragos, com o segundo seleccionado do Draft de 2010 a assistir para o golo de Daniel Paille.

Julien demorou um período, mas conseguiu virar o jogo a seu favor. Não esquecer Tukka Rask, que com 18 defesas no primeiro período manteve os Bruins no jogo durante a sua fase mais complicada, e deu tempo à equipa para se adaptar aos novos desafios colocados pelo adversário. Esta capacidade de adaptação ganha maior importância tendo em conta que as duas equipas não se defrontaram durante a época regular.

Os Blackhawks acabaram por perder sem terem jogado mal. Mas durante o prolongamento não pude deixar de pensar: onde anda Toews? Mais um jogo em que o capitão passou despercebido. Apesar de hoje ter defendido efectivamente a linha de Krejci, Horton e Lucic (que foram uma nulidade completa), Toews voltou a não ser uma ameaça no ataque. Bem sei que a um jogador como Toews se pede muito mais do que marcar golos, mas 1 golo em 19 jogos é muito pouco para um jogador do seu calibre.

Dois jogos, dois prolongamentos, duas moedas ao ar. Qualquer uma da equipas podia ter saído de Chicago com duas vitórias. Agora a caravana segue para Boston e ainda há muitos corpos para enterrar.

Triplo prolongamento para decidir Jogo 1

 
No fim, bastou um remate esperançoso da linha azul para o meio da multidão que bateu no stick certo, no ângulo certo para fazer interceptar o disco com o joelho de Andrew Shaw. Shaw estava só de passagem, da esquerda para a direita, e o desvio inadvertido foi suficiente para bater Tuukka Rask no 63º remate dos Blackhawks. Parecia bilhar às três tabelas.

Foi apenas o Jogo 1 da final da Stanley Cup, mas foram quase dois jogos em duração. Os Boston Bruins estiveram a liderar por 3-1 a 13 minutos e 51 segundos do fim. Normalmente, os mais precavidos espectadores já estariam a levantar-se para evitar o transito no regresso a casa. Mas ninguém arredou pé.

O jogo passou da alegria do empate para um impasse que se estendeu pela noite fora, até nascer o sol aqui em Portugal. Foram precisos três prolongamentos, vários lance de perigo, até que finalmente o remate de Michael Rozsival encontrou um caminho tortuoso para a baliza de Rask. Chicago venceu por 4-3 e lidera a série por 1-0. Foi o 5º jogo mais longo da história da NHL.

Keith e Seabrook juntos novamente

Joel Quenneville reuniu a dupla Duncan Keith e Brent Seabrook na vitória por 4-1 sobre os Detroit Red Wings, a contar para o 5º jogo da meia-final da Conferência Oeste, e ninguém está mais contente do que Seabrook.

“Sinto-me mais confortável”, disse Seabrook. “Jogámos juntos muitos anos, muitos jogos. Eu sei onde é que ele vai estar. Ele sabe onde é que eu vou estar. Estamos muito confortáveis a jogar um com o outro.”

Esta reunião pode ser exactamente aquilo que Seabrook precisa para dar a volta a um momento menos bom. Ele admitiu não estar contente com as suas exibições na eliminatória com os Minnesota Wild e pareceu algo perdido nos primeiros quatro jogos contra os Red Wings.

As suas fragilidades foram expostas por Gustav Nyquist neste golo, no Jogo 3.

Sem um dos melhores patinadores da liga a seu lado, a falta de velocidade de Seabrook torna-se mais evidente e este tem mais problemas em lidar com jogadores rápidos como Nyquist. É por isso que a dupla funcionava tão bem. Velocidade com força, mata.

Seabrook acabou o Jogo 3 com pouco mais de 17 minutos de gelo e passou grande parte do Jogo 4 no banco, jogando apenas 12 minutos, um mínimo da sua carreira.

Keith tem passado grande parte do tempo ao lado de Niklas Hjalmarsson mas, com as dificuldades de Seabrook, Quenneville sentiu-se obrigado a reunir o par que foi instrumental na conquista da Stanley Cup de 2010.

Por um jogo, parece ter resultado. Seabrook voltou ao seu tempo de jogo normal (23:20), fez uma assistência e disparou 7 remates à baliza. Eles estarão juntos novamente hoje, no Jogo 6, em que os Hawks tentam fugir da eliminação e forçar um Jogo 7.

Verão de decisões em Nova Iorque

O verão promete ser quente na cidade que nunca dorme. Apesar de as conversas girarem à volta dos destinos de Brad Richards e John Tortorella, existem outros assuntos que precisam de ser resolvidos antes do fim da temporada. Derek Stepan, Carl Hagelin e Ryan McDonagh estão em fim de contrato.

Todos foram importantes jogadores nesta equipa a um preço de saldo. Stepan e Hagelin ganhavam $875 mil dólares e McDonagh $1.3 milhões.

À primeira vista, os Rangers parecem ter espaço para negociar. A equipa está actualmente $13.5 milhões abaixo do tecto salarial do próximo ano ($64.3 milhões) e tem já 18 jogadores com contrato para a próxima época.

Stepan já deixou claro que quer continuar nos Rangers até ao fim da sua carreira. A questão será como é que Hagelin e McDonagh irão dividir o dinheiro que restar.

No início da época era fácil afirmar que a grande prioridade dos Rangers seria McDonagh, mas com a época excepcional de Stepan, que liderou a equipa em pontos (44) e foi o seu jogador mais perigoso durante os Playoffs, isso deixou de ser tão claro. O eclipse de Brad Richards torna ainda mais essencial a permanência de Stepan, também ele um centro.

MacKinnon e Drouin roubam a Memorial Cup a Seth Jones

Para quem gosta de estar atento às futuras estrelas da NHL, a Memorial Cup de 2013 foi uma montra excepcional para ver alguns dos mais cobiçados jovens para o Draft deste ano. Os Colorado Avalanche seguiram com especial interesse os acontecimentos, para ver o que fazem com a sua 1ª escolha.

Nathan Mackinnon e Jonathan Drouin dos Halifax Mooseheads, segundo e terceiro melhores jogadores do Draft de 2013 segundo a central de prospecção da NHL, venceram o melhor, Seth Jones dos Portland Winterhawks, por 6-4.

MacKinnon elevou o seu jogo contra os Winterhawks. O centro marcou dois hat-tricks em dois jogos, aos quais juntou mais 3 assistências. Drouin, jogando à esquerda de MacKinnon, só marcou um golo, mas no jogo decisivo foi crucial e contribuiu com 5 assistências.

Já Seth Jones marcou dois golos nos dois jogos, não conseguindo parar todo o talento ofensivo do adversário. O defesa americano era o claro favorito para ser o primeiro seleccionado no Draft, mas não sabemos até que ponto esta vitória de MacKinnon e Drouin alterou a opinião dos Colorado Avalanche.

Lundqvist frustrado depois de derrota no Jogo 1

Os New York Rangers chegaram à segunda ronda em grande parte devido à excelência de Henrik Lundqvist. Ele não joga sozinho, mas é de longe o melhor jogador dos Rangers e contribuiu muito para a vitória sobre os Capitals, não sofrendo qualquer golo no Jogo 6 e 7.

No jogo de abertura da segunda eliminatória frente aos Boston Bruins, Lundqvist fez 45 defesas e, mesmo assim, não conseguiu evitar a derrota por 3-2 no prolongamento. No fim da partida, o guarda-redes Sueco não escondeu os seus sentimentos.

“Joguei mal no prolongamento? Não. Posso marcar golos? Não. É frustrante? Sim. É terrível perder no prolongamento, mas apenas tenho continuar em frente, jogar o meu jogo e esperar que as coisas mudem”, disse Lundqvist.

Lundqvist não rejeitou as suas responsabilidade e assumiu a culpa no golo de Brad Marchand que decidiu o jogo. “Acho que tomei um má decisão nesse lance”, disse Lundqvist. “Estava demasiado concentrado no disco. Eu sabia que ele ia tentar por o disco entre as minhas pernas, mas estava a prestar mais atenção ao disco.”

Não me parece que Lundqvist seja mal batido no golo. Aliás, ele foi bom demais. Lundqvist consegue ir de um lado ao outro da baliza em muito pouco tempo, não por ser muito atlético, mas devido à sua grande capacidade de ler a jogada. Ele foi tão rápido a reagir, que conseguiu chegar ao lado direito da baliza ainda antes de Marchand rematar. Só que isso deixou espaço entre as suas pernas, que Marchand soube aproveitar.

Mas Lundqvist fez o seu papel. Criticou a equipa, pediu mais apoio, e depois admitiu os seus próprios erros, dando um sinal positivo ao balneário. Vamos ver se os colegas aceitam a crítica da melhor maneira e começam a fazer mais para ajudar o seu guarda-redes.

É certo que as declarações de Lundqvist foram feitas no calor do momento, mas existem nelas um fundo de verdade. Os Rangers geram apenas  27.2 remates por jogo em 5-contra-5, o segundo pior registo de todas as equipas ainda em competição, e permitem 33.2 remates contra a sua baliza.

powerplay dos Rangers tem sido ridículo nestes Playoffs, com uma percentagem de sucesso de 6.4%. Para pôr em perspectiva  a segunda pior equipa no powerplay são os Bruins com 16.7% de sucesso. Ah. E a melhor equipa com a vantagem numérica são os Penguins com 36%. 30% mais que os Rangers!

O tamanho da amostra é pequena, e por isso não podemos tirar grandes conclusões destes números. Mas são sempre os pequenos períodos de ascensão ou de declínio que fazem a diferença nos Playoffs.

Lundqvist está a fazer a sua parte. Ele tem 95.3% de defesas em 5-contra-5. Só Craig Anderson fez melhor até agora (95.4%). O ataque e o powerplay dos Rangers têm que encontrar o seu ritmo e aproveitar as fragilidades da defesa dos Bruins.

As lesões de Ference, Seidenberg e Redden obrigaram Chara a jogar 38 minutos (!?) no Jogo 1. Metade dos defesas dos Bruins são rookies (Hamilton, Bartkowski e Krug). Uma equipa como os Rangers devia tirar partido deste momento para ganhar uma vantagem decisiva na eliminatória. Se não forem capazes de o fazer, resta a Lundqvist ser perfeito.

Crosby, Ovechkin e Tavares nomeados para o Hart

Sidney Crosby, Alex Ovechkin e John Tavares são os finalistas do troféu Hart, atribuído ao jogador mais valioso para a sua equipa.

Crosby falhou 12 jogos devido a uma factura da mandíbula, mas só foi ultrapassado na lista de melhores marcadores no fim da época. Acabou por ser o 4º jogador com mais pontos, 15 golos e 41 assistências. Ele liderou os Penguins à primeira posição na Conferência Este e já recebeu este prémio em 2007.

Ovechkin liderou a NHL em golos (32) e terminou em 3º em pontos. Foi o principal responsável pelo ressurgimento dos Capitals na segunda metade da temporada, que passaram pelos últimos lugares da liga para no fim vencerem a divisão Sudeste. Ovechkin já venceu o Hart por duas vezes, em 2008 e 2009.

Tavares é o rookie deste grupo. Aos 22 anos, é a primeira vez que é nomeado para o Hart por ter conduzido os New York Islanders aos Playoffs pela primeira vez desde 2007. Acabou a época como o 3º jogador com mais golos. Se continuar a evoluir desta forma, esta não será a única nomeação para o Hart da sua carreira.

A minha escolha seria Ovechkin, mas aceito a vitória de qualquer um dos três finalistas. O que tenho mais dificuldades em aceitar é a ausência de um representante da Conferência Oeste. Este prémio é votado pelos membros da associação dos jornalistas, que são maioritariamente baseados no Este e que, por isso, demonstram alguma tendência em favor dessa Conferência.

O capitão dos Ducks, Ryan Getzlaf, foi um dos desprezados e não se coibiu de dar a sua opinião. “Nós sabíamos que iam ser todos do Este este ano. É assim que funciona. Os jonalistas do Este só nos vêem quando jogamos contra uma equipa do Este. Eles não vão ficar acordados até à 1 ou 2 da manhã para ver os nossos jogos.”

Aqui os jogos começam às 3 da manhã e eu vejo sempre que posso. Não percebo como é que pessoas que recebem para ver e escrever sobre hóquei, coisas que eu faço por prazer, não fazem o mesmo esforço.

Talvez a solução seja ter um prémio para cada conferência. Principalmente numa época em que não houve jogos entre conferências, é estranho dizer que Crosby foi melhor que Getzlaf, quando eles nunca se defrontaram.

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